A jornalista Hildegard Angel relembrou o sofrimento vivido pela famíliaReprodução/Redes sociais
Publicado 07/07/2026 19:57 | Atualizado 07/07/2026 20:02
Rio - Mais de cinco décadas após ter a vida interrompida pela Ditadura Militar, foi concedido para o estudante Stuart Edgard Angel Jones, nesta terça-feira (7), maneira póstuma, o diploma de Bacharel em Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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Stuart Angel foi morto pela repressão em 1971, aos 25 anos - Reprodução/ Redes Sociais
Stuart Angel foi morto pela repressão em 1971, aos 25 anosReprodução/ Redes Sociais
A cerimônia realizada no salão dourado do Palácio Universitário, na Cidade Universitária, transformou-se em um momento de homenagem, memória e reparação histórica.

Stuart Angel era estudante da UFRJ e militante político quando foi preso por agentes da repressão em 1971, aos 25 anos. Desde então, nunca mais foi visto. Investigações posteriores e relatos de ex-presos políticos apontaram que ele foi submetido a sessões de tortura nas dependências da Base Aérea do Galeão e assassinado durante o regime militar. Seu corpo jamais foi encontrado.
Durante a cerimônia, que contou com a presença do corpo docente da universidade, além de amigos da família, a irmã de Stuart, a jornalista Hildegard Angel, relembrou o sofrimento vivido pela família e a determinação da mãe em transformar uma tragédia pessoal em uma luta coletiva.

“Muitas pessoas falavam: ‘Seu filho está morto’. E ela respondia: ‘Minha luta agora é pelos filhos dos outros também, para que ninguém passe pelo que meu filho passou’”, afirmou Hildegard, emocionando os presentes.

Ela também fez um alerta sobre a importância de preservar a memória do período autoritário.

“Vivemos tempos tenebrosos. Temos a obrigação de ter mais coragem para contar o que eles ainda não sabem sobre a proporção da ditadura. Até hoje, nuvens negras continuam rondando e apavorando a voz”, declarou, sendo aplaudida de pé.

A história de Stuart tornou-se conhecida nacionalmente pela luta incansável de sua mãe, a estilista Zuzu Angel. Reconhecida internacionalmente por seu trabalho na moda, Zuzu transformou a dor da perda em uma campanha permanente por respostas sobre o paradeiro do filho e pela denúncia dos crimes cometidos pela ditadura. Em seus desfiles, passou a utilizar elementos que simbolizavam a violência do regime, chamando a atenção da imprensa internacional para o caso.

A busca por justiça seguiu até 1976, quando Zuzu morreu em um acidente de carro no Rio de Janeiro. Décadas depois, investigações concluíram que sua morte não foi acidental, mas resultado de uma ação planejada por agentes ligados à repressão política.

O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou que a diplomação simboliza um reconhecimento institucional a um estudante que teve seu futuro interrompido pela violência do Estado.

“Ele foi arrancado do seio de sua família e duramente torturado. Ofereceu o que tinha de mais belo: a sua juventude. Esperamos que o legado de Stuart Angel inspire todos os estudantes a atuarem em prol da democracia, para que esse terrível capítulo da história do Brasil não se repita”, afirmou.

Segundo a universidade, a entrega do diploma póstumo reafirma o compromisso da instituição com a preservação da memória, da verdade, da justiça e da defesa da democracia.
Mais do que um documento acadêmico, a homenagem representa o reconhecimento de uma trajetória interrompida pela repressão e a reafirmação de que histórias como a de Stuart Angel não podem ser esquecidas.
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