Categoria votou por paralisação com tempo indeterminado neste domingo (28)Divulgação / Sindicato dos Rodoviários
Publicado 28/06/2026 20:20
Rio - Rodoviários da cidade do Rio decidiram, em assembleia na noite deste domingo (28), que a paralisação da categoria ocorrerá por tempo indeterminado. A greve começa às 0h desta segunda-feira (29). A Justiça do Trabalho ordenou que, ao menos, 50% da frota de ônibus continue funcionando. 
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Segundo o Sindicato dos Rodoviários, cerca de 2 mil trabalhadores votaram por parar sem data de retorno. A instituição informou que não houve uma contraproposta por parte do Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio (Rio Ônibus) sobre reivindicações apresentadas pela entidade acerca de reajuste salarial e demais benefícios.
De acordo com o sindicato, o Rio Ônibus ofereceu um reajuste apenas de 4% corresponde ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado até abril deste ano.
"São mais de 30 anos cedendo aos argumentos do patronal, mas agora essa situação precisa e vai mudar. A proposta apresentada aplicada sobre os valores atuais dos salários e auxílio alimentação da categoria é uma verdadeira falta de respeito com uma categoria que, por vezes, trabalha mais de 14h por dia e ainda fica exposta a violência diária, sofrendo sequestros e agressões de marginais que afeta diretamente o lado psicológico, prejudicando seu relacionamento profissional e familiar. É um verdadeiro absurdo", disse Sebastião José, presidente da entidade.
Na assembleia, a categoria afirmou que não abrirá mão do que consta na proposta de dissídio, aprovada e encaminhada para o Rio Ônibus, que consiste em: mudança da data base para 1º de março; um salário de R$ 5 mil para motoristas que dirigem articulados e R$ 4 mil para os demais condutores; o fim do contrato temporário; contratação por CLT para profissionais do BRT; tíquete alimentação de R$ 1 mil, jornada de trabalho 5x2; manutenção do passe livre para a categoria; indenização dos 30 minutos do tempo para almoço; e planos de saúde e odontológico.
"Queremos apenas o que nos é de direito. Espero que esse impasse entre a prefeitura e o Rio Ônibus seja resolvido, evitando assim que, mais uma vez, milhares de usuários paguem o preço dessa briga. Em todos esses anos como sindicalista, não lembro de algo parecido ter ocorrido", ressaltou o presidente.

Legalidade da greve com ressalvas

A Justiça do Trabalho determinou a legalidade da greve, que começa nesta segunda-feira (29), mas destacou que a categoria deverá manter, ao menos, 50% da frota operacional ativa de ônibus em circulação, por linha e itinerário, durante todo o período da paralisação.
A decisão liminar foi proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região, em dissídio coletivo de greve. Pela primeira vez, a paralisação da categoria é considerada legal pela Justiça. Segundo o presidente Sebastião José, o fato do TRT decidir pela legalidade do ato é de grande importância e uma vitória para a categoria, pois reconhece as dificuldades sofridas pelos trabalhadores.
"A greve está mantida e vamos cumprir o determinado pela Justiça, que é a de que ambas as partes mantenham 50% da frota circulando nos horários de pico, ou seja, pela manhã e à noite", destacou.
Em caso de descumprimento das determinações, o TRT fixou uma multa diária de R$ 50 mil, aplicada de forma independente a cada uma das entidades sindicais.
De acordo com a Prefeitura do Rio, o sistema do BRT, gerido pala Mobi-Rio, vai operar normalmente, com plano operacional regular de dias úteis.
"A Prefeitura do Rio acompanha a situação e reforça que adotará as medidas necessárias para reduzir os impactos à população e garantir o direito de ir e vir dos cariocas, inclusive já solicitou à Justiça o aumento deste percentual", informou em nota.
Questionado, o Rio Ônibus informou que as negociações com o Sindicato dos Rodoviários seguem abertas e que as empresas permanecem empenhadas para uma solução com os representantes dos trabalhadores.
"O setor compreende o pleito apresentado pela categoria e reafirma que a proposta oferecida garante a equivalência da inflação, considerando as dificuldades enfrentadas pelo sistema que são de conhecimento da Prefeitura", diz o texto.

A entidade faz um apelo aos rodoviários para que evitem a paralisação da operação em respeito à população carioca que depende diretamente do transporte coletivo.
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