Publicado 03/03/2026 16:58
São Gonçalo - Os acidentes envolvendo motos voltaram a lotar os leitos do Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), em São Gonçalo, no mês de fevereiro. O setor de Gestão de Qualidade registrou 410 atendimentos, vindo de diversos municípios do Estado, no setor de emergência e no centro de trauma. O número é quase 60% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando foram atendidos 265 pacientes.
PublicidadeA maioria dos pacientes teve algum tipo de fratura grave, passou por cirurgia de emergência ou aguarda por um procedimento internado em um dos 249 leitos do HEAT ou em casa. A maioria, ainda, é paciente jovem, com idade entre 14 e 20 anos, do sexo masculino e com outros registros de acidentes com moto. Oito pacientes tiveram membros superiores ou inferiores amputados, enquanto outros não resistiram e evoluíram a óbito.
O alto índice de acidentes com moto, além de lotar as emergências e as enfermarias, também impacta diretamente no banco de sangue do hospital, quantidade de insumos e material e em procedimentos agendados, como cirurgias e até captação de órgãos, por exemplo.
"Temos que frear estes números. São acidentes que podem ser evitados. Diariamente homens, mulheres, jovens, idosos e crianças entram nas emergências com diversas contusões, lesões ou ferimentos em várias partes do corpo, que demandam cuidados especializados, além de exames de imagens e intervenções cirúrgicas. Muitos saem bem, outros com graves sequelas, mas alguns não sobrevivem", explica o médico Marcelo Pessoa, coordenador do Centro de Trauma do Hospital Alberto Torres.
Paralelamente, o ortopedista Carlos Neves, coordenador do serviço de ortopedia do HEAT, garante que os acidentes sobrecarregam a unidade e adiam cirurgias agendadas. “São traumas cada vez mais desafiadores. São politraumatizados e polifraturados em que há necessidade de implantes especiais de alto custo, medicações de alto custo, mais tempo de terapia intensiva e tempo estendido de internação hospitalar, ocupando leitos. Depois dessa assistência, a vítima ainda tem um longo percurso em reabilitação porque o paciente não sai apto para voltar às atividades sociais e laborativas. Ele continua gerando um alto custo para o Estado”, concluiu o médico.
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