Profissionais do programa Empoderadas protestam ne frente do Palácio Guanabara após ficar sete meses sem salárioÉrica Martin / Agência O DIA
Publicado 27/07/2026 14:16
Rio - Sete meses sem salário, profissionais do Empoderadas fazem uma manifestação em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, no início da tarde desta segunda-feira (27). A mobilização, que reúne representantes de quase 70 polos do estado, cobra a liberação dos recursos do programa e protesta contra o impasse na Secretaria de Estado da Mulher e Políticas Inclusivas.
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Para 2026, os recursos destinados à iniciativa já constam no orçamento publicado pelo Governo do Estado no Diário Oficial. Apesar da previsão orçamentária, os recursos ainda não foram descentralizados pela Secretaria para a UERJ, responsável pela execução da parceria junto ao programa, e mais de 200 profissionais seguem sem receber desde janeiro.

Segundo a superintendente de empoderamento e equidade de gênero no Governo do Estado e responsável pelo programa Empoderadas, Érica Paes, de 46 anos, falta apenas a assinatura da secretária Bianca Pacheco para liberar o orçamento previsto para o ano de 2026.

“São sete meses que o nosso grupo está trabalhando, acolhendo mulheres vítimas de violência, sem receber um centavo sequer. É inadmissível, chega até ser uma forma covarde com a nossa equipe. Profissionais, 80% dos nossos colaboradores são mulheres que estão sem receber. A gente está numa situação muito delicada, mas ainda acredito que consigamos reverter. Enquanto a gente respirar, vamos estar aqui para salvar a vida de uma mulher, com dinheiro ou sem. A gente não vai parar a nossa missão. O nosso lema é não deixar nenhuma para trás”, afirma ao DIA.

Para a professora Celeste Alcântara, de 45 anos, a falta de salário causa inúmeros transtornos e já até afeta sua saúde mental, já que tem constantes insônias e não consegue dormir devido à preocupação com as dívidas.

“Isso complicou toda a minha vida financeira, porque eu sempre pagava todas as minhas contas em dia. Estava fazendo tratamento dentário e não consegui arcar com as despesas. Estou com ordem de despejo, cinco meses de aluguel atrasado, contas de água, de energia e telefone com aviso de corte e um empréstimo que precisei fazer, que corre juros de R$ 20 por dia. Está virando uma bola de neve e eu não estou nem conseguindo dormir com toda essa preocupação”, conta.

Josiane Cristina, de 54 anos, precisou deixar o programa em março pela falta de salários, já que luta contra um câncer. Ela era coordenadora dos cursos de beleza.

“Eu saí em março. Janeiro e fevereiro nós não recebemos pagamento e o tratamento do câncer e a alimentação são muito caros. Uma das coisas que o médico mais falou para mim foi: ‘Josiane, você não pode ter uma má alimentação’. E como você se alimenta, se você não tem salário? Hoje eu vivo de cesta básica do INCA. Tem gente sem pagar aluguel, tem meninas com filhos pequenos que estão com fome”, lamenta.

O programa é uma das principais políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher, com ações voltadas à proteção, autonomia e interrupção do ciclo de violência. Até o momento, não há previsão para a regularização dos pagamentos.

*Colaboração: Érica Martin
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