Yasser Zayoun foi um dos presos pela Operação Hawala nesta quarta-feiraRedes sociais / Reprodução
Publicado 15/07/2026 18:18 | Atualizado 15/07/2026 18:32
Rio - Coordenada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), com o apoio da Polícia Civil de São Paulo, a Operação Hawala, que mira esquema que lavou mais de R$ 100 milhões para facções, cumpriu nesta quarta-feira (15) 10 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão em endereços do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu (PR). Os libaneses Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun foram presos.

A investigação começou após marcas de capinhas de celular denunciarem a venda de produtos piratas no Rio. A partir disso, a polícia passou a monitorar ambulantes que movimentaram quantias milionárias sem justificativa. No Morro de São Carlos, na região central do Rio, os agentes identificaram que o traficante Marcílio Cherú de Oliveira, o "Menor Cherú" — liderança do Terceiro Comando Puro (TCP) —, era dono de lojas de venda de capinhas.

Ligação com libaneses
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Seguindo o rastro do dinheiro, a polícia fluminense chegou a três irmãos libaneses apontados como os responsáveis por ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos. Reda, Yasser e Kassem Zayoun foram detidos nesta quarta-feira na capital paulista e em Foz do Iguaçu. De acordo com as investigações, Reda era o chefe do esquema.

Em São Paulo, a operação contou com o apoio de policiais civis locais na região central da cidade. A polícia aponta que os operadores lavavam dinheiro de membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de um comércio local, utilizado para branquear valores obtidos com o tráfico de drogas e com a venda de produtos falsificados.

Facções criminosas e Al Qaeda estão envolvidas
A corporação estima que o esquema tenha movimentado mais de R$ 100 milhões entre 2021 e 2024 para facções criminosas. Além do TCP, a investigação estima que membros do Comando Vermelho (CV) e do PCC solicitaram os serviços dos libaneses. Além disso, a organização também é suspeita de ter conexão com uma estrutura de financiamento do grupo terrorista Al Qaeda.

Os investigadores constataram que Reda Zayoun viajava com frequência para a Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina), considerada estratégica para o grupo libanês expandir seus contatos financeiros internacionais. O trio mantinha relações comerciais com um homem sancionado em 2021 pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sob a acusação de integrar o braço financeiro da Al Qaeda.

Segundo o governo norte-americano, Haytham Ahmad Shukri Ahmad Al-Maghrabi seria o agente da Al Qaeda no Brasil. Ele chegou ao país em 2015, é acusado de receber transferências bancárias de associados da organização terrorista, de imprimir moeda falsa e de operar uma empresa de móveis sediada em São Paulo.
Apoio ao grupo Hezbollah
Além da conexão com a Al Qaeda, a polícia encontrou fotos de Yasser Zayoun, irmão de Reda, nas quais ele manifesta abertamente apoio à organização política e paramilitar libanesa Hezbollah em suas redes sociais.
Reportagem do estagiário Rodrigo Maciel, sob supervisão de Marlucio Luna
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