Angela Mascelani, diretora e curadora, e Lucas Van de Beuque, diretor do Pontal e também curador da exposiçãoCarlos Elias Junior/ Agência O Dia
Publicado 28/08/2026 08:00 | Atualizado 28/08/2026 08:31
Rio - Referência na valorização da cultura popular brasileira, o Museu do Pontal celebra 50 anos de história. Para comemorar, a instituição realiza neste sábado (29) e domingo (30) um festival com diversas atrações, incluindo shows, apresentações e atividades interativas. A entrada para o evento, que acontece na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste, é gratuita.
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Fundado em 1976, o Museu do Pontal se consolidou como referência nacional na valorização de artistas das camadas populares e na promoção de uma visão mais ampla e diversa da arte brasileira. Atualmente, o acervo reúne mais de 10 mil obras de cerca de 300 artistas de 23 estados brasileiros, formando um dos mais importantes conjuntos dedicados à arte produzida por criadores populares no país.
Diretora e curadora do Museu do Pontal, Angela Mascelani destaca a O DIA a importância da instituição para a valorização da cultura popular brasileira.
Angela Mascelani, diretora e curadora do Museu do PontalCarlos Elias Junior/ Agência O Dia
"O Museu do Pontal surge em um momento em que não se percebia as camadas populares com a possibilidade de serem artistas com individualidade própria, com capacidade de expressão pessoal. As artes eram, como são ainda, muito elitizadas. O olhar era que só podia fazer arte quem tivesse uma formação, certos conhecimentos específicos ou tipo de dedicação", afirma a diretora, que complementa: 
"A importância do Museu está atrelada a esse momento, mas não fica restrita a ele. Por estar presente há cinco décadas na cultura brasileira, o Museu faz algo que não se encontra com muita facilidade: estuda as trajetórias de pessoas das camadas populares e de artistas, acompanhando suas carreiras, histórias de vida e todo esse percurso".
Nova sede do Museu
A partir de 2010, a antiga sede do Museu do Pontal, localizada no Recreio, na Zona Sudoeste, passou a ser afetada por alagamentos. Diante dos impactos, a instituição ganhou uma nova sede, inaugurada em 9 de outubro de 2021, na Barra da Tijuca. Assim, 2026 marca não apenas os 50 anos do Museu, mas também os cinco anos do novo espaço.
Museu do Pontal completa 50 anosCarlos Elias Junior/ Agência O Dia
Lucas Van de Beuque, diretor do Pontal e curador da exposição, fala sobre a formação da nova casa. "Nós fizemos uma vaquinha on-line em 2019, quando uma inundação deixou o Museu com mais de um metro de água. Essa mobilização foi fundamental para mostrar o engajamento da população brasileira. Cerca de 30% dos financiamentos que tivemos vieram de fora do Rio de Janeiro, e essa mobilização também acabou chegando às empresas", lembra o diretor.
Lucas também ressalta que o local foi pensado para ser um "museu vivo". "Nós desenhamos o projeto que era de um museu centro-cultural, um museu vivo, um museu que fosse um espaço de frequência, que as famílias viessem aqui não só uma vez, mas queríamos construir uma outra relação do público com o museu, uma relação de proximidade, de convivência", frisa.
Museu do Pontal completa 50 anosCarlos Elias Junior/ Agência O Dia
Nesses cinco anos, a instituição realizou mais de mil espetáculos e oficinas, recebeu mais de 400 mil visitantes e promoveu 17 festivais que reuniram 80 mil pessoas. Ao longo desse período, a instituição se consolidou como um dos mais importantes espaços de valorização da cultura popular brasileira. 
Para a família
Para quem deseja ir ao local com a família, Angela Mascelani afirma que o Museu do Pontal conta com uma série de atividades para crianças de diferentes idades e também para os adultos, com atrações para todas as faixas etárias.
Museu do Pontal completa 50 anosCarlos Elias Junior/ Agência O Dia
"Nós temos, todos os fins de semana, há cinco anos no Museu, a roda de bebês. É muito interessante! Bebês a partir de quatro meses são estimulados com sons, maracas e músicas. Todo domingo é uma roda diferente. As crianças pequenas precisam ter lugares saudáveis, lugares que não sejam de tela e que não precisem pagar, porque é uma época de muitos gastos familiares também. E no Museu do Pontal todas as atividades são gratuitas e de muita qualidade", defende.
"Com a roda de bebês e outras atividades também voltadas às crianças, o que acontece é a formação de um público muito particular, porque os pais vão para levar os filhos, mas também acabam levando os avós, tios, primos e outros amigos", explica a diretora.
Véio - A Escuta do Sertão
A exposição "Véio – A Escuta do Sertão" reúne mais de 300 obras produzidas ao longo de seis décadas e apresenta um panorama abrangente de um dos principais escultores brasileiros contemporâneos.
Distribuída em cinco núcleos expositivos, a mostra percorre diferentes momentos da trajetória do artista, desde as primeiras esculturas figurativas até os trabalhos que surgem da observação de troncos, raízes e galhos, revelando uma obra marcada pela escuta da natureza, da memória e da cultura sertaneja. A retrospectiva identificou mais de 650 obras distribuídas em cerca de 50 coleções públicas e privadas.
"Véio é um dos grandes intérpretes do sertão brasileiro e uma referência incontornável da arte contemporânea produzida no país. Ao realizar esta retrospectiva, o Museu do Pontal reafirma uma convicção que o acompanha há cinco décadas: ampliar a compreensão da história da arte brasileira significa reconhecer artistas que vieram das camadas populares, como Véio, não como exceções, mas como protagonistas da própria história da arte brasileira", afirma Lucas Van de Beuque.
Ingressos + van gratuita para quem chega de metrô
O Museu do Pontal fica localizado na Avenida Célia Ribeiro da Silva Mendes, 3.300, na Barra da Tijuca. A programação regular acontece de quinta-feira a domingo, das 10h às 18h. Neste fim de semana, no entanto, o sábado terá programação das 10h às 22h, enquanto o domingo será das 10h às 20h.
Angela Mascelani, diretora e curadora, e Lucas Van de Beuque, diretor do Pontal e também curador da exposiçãoCarlos Elias Junior/ Agência O Dia
Para quem deseja ir de metrô, nos dias dos festivais, a instituição disponibiliza vans gratuitas que saem a cada 20 minutos da estação Jardim Oceânico e do Terminal Alvorada, fazendo o trajeto de ida e volta até o museu.
A entrada é gratuita, mas a instituição sugere uma contribuição a partir de R$ 20 para aqueles que puderem colaborar com as atividades. Os valores arrecadados são investidos no programa educativo e na manutenção das instalações. 
Neste fim de semana, as senhas para participar das atividades na sala multiuso devem ser retiradas 40 minutos antes. Já para as exposições, os ingressos podem ser retirados na hora. Também serão realizadas diversas atividades ao ar livre.
Programação deste fim de semana
Para o fim de semana, o Museu do Pontal preparou uma série de atrações, desde shows até apresentações de manifestações da cultura popular, atividades interativas e a inauguração da exposição "Véio – A Escuta do Sertão".
Sábado (29)
No sábado, a programação acontece das 10h às 20h15. A partir das 10h, haverá brincadeiras com os arte-educadores e o DJ Xeleléu, que toca forró pé de serra durante os intervalos das apresentações. Às 10h30, o Grupo de Dança Mineiro Pau Valdemar Madalena se apresenta com música e dança.

