Publicado 30/06/2026 10:38 | Atualizado 30/06/2026 11:46
Rio - Profissionais de educação realizaram um ato, na manhã desta terça-feira (30), em solidariedade à uma professora agredida no Ginásio Educacional Tecnológico (GET) Lins de Vasconcelos, na Zona Norte. Segundo os relatos, a vítima sofreu agressões no rosto por parte da mãe de uma estudante.
PublicidadeO caso aconteceu no último dia 19, na unidade localizada na Rua Engenheiro Brotero. Ao DIA, Emanoel Borges, diretor da regional 3 do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), contou que a comunidade escolar informou que tudo começou após atos indisciplinares da aluna.
"Ao longo do dia, diversas questões disciplinares foram acontecendo por parte da filha da agressora. Ela pediu que a estudante fosse à direção. Houve uma negativa inicial. A responsável foi chamada na escola. A filha teria mentido dizendo que a professora, ao conduzi-la à direção, teria lhe agredido. Isso é desmentido por toda comunidade escolar, inclusive pelos alunos que presenciaram a situação. Ao chegar, a mãe teria partido para cima da professora, acreditando na filha e não fazendo uma troca pedagógica com a professora, para saber o que aconteceu. Deu um soco no olho da professora, que ficou roxo e inchado. Foi na frente da diretora essa situação", explicou.
Segundo Emanoel, o Sepe buscou uma solução junto à 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE). No entanto, não houve uma definição sobre o caso. A professora segue de licença médica desde então.
"Não teve encaminhamento concreto de possível transferência dessa família da escola, que é o que prevê o regimento quando há agressão ao profissional de educação por parte dos responsáveis. A gente saiu de lá indignado porque a professora retornaria e encararia essa mãe agressora no ambiente de trabalho. Tem questões psiquiátricas nessa dinâmica. É preciso garantir um espaço de trabalho digno. Para os outros profissionais de educação também. Se você naturaliza esse tipo de agressão na escola, os outros profissionais ficam com medo de pegar a criança dessa família como estudante", contou.
Borges afirmou que casos como esse são recorrentes na rede municipal, mas pouco divulgados. O diretor do Sepe também destacou que há uma sobrecarga dos professores, com ausência de funcionários substitutos. Na situação em questão, a aluna não fazia parte de turmas da vítima.
"A gente já vive violências e perseguições diárias. Não se trata de um fato isolado. A gente acaba lidando com isso cotidianamente. Dessa vez, a comunidade escolar estava mobilizada e indignada, junto com os responsáveis. A gente está tratando de uma questão pedagógica. Se não houver consequência, dentro de toda legalidade, o que a gente está ensinando? Que agrediu, que está tudo certo e nada irá acontecer. Se houve uma agressão grave dentro da escola, isso não pode ficar impune. A gente precisa dar um encaminhamento que as coisas não podem ser resolvida por violência", completou.
O ato desta terça envolveu profissionais de educação e responsáveis. Os presentes levaram cartazes pedindo paz e o fim da violência contra professores.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (SME) informou que abriu uma sindicância para apuração dos fatos em busca de estabelecer as medidas cabíveis. A pasta reforçou que casos de agressão recebem todo acolhimento e acompanhamento necessários e que repudia qualquer forma de agressão fora e dentro de ambientes escolares.
"A rede mantém ações permanentes no intuito de prevenir à violência na comunidade escolar por meio do Núcleo Interdisciplinar de Apoio às Escolas (Niap), que conta com equipes compostas por psicólogos, assistentes sociais e pedagogos", disse a SME.
O caso é investigado pela 26ª DP (Todos os Santos). De acordo com a Polícia Civil, os envolvidos e as testemunhas já foram ouvidos. A apuração segue em andamento.
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