Publicado 26/07/2026 00:00
Alguns acontecimentos recentes têm transformado o ambiente político na América Latina em palco de desentendimentos permanentes. Tudo é motivo para beligerância e a situação exige cuidados! Se os líderes regionais não derem o exemplo e não se esforçarem para conter os ânimos, a situação pode produzir cenas tão constrangedoras quanto as do papel ridículo dos jogadores da seleção da Argentina na final da Copa do Mundo, no domingo passado.
PublicidadeSó para recordar: inconformado com a derrota para o time da Espanha, o volante Leandro Paredes partiu para a agressão física a adversários tão logo a partida terminou. Em tempo: o resultado foi justo e, pelo que se viu em campo, o placar de 1 a 0 foi até modesto. Mesmo assim, Paredes apelou feio, arrastou companheiros para a confusão e cometeu um ato que apenas expôs seu despreparo.
Não! Ninguém está sugerindo que, diante de impasses, o presidente de um país apele para a agressão física contra um outro, com quem não compartilhe a visão política. A comparação com a atitude destemperada do jogador está na ameaça de que alguém só aceite o resultado de uma eleição caso saia vencedor.
DIVERGÊNCIAS CONHECIDAS — Um episódio que pode inflamar o debate político nos próximos dias foi a visita do presidente da Argentina Javier Milei a São Paulo neste final de semana. Por menos ocorrências extraordinárias que tenham acontecido, a visita é um prato cheio para comparações — que servirão de combustível para os dois lados durante a campanha eleitoral deste ano.
Com divergências notórias com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Milei não viajou ao Brasil na condição de Chefe de Estado — mas de militante. Recebido com honras pelo governador Tarcísio de Freitas no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, participou em seguida da convenção do PL, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República, na Arena Pacaembu.
Dias antes, Milei teve negado pelo STF o pedido para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em regime domiciliar em Brasília. Argumentos jurídicos à parte, é evidente que resposta negativa ao pedido era a hipótese mais provável — e que Milei e seus correligionários brasileiros só insistiram nessa ideia para tirar proveito eleitoral do “não” que certamente receberiam como resposta.
CORRUPÇÃO DA GROSSA — É óbvio que a recusa foi explorada por Milei no discurso longo, previsível e recheado de críticas à esquerda diante de convencionais do PL. O apoio a Flávio é uma espécie de troco de Milei a Lula. Em 2023, de volta ao Palácio do Planalto, o presidente apoiou abertamente a candidatura do peronista Sergio Massa, derrotado por Milei nas eleições argentinas de novembro. Desde então, os dois não perdem uma oportunidade de medir forças e provocar um ao outro. No ano passado, Lula esteve em Buenos Aires para um encontro do Mercosul e não solicitou reunião bilateral com o argentino.
Não! Ninguém está sugerindo que, diante de impasses, o presidente de um país apele para a agressão física contra um outro, com quem não compartilhe a visão política. A comparação com a atitude destemperada do jogador está na ameaça de que alguém só aceite o resultado de uma eleição caso saia vencedor.
DIVERGÊNCIAS CONHECIDAS — Um episódio que pode inflamar o debate político nos próximos dias foi a visita do presidente da Argentina Javier Milei a São Paulo neste final de semana. Por menos ocorrências extraordinárias que tenham acontecido, a visita é um prato cheio para comparações — que servirão de combustível para os dois lados durante a campanha eleitoral deste ano.
Com divergências notórias com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Milei não viajou ao Brasil na condição de Chefe de Estado — mas de militante. Recebido com honras pelo governador Tarcísio de Freitas no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, participou em seguida da convenção do PL, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República, na Arena Pacaembu.
Dias antes, Milei teve negado pelo STF o pedido para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em regime domiciliar em Brasília. Argumentos jurídicos à parte, é evidente que resposta negativa ao pedido era a hipótese mais provável — e que Milei e seus correligionários brasileiros só insistiram nessa ideia para tirar proveito eleitoral do “não” que certamente receberiam como resposta.
CORRUPÇÃO DA GROSSA — É óbvio que a recusa foi explorada por Milei no discurso longo, previsível e recheado de críticas à esquerda diante de convencionais do PL. O apoio a Flávio é uma espécie de troco de Milei a Lula. Em 2023, de volta ao Palácio do Planalto, o presidente apoiou abertamente a candidatura do peronista Sergio Massa, derrotado por Milei nas eleições argentinas de novembro. Desde então, os dois não perdem uma oportunidade de medir forças e provocar um ao outro. No ano passado, Lula esteve em Buenos Aires para um encontro do Mercosul e não solicitou reunião bilateral com o argentino.
Na ocasião, pediu e recebeu da Justiça autorização para visitar a ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre pena em regime domiciliar. Ela foi condenada por desvio de dinheiro público em mais de 50 licitações de obras rodoviárias — ou seja, por corrupção da grossa.
Nenhuma autoridade em Brasília comentou a viagem de Milei nem tentou impedi-la. Isso é prudente. Afinal, qualquer passo em falso pode se voltar contra o governo e em política, assim como no futebol, vale o princípio exposto no título deste texto: apelou, perdeu! É evidente, porém, que a visita não agradou ao governo. E que, certamente, haverá resposta caso o Planalto tenha se sentido incomodado por algumas das críticas de Milei ao “socialismo do Século 21” proposto pela esquerda.
A realidade, porém, é que as desavenças, no ponto em que chegaram, dificultam a solução favorável de problemas que afetam os dois países. A Argentina luta para sair a crise econômica crônica para a qual foi empurrada por anos de irresponsabilidade peronista.
A realidade, porém, é que as desavenças, no ponto em que chegaram, dificultam a solução favorável de problemas que afetam os dois países. A Argentina luta para sair a crise econômica crônica para a qual foi empurrada por anos de irresponsabilidade peronista.
Buscar uma proximidade efetiva com o Brasil, mesmo conhecendo as afinidades do atual governo com os políticos que deixaram a Argentina em estado de petição de miséria, poderia ajudar o país a superar as atuais dificuldades. O Brasil, por sua vez, ganharia muito caso uma proximidade com Milei o ajudasse a aplainar as divergências com os Estados Unidos.
Pode parecer ingênuo propor esse caminho num momento que os dois vizinhos estão cada vez mais afastados. Se as rusgas não tivessem chegado ao ponto em que chegaram, talvez fosse possível que governos com orientações diferentes trabalhassem na busca da solução dos problemas comuns. No ponto em que a situação evolui, no entanto, será necessário esperar que os astros políticos se alinhem para que Brasil e Argentina venham um dia a caminhar juntos.
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