ETE Queimados ocupa uma área de 38,4 mil metros quadrados próxima ao Rio GuanduDivulgação
Publicado 22/06/2026 17:25
Rio - A Baixada Fluminense deu um passo histórico no saneamento básico nesta segunda-feira (22) com a inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Queimados. Construída pela Águas do Rio, concessionária do grupo Aegea, com financiamento do programa Saneamento para Todos, do Ministério das Cidades, e do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), a unidade tem capacidade para tratar até 51 milhões de litros de esgoto por dia das cidades de Queimados, Japeri e partes de Nova Iguaçu.
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A nova estrutura representa um marco para essas cidades, que, até então, não contavam com sistema de tratamento de esgoto. A entrega vai fornecer mais saúde e qualidade de vida para cerca de 270 mil moradores e impactar de forma positiva o meio ambiente. Com a operação da estação, os efluentes que hoje são lançados in natura na Bacia do Guandu passarão a ser tratados, reduzindo a carga de poluição no manancial responsável pelo abastecimento de 9 milhões de pessoas na Região Metropolitana do Rio.
Instalada em uma área de 38,4 mil metros quadrados próxima ao Rio Guandu, a estação faz parte de um investimento total de R$ 640 milhões que está sendo realizado pela concessionária para ampliar a infraestrutura de saneamento da região. A ETE integra o projeto da Águas do Rio para universalizar o saneamento básico na Baixada Fluminense.
Esgotamento sanitário sai do zero em Japeri e Queimados
Enquanto a moderna estrutura de tratamento era construída, a companhia iniciou a implantação das redes de esgoto em Queimados e Japeri. O foco é formar um sistema integrado capaz de coletar e tratar os efluentes da região. Gradualmente, a população será conectada à infraestrutura implantada. O projeto contará com 700 quilômetros de redes coletoras, 13,2 quilômetros de coletores-tronco e mais de 60 estações elevatórias.
O projeto de universalização do serviço de esgoto da região conta com R$ 172,8 milhões de investimento financiado pelo Programa Saneamento para Todos, gerido pelo Ministério das Cidades. Na cerimônia de entrega da ETE, o Ministro das Cidades, Vladimir Lima, afirmou que só é possível tirar do papel grandes obras de infraestrutura no país com união entre governos e capital privado.
“É importante a parceria com estados, prefeituras e concessionária. Só é possível fazer isso aqui acontecer a quatro mãos”, afirmou o ministro.
Para o CEO da Aegea, Radamés Casseb, a inauguração da ETE Queimados simboliza uma transformação histórica para o estado. A nova estação integra um amplo plano de expansão do saneamento conduzido pela Águas do Rio, que já investiu R$ 6,3 bilhões em quase cinco anos de operação e prevê chegar a R$ 24 bilhões em infraestrutura sanitária nos próximos anos.
“Essa entrega é um passo importante para a região, parte da jornada de universalização do saneamento. São investimentos que transformam a vida dos fluminenses com mais saúde e geração de emprego, ajudando também a recuperar os nossos mananciais. Esse trabalho é um símbolo do compromisso nacional da Aegea, que já atende quase 40 milhões de pessoas em todo o Brasil”, destaca Radamés.
Em 2024, o país registrou 336 mil internações por doenças de veiculação hídrica e cerca de 11,5 mil mortes associadas a esse tipo de enfermidade, além de um impacto estimado em R$ 174 milhões para o sistema público de saúde, segundo dados do Trata Brasil. Nesse contexto, o presidente da Águas do Rio, Anselmo Leal, afirmou que a ETE Queimados terá efeito direto na saúde da população da Baixada Fluminense.
“Em breve, as prefeituras de Queimados e Japeri vão conseguir medir nas unidades do SUS a redução de doenças típicas da falta de saneamento básico, como diarreias, hepatite e leptospirose”, disse.
Também participaram da cerimônia o secretário nacional de Saneamento Ambiental, Márcio Leão; o chefe do Departamento de Saneamento Ambiental do BNDES, Eduardo Nali; o presidente da Agenersa, Rafael Menezes; o secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas; a prefeita de Japeri, Dra. Fernanda Ontiveros; e o prefeito de Queimados, Glauco Kaizer; entre outras autoridades.
Guandu mais limpo e geração de renda
Além da melhora na saúde das famílias, a chegada do saneamento renova a esperança de quem sempre tirou o sustento do Rio Guandu. É o caso de Priscila Amorim, cuja família viveu da pesca por gerações. Porém, o avanço da poluição afastou os peixes e inviabilizou o trabalho.
“Nós tivemos muita perda na renda familiar com a falta de peixes fortes, como a tilápia, o robalo e o tucunaré. Com a água livre de esgoto, a reprodução aumenta e o pescado volta com mais qualidade para garantir o nosso arroz e feijão”, disse a ribeirinha.
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