Publicado 09/07/2026 12:13 | Atualizado 09/07/2026 12:15
Ao responder aos questionamentos da imprensa durante a coletiva sobre a operação que investiga um esquema de desvio de recursos no Instituto Rio Metrópole (IRM), o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, afirmou, nesta quinta-feira (9), que o compromisso do Ministério Público com o combate à corrupção é permanente e independe de quem esteja no comando do Governo do Estado.
PublicidadeQuestionado se a cooperação entre o MP e o Executivo continuará após a posse de um novo governador eleito, o procurador ressaltou que a atuação da instituição não está vinculada a governos, mas ao cumprimento de sua missão constitucional.
“O Ministério Público é uma instituição vocacionada pela Constituição à defesa do patrimônio público. O nosso compromisso é inegociável. Esse compromisso não é transitório, não é episódico e não é contemporâneo. É um compromisso institucional.”
Segundo ele, o atual momento facilita o trabalho dos investigadores porque as informações estão chegando com maior rapidez ao Ministério Público.
“O que facilita a nossa atuação é o fato de haver hoje no Poder Executivo alguém absolutamente estranho aos quadros políticos, sem nenhuma pretensão política. O diferencial é que os fatos estão sendo trazidos ao nosso conhecimento.”.
Antonio José Campos Moreira enfatizou que o Ministério Público não pode promover investigações genéricas contra qualquer governo, mas deve atuar sempre com base em fatos concretos. “O Ministério Público não pode promover uma devassa no governo sem um fato concreto. Democracia alguma admite isso. Nossa atuação é permanente e sempre baseada em elementos objetivos.”
Durante a resposta, o procurador fez um dos discursos mais contundentes da coletiva ao defender que o Estado precisa romper definitivamente com esquemas de corrupção. “Precisamos limpar o Rio de Janeiro.”
Na avaliação do chefe do Ministério Público, as investigações recentes revelam um cenário mais grave do que se imaginava.
“Quando imaginávamos que no Estado já não havia mais de onde tirar dinheiro, estamos nos deparando com esquemas em vários setores, em várias estruturas, contratos dirigidos, contratos superfaturados, contratos com sobrepreço e desvios de recursos públicos com a participação de servidores públicos e integrantes de empresas privadas.”
O procurador também afirmou que as investigações buscarão identificar não apenas os executores dos esquemas, mas também quem os sustentava politicamente.
“Nossa investigação não se restringe ao fato. Vamos buscar identificar quem são ou quem foram, no andar de cima, os responsáveis pelas nomeações, pelas indicações e pela formação desses núcleos de corrupção.”
Ao final da entrevista, Antonio José Campos Moreira respondeu sobre a eventual participação do deputado estadual Alexandre Knoploch na investigação. Segundo ele, até o momento não há qualquer elemento que justifique seu envolvimento no caso.
“Por ora, não há nenhum indicativo da participação direta ou indireta de parlamentar nesses fatos. A relação de parentesco, isoladamente considerada, não tem repercussão penal. As investigações prosseguem e serão aprofundadas a partir das provas produzidas.”
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