Publicado 16/08/2026 08:28
Rio - Nos sinais de Jardim Sulacap já não há tantas crianças e adolescentes vendendo produtos, embora a realidade ainda seja desafiadora. Isso é resultado de um projeto social premiado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em parceria com o Ministério da Saúde e que está mudando a vida de crianças e adolescentes e de suas mães. É o programa Mães de Renda, promovido pelo CAPSi II Pequeno Hans, em Sulacap, em parceria com a Clínica da Família Padre John Cribbin, de Realengo.
PublicidadeVoltado para familiares de crianças e adolescentes que estão em situação de trabalho infantil, o projeto proporciona uma nova formação para renda da família com a oficina de saboneteria artesanal e também é uma nova forma de cuidar da saúde dos jovens e até encaminhá-los para programas de inserção profissional, como o Jovem Aprendiz.
“O projeto não surgiu com a proposta de tirar crianças da rua ou resolver, isoladamente, um problema estrutural. O objetivo é produzir dignidade, visibilidade e cuidado para famílias adoecidas pela pobreza extrema, pela insegurança alimentar e pela ausência de políticas públicas efetivas”, explica Tainara Cardoso, diretora do Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil - CAPSi Pequeno Hans.
Realizada quinzenalmente na Clínica da Família de Realengo, a oficina reúne mães, avós responsáveis pelo cuidado dessas e de outras crianças e adolescentes. “O trabalho articula geração de renda, escuta, cuidado territorial e fortalecimento de vínculos comunitários por meio da produção de sabonetes artesanais. Esse serviço foi pensado para o público infanto-juvenil em condição de extrema vulnerabilidade e situação de trabalho precoce nas ruas”, diz Tainara. Ela explica que as oficinas práticas incluem materiais, espaço de escuta e a confecção de sabonetes. “Nosso trabalho também foca em enxergar a potência dessas mulheres e criar novas fontes de renda para essas famílias”, complementa.
Nos seus quatro anos de existência, a diretora estima que o projeto já mobilizou inúmeras famílias, alcançando cerca de 200 pessoas. Tainara explica que a participação contínua nem sempre é possível, uma vez que a maioria das responsáveis desempenha o papel de provedora da casa e, por isso, acaba aceitando outras oportunidades de trabalhos pontuais para obter renda para a família. “O mais importante é acompanhar diariamente essas crianças, conhecer a dinâmica dessas famílias de forma comunitária, articulando a atenção primária, a assistência social e os programas de inserção profissional”, conta a diretora do CAPSi Pequeno Hans.
O projeto gerou alguns resultados significativos. Além de reduzir a exposição de crianças e adolescentes aos riscos cotidianos das ruas - a média baixou de 18h para 10h de trabalho nas ruas - houve uma redução de casos de cáries porque os adolescentes ficavam muito tempo na rua e acabavam comendo as próprias balas e bananadas que vendiam para saciar a fome. “O número de insolação também baixou. Esses jovens chegavam com febre alta na Clínica da Família devido à grande exposição diária ao sol. Em 2025, por exemplo, não tivemos nenhum caso de insolação. Anteriormente, correspondiam a 30% dos casos atendidos mensalmente”, relata.
O resultado de todo esse trabalho foi apresentado e reconhecido pelo Ministério da Saúde e irá subsidiar a Política Nacional de Saúde Integral para Adolescentes no Brasil. A experiência recebeu o prêmio do Laboratório de Inovação em Saúde (LIS) das Crianças, Adolescentes e Jovens na Atenção Primária à Saúde, da OPAS e do Ministério da Saúde, como uma das 6 iniciativas brasileiras inovadoras voltadas à saúde dos adolescentes e será utilizada pelo Ministério para pensar a política nacional para a saúde integral dos adolescentes.
“O projeto não surgiu com a proposta de tirar crianças da rua ou resolver, isoladamente, um problema estrutural. O objetivo é produzir dignidade, visibilidade e cuidado para famílias adoecidas pela pobreza extrema, pela insegurança alimentar e pela ausência de políticas públicas efetivas”, explica Tainara Cardoso, diretora do Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil - CAPSi Pequeno Hans.
Realizada quinzenalmente na Clínica da Família de Realengo, a oficina reúne mães, avós responsáveis pelo cuidado dessas e de outras crianças e adolescentes. “O trabalho articula geração de renda, escuta, cuidado territorial e fortalecimento de vínculos comunitários por meio da produção de sabonetes artesanais. Esse serviço foi pensado para o público infanto-juvenil em condição de extrema vulnerabilidade e situação de trabalho precoce nas ruas”, diz Tainara. Ela explica que as oficinas práticas incluem materiais, espaço de escuta e a confecção de sabonetes. “Nosso trabalho também foca em enxergar a potência dessas mulheres e criar novas fontes de renda para essas famílias”, complementa.
Nos seus quatro anos de existência, a diretora estima que o projeto já mobilizou inúmeras famílias, alcançando cerca de 200 pessoas. Tainara explica que a participação contínua nem sempre é possível, uma vez que a maioria das responsáveis desempenha o papel de provedora da casa e, por isso, acaba aceitando outras oportunidades de trabalhos pontuais para obter renda para a família. “O mais importante é acompanhar diariamente essas crianças, conhecer a dinâmica dessas famílias de forma comunitária, articulando a atenção primária, a assistência social e os programas de inserção profissional”, conta a diretora do CAPSi Pequeno Hans.
O projeto gerou alguns resultados significativos. Além de reduzir a exposição de crianças e adolescentes aos riscos cotidianos das ruas - a média baixou de 18h para 10h de trabalho nas ruas - houve uma redução de casos de cáries porque os adolescentes ficavam muito tempo na rua e acabavam comendo as próprias balas e bananadas que vendiam para saciar a fome. “O número de insolação também baixou. Esses jovens chegavam com febre alta na Clínica da Família devido à grande exposição diária ao sol. Em 2025, por exemplo, não tivemos nenhum caso de insolação. Anteriormente, correspondiam a 30% dos casos atendidos mensalmente”, relata.
O resultado de todo esse trabalho foi apresentado e reconhecido pelo Ministério da Saúde e irá subsidiar a Política Nacional de Saúde Integral para Adolescentes no Brasil. A experiência recebeu o prêmio do Laboratório de Inovação em Saúde (LIS) das Crianças, Adolescentes e Jovens na Atenção Primária à Saúde, da OPAS e do Ministério da Saúde, como uma das 6 iniciativas brasileiras inovadoras voltadas à saúde dos adolescentes e será utilizada pelo Ministério para pensar a política nacional para a saúde integral dos adolescentes.
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