Publicado 03/08/2026 12:14 | Atualizado 03/08/2026 13:20
Rio - A Prefeitura do Rio e o Governo do Estado anunciaram, na manhã desta segunda-feira (3), informações sobre o programa e a ampliação do Tolerância Zero, que visa o combate à exploração ilegal do espaço público pelo crime organizado na orla da Zona Sul. A terceira fase, que irá iniciar nesta quarta-feira (5), será estendida para as ruas do entorno das praias de Copacabana, Ipanema, Leblon e Leme.
PublicidadeA expansão do programa abrange a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, Avenida Rainha Elizabeth, em Copacabana; Rua Prudente de Moraes, Ipanema, e Avenida General San Martin, Leblon. As metas estratégicas divulgadas são a eliminação de arrastões e crimes oportunistas, a redução significativa de furtos e roubos a pedestres, proteção ao transporte público e patrimônio e ordenamento urbano integral.
A terceira fase vai contar com cerca de 600 agentes municipais, integrados a 140 agentes das Forças de Segurança do Governo do Estado através do Programa Estadual de Integração na Segurança (PROEIS). Também participam da operação agentes dos 19º (Copacabana) e 23º (Leblon) Batalhões de Polícia Militar.
Serão 151 PMs em dias úteis, 289 aos sábados e 263 aos domingos. Todos as equipes atuarão, diariamente, nas fiscalizações de ordenamento urbano, combatendo a exploração ilegal do espaço público pelo crime organizado, no patrulhamento preventivo e no controle do trânsito.
Nessa nova etapa, o Tolerância Zero também terá mais 220 agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública, somando 540, em sua atuação diária. Além disso, será implantada uma fiscalização de trânsito focada em motos ilegais na área de atuação do Tolerância Zero, e em seus principais pontos de acesso, durante todos os dias da semana.
O prefeito, Eduardo Cavaliere, afirmou que o programa irá avançar cada vez mais. "Só vamos andar para frente, não vamos recuar. Vamos cada vez mais asfixiar a atuação do crime organizado na exploração do espaço público ilegalmente", disse.
Também estiveram presentes representantes de órgãos estaduais, como o secretário de governo Roberto Leão; secretário de Polícia Militar, Sylvio Guerra; secretário de Segurança Pública, Victor Cesar dos Santos; secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior.
Fases anteriores do programa
Em julho, o programa iniciou na orla dos bairros da Zona Sul. Segundo a prefeitura, o Tolerância Zero tem ações diárias para recuperar os espaços públicos, combater atividades sem autorização, proteger quem trabalha dentro da lei e impedir a reocupação das áreas fiscalizadas.
Em sua primeira fase, o Tolerância Zero ocupou permanentemente o calçadão da Zona Sul. Desde então, foram apreendidos mais de mil equipamentos e objetos sem nota fiscal, além de alimentos e bebidas sem comprovação de origem e qualidade.
Na etapa seguinte, a Prefeitura intensificou o combate aos espaços de armazenamento utilizados ilegalmente na região, focando em promover a desarticulação da cadeia logística criminosa responsável por abastecer e financiar o comércio ilegal na orla da região. Até agora, foram interditados cinco depósitos ilegais -três em Copacabana e dois no Leme -, com capacidade de gerar uma receita mensal de cerca de R$ 655 mil para o crime organizado.
Prisões após ataque com coquetel molotov
No dia 23 de julho, em Copacabana, Policiais civis da 12ª DP (Copacabana) prenderam dois homens envolvidos no ataque com coquetel molotov a uma viatura da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop). Nas imagens da Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas Rio), foi possível ver a movimentação do grupo antes e depois de jogar o artefato incendiário sob a viatura.
As investigações, em conjunto com a PM, identificaram um esquema articulado para promover ataques em represália às ações de ordenamento urbano na orla da Zona Sul do Rio.
"Vamos identificar e prender todos aqueles que agirem, seja contra o patrimônio da prefeitura ou contra a população, e estejam praticando crimes na orla da Zona Sul", falou o secretário de Polícia Civil, Delmir Gouveia.
"Vamos identificar e prender todos aqueles que agirem, seja contra o patrimônio da prefeitura ou contra a população, e estejam praticando crimes na orla da Zona Sul", falou o secretário de Polícia Civil, Delmir Gouveia.
Movimento Unido dos Camelôs
Ao O DIA, o Movimento Unido dos Camelôs (Muca) se pronunciou sobre a ampliação. "Estamos na terceira fase da intolerância e da morte. O movimento fica muito perplexo com a prefeitura, com a quantidade de guardas, polícias e aparato de segurança que é importante, a gente quer segurança, mas a prefeitura não chamou nem um minuto os personagens dessa intolerância para conversar", iniciou Maria dos Camelôs, coordenadora do movimento.
Em seguida, ressaltou que os trabalhadores retirados das orlas durante o programa estão passando necessidade por terem perdido o sustento. "A gente tem inúmeros pais e mães de famílias que já estão passando fome e é muito triste quando a prefeitura coloca todo mundo no mesmo balaio. [...] Então, está indo para uma nova etapa de intolerância sem conversar com os trabalhadores que ocupavam aqueles espaços e agora está sem nenhuma condição de alimentar sua família, nenhuma condição de trabalho".
Maria também cobrou uma resposta a respeito dos camelôs que não podem mais trabalhar e ressaltou que o Muca pedia organização da prefeitura. "A segurança é muito importante, a gente acha que a prefeitura tem que estar investindo, sim, na segurança. Mas a gente quer saber dos trabalhadores que estão ainda, até hoje, sem conseguir trabalhar, sem conseguir ter acesso ao trabalho. O tempo inteiro, o movimento cobrou a prefeitura sobre organização de depósito. Então, se tem depósito ilegal, a culpa não é nossa. [...] Agora, retiraram toda a mercadoria dos trabalhadores e colocaram num depósito da prefeitura que é insalubre", disse.
Por fim, reforçou que os trabalhadores querem organização. "A gente também não pode deixar de denunciar que enquanto não estamos conseguindo que os camelôs trabalhem na rua, as feiras da cidade existem e tem gente ganhando dinheiro com elas. Porque são remuneradas, as pessoas pagam R$ 150, R$ 200 para trabalhar. Mas não tem um discussão sobre essas pessoas que saíram da orla para serem colocadas numa feira e organizando esses camelôs. A gente quer organização".
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