São Gonçalo: Em um campo historicamente marcado pelo masculino como norma, assumir-se como Coletiva é também um gesto de afirmação, visibilidade e reposicionamentoDivulgação
Publicado 28/01/2026 15:44 | Atualizado 28/01/2026 15:46
São Gonçalo - A Coletiva Escritoras Vivas celebra, nesta sexta-feira, 30 de janeiro, seus cinco anos de atuação com um encontro aberto ao público, a partir das 18h, na Cafeteria Vírgula. Mais do que uma comemoração, o evento marca a consolidação de um projeto que, desde 2021, vem fortalecendo a autoria feminina por meio da escrita, da formação literária e da publicação independente.
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Fundada por Yonara Costa, Cyntia Fonseca e Suzane Veiga, a Coletiva Escritoras Vivas nasceu do desejo de criar um espaço de acolhimento, troca e crescimento para mulheres escritoras. Ao longo desses cinco anos, o grupo promoveu oficinas gratuitas, encontros literários, ações culturais e publicações coletivas, entre elas as coletâneas Escritoras Vivas 2 e Escritoras Vivas Mulher Gonçalense tem Voz e que impactaram dezenas de autoras, ampliando o acesso à escrita como ferramenta de expressão, autonomia e pertencimento.
Da experiência da Coletiva surgiu também a Editora Mapa das Letras, que compartilha do mesmo propósito: fomentar a literatura de autoria feminina de ponta a ponta, acompanhando escritoras desde a formação até a publicação de seus livros. Com 17 títulos publicados, a editora vem se consolidando como um selo atento à diversidade de vozes, narrativas e territórios, reafirmando o compromisso com uma literatura plural e comprometida com seu tempo.
O evento comemorativo iniciará com roda de conversa sobre Como educar crianças feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie, livro escolhido de janeiro para o grupo de leitura Escritoras Vivas; depois haverá sarau com microfone aberto, apresentação musical e a confraternização que reunirá autoras, leitoras e parceiras para um brinde à trajetória da coletiva.

Por que Coletiva?

O uso do termo Coletiva não é apenas uma escolha gramatical, mas política e simbólica. Sugerido pela Escritora Viva Tábata Lugão, o termo afirma o feminino como centro, reconhecendo que o projeto nasce, se constrói e se fortalece a partir das experiências, vozes e narrativas de mulheres. Em um campo historicamente marcado pelo masculino como norma, assumir-se como Coletiva é também um gesto de afirmação, visibilidade e reposicionamento.
Como tudo começou

A história da Coletiva Escritoras Vivas começa no final de 2020, em plena pandemia, quando Yonara Costa, à frente do projeto Escritores Vivos em São Gonçalo, convidou a jornalista Cyntia Fonseca e a professora e escritora Suzane Veiga para elaborar um projeto voltado ao fomento da autoria feminina. A iniciativa foi contemplada pela Lei Aldir Blanc, do governo federal, viabilizando a realização de oficinas gratuitas de escrita criativa — conto, poesia e escrita jornalística — para 30 mulheres, no Bistrô d’Avó, espaço gastronômico-cultural de referência na cidade. Diante da grande carência de ações culturais voltadas à formação literária, especialmente para mulheres, o projeto ganhou continuidade e expansão com recursos da Política Nacional Aldir Blanc e da Lei Paulo Gustavo.
Todas as oficinas resultaram em publicações, como Escritoras Vivas: coletivo de autoras gonçalenses (Apologia Brasil), Escritoras Vivas: coletivo de autoras gonçalenses 2 e Escritoras Vivas: Mulher Gonçalense tem Voz (Mapa das Letras, 2025), além da coleção de poesia Escritoras Vivas. A atuação do coletivo se desdobra ainda no blog Mapa das Letras e no Grupo de Leitura Escritoras Vivas, que promove encontros mensais na Cafeteria Vírgula para debater obras escritas por mulheres de diferentes países e culturas.

Serviço

Evento: 5 anos da Coletiva Escritoras Vivas

Data: Sexta-feira, 30 de janeiro

Horário: A partir das 18h

Local: Cafeteria Vírgula

Endereço: Rua Carlos Gianelli, 235, Centro, São Gonçalo (Próximo à Perfumaria Kennedy).

Entrada: Gratuita
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