O complexo portuário do Açu se firma como alternativa de escoamento para a produção regional Foto Divulgação
Publicado 01/04/2025 17:34 | Atualizado 01/04/2025 17:43
São João da Barra – O norte do estado do Rio de Janeiro é a única região do Brasil com áreas produtivas de soja localizadas a menos de 60 a 150 quilômetros de um porto de exportação. A referência é o Complexo Portuário do Açu, entre São João da Barra e Campos dos Goytacazes, que está contribuindo para que o Rio de Janeiro se destaque no mapa do agronegócio brasileiro.
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Com Campos contribuindo através de 1.800, a região estará exportando 3.000 toneladas de soja para a Rússia, toda carga exportada por meio do Porto do Açu que, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) se firma como alternativa de escoamento para a produção regional.
“Todo o volume segue armazenado no Açu até que atinja o número necessário para o carregamento do navio com destino à Rússia, previsto para meados de abril”, explica Gustavo Amaral, Gerente Geral do Terminal Multicargas do porto assinalando que com o restante da soja, que virá do noroeste de Minas Gerais, esta será a sexta embarcação do produto exportada aos russos pelo Açu.
“Juntas, as seis operações totalizarão 177 mil toneladas de soja exportadas”, realça Amaral enfatizando: “O Porto do Açu colocou o Rio de Janeiro no mapa do agronegócio brasileiro em 2020, com a exportação de fertilizantes. Hoje, já temos no portfólio a movimentação de soja, milho e café”.
O gerente acentua que no último ano, já foram 300 toneladas de soja do norte fluminense exportadas pelo Açu: “Neste próximo navio, esse volume será dez vezes maior, o que nos reforça como viabilizador do escoamento das produções regionais. Estamos muito otimistas com as próximas movimentações”. Segundo a Embrapa, na região há cerca de 300 mil hectares de terras agricultáveis com alta aptidão para a soja.
INVESTIMENTOS - O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Campos, Ronaldo Bartolomeu, avalia que a soja é uma grande oportunidade para o agronegócio regional: “Nós estamos no quintal do Porto do Açu, o que nos coloca em vantagem em relação aos grandes centros produtores. Em termos de produtividade, não perdemos em nada para outras regiões do país”.
O sindicalista destaca que a região tem investido em equipamentos de ponta, preparo de solo, em planejamento e projeção de plantio e colheita, para otimizar custos: “Temos ainda, neste caso, o frete mais barato para podermos exportar para qualquer lugar do mundo. Hoje, ainda somos uma gota d’água no oceano, mas o agronegócio nos oferece um leque de oportunidades, com o Açu aqui ao lado”.
A movimentação de soja do Porto do Açu tem acontecido em parceria com a Aliança Agrícola. Trata-se de uma companhia agroindustrial com forte presença global e cujo diretor comercial e Logística, Felipe Falleiros, aponta o norte fluminense como região com potencial para se tornar uma nova fronteira agrícola no Brasil.
CUSTO-BENEFÍCIO - “A Aliança Agrícola acredita nesse potencial regional e quer caminhar junto com os agricultores locais, ajudando a transformar a soja do Norte Fluminense em protagonista do agronegócio brasileiro”, anuncia Falleiros concluindo: “O acesso direto ao Porto do Açu reduz custos, aumenta a competitividade do produtor e atrai investimentos. Nosso compromisso é garantir rota, estrutura e previsibilidade para que essa vocação da terra se torne realidade”.
Gustavo Amaral resume que só em 2024, o Porto do Açu movimentou 231 mil toneladas de cargas do agronegócio, 25% a mais em comparação ao ano anterior. “A expectativa é de que esse número aumente com a expansão do Terminal Multicargas (T-Mult): ainda em 2025, a área de cais operacional do T-Mult contará com 500 metros, com calado de 13,1 metros, e um segundo berço para operar dois navios simultaneamente”.
De acordo ainda com o gerente geral do terminal, considerando também a expansão da área de armazenagem, a capacidade de movimentação do terminal chegará a cinco milhões de toneladas ao ano: “Com movimentação crescente, o T-Mult se consolida como um player estratégico na logística de diversas cadeias produtivas, totalizando 22 produtos e 59 clientes no portfólio do terminal”.
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