Às 11h30, haverá vivência e roda de capoeira com Mestre Feinho. As visitas musicadas pelas exposições acontecem às 11h, 13h, 15h e 16h. Às 14h30, será exibido o curta-metragem "José Bezerra, Artista", realizado pelo Museu do Pontal.

Às 15h, Zé Bezerra se apresenta com o Trio Pernambucano. Meia hora depois, às 15h30, será aberta a exposição "Véio: A Escuta do Sertão", com a presença do artista e dos curadores Angela Mascelani e Lucas Van de Beuque.

Às 16h30, haverá um encontro entre a Folia de Reis do Sertão Carioca e a Folia de Reis Penitentes do Santa Marta. Encerrando a programação, às 17h30, o coletivo Bate-bola Brilhetes de Anchieta realiza uma performance inspirada no carnaval de rua carioca.
Domingo (30)
Já no domingo, a programação acontece das 10h às 20h30, com atrações ao longo do dia. A partir das 10h, o DJ Xeleléu anima os intervalos com um repertório de forró pé de serra. No mesmo horário, haverá a atividade "Bebês no Museu do Pontal", voltada para crianças de seis meses a 3 anos, com os arte-educadores da instituição.

Às 11h, o público poderá assistir ao espetáculo circense "O Mirabolante Homem Bola", com números de equilibrismo, excentricidade musical e charlatanismo. Também haverá visitas musicadas pelas exposições às 11h, 13h, 15h e 16h30.

Ao meio-dia, será apresentado o espetáculo solo "Protocolo", um show de palhaço de rua com participação da plateia, malabares e acrobacias. Às 13h15, será exibido o documentário "Artistas Cazumbas", realizado pelo Museu do Pontal. Na sequência, às 13h45, o grupo Boi Muleque Garboso apresenta canções autorais, toadas de boi, cacuriás, cocos, marchinhas, frevos e salsas.

Às 14h45, o artista visual Rona conduz a oficina "Nave Memória", voltada à escrita criativa e à imaginação. No mesmo horário, o DJ Nego Sensível assume a programação musical, com referências do brega, tecnobrega e rock.

Às 15h30, Mestre Solano e Noites do Norte apresentam ritmos da música amazônica, como carimbó, lambada, cúmbia, brega e guitarrada. Às 16h, haverá a oficina "Dobraduras para cantar e brincar", coordenada pelos arte-educadores do Museu.

Às 17h, o grupo Aturiá realiza uma celebração à ancestralidade cabocla da Amazônia paraense, com carimbó, lundu marajoara e boi-bumbá. Encerrando a programação, às 18h30, o Trio Forrozão se apresenta com um repertório de ritmos nordestinos.
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