Durante encontro com Rodrigo Mascarenhas, Carla Caputi buscou estreitar laços com o governo do estado. Foto Divulgação
Publicado 02/06/2026 16:38
São João da Barra – Mesmo em ruínas, a paisagem lúdica de Atafona atrai turistas e curiosos, mantendo o encontro do Rio Paraíba do Sul com o mar como um dos pontos mais expressivos no mapa turístico do Norte Fluminense. No entanto, o fenômeno da erosão costeira não traz ganhos sociais ou econômicos. Pelo contrário: é devastador. O avanço do mar já tomou cerca de cinco quarteirões e arrastou mais de 500 imóveis na praia.
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Moradores mais antigos de São João da Barra consideram o local - constantemente arejado pelo vento nordeste, orlado por areia monazítica e com forte concentração de iodo - como um dos melhores climas medicinais do país. Porém, a preocupação com a erosão, que agora atinge severamente também a praia do Açu, é unânime entre todas as faixas etárias.
Historicamente, Atafona é a área mais impactada, sofrendo com o avanço do mar há cerca de cinco décadas e afetando diretamente centenas de famílias. Embora o fenômeno seja mais recente no Açu - região de forte expansão econômica impulsionada pelo complexo portuário homônimo -, a apreensão é igualmente grande, com destruição de ruas litorâneas e comprometimento estrutural progressivo de casas.
AÇÕES DA PREFEITURA - Paralelamente aos impactos, o governo municipal tem relocados famílias para o programa Aluguel Social e buscado alternativas de contenção. Um dos passos dados efetivamente pela prefeita Carla Caputi foi licitar a elaboração de um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA). A empresa vencedora foi a catarinense Caruso Jr. Estudos Ambientais & Engenharia Ltda.
O investimento, inicialmente estimado entre R$ 6,4 milhões e R$ 7 milhões, foi fechado por R$ 5.602.413,08. A empresa terá 18 meses para avaliar o cenário, definir soluções definitivas e apresentar um levantamento técnico detalhado para subsidiar intervenções futuras na região.
Compreender a dinâmica das áreas degradadas exige um diagnóstico científico que levante dados precisos sobre o avanço do mar. O processo envolve, ainda, a segurança jurídica necessária para obter licenças ambientais em órgãos estaduais e federais. Esse estudo é o pilar fundamental para que o município consiga buscar recursos e apoio governamental para a execução das obras. Nesse sentido, a prefeita Carla Caputi tem buscado estreitar laços com o governo do estado.
BUSCA POR APOIO - No último dia 20, ela se reuniu com o secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS), Rodrigo Mascarenhas, para tratar das ações emergenciais de contenção em Atafona e no Açu. Caputi também assinou a adesão de São João da Barra ao programa Olho no Verde, uma iniciativa da SEAS e do INEA que utiliza monitoramento por satélite e inteligência artificial para o combate ao desmatamento ilegal e queimadas.
Durante o encontro, a prefeita cobrou atualizações sobre uma obra emergencial no Açu, destacando os avanços da cooperação técnica firmada com o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias. Segundo Caputi, é vital manter o diálogo institucional para definir ações coordenadas e garantir a captação de recursos junto ao Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam).
Ainda não há um laudo oficial e definitivo sobre todas as causas do fenômeno, embora as especulações sejam muitas. Há a confirmação de que o mar avança de três a cinco metros por ano, o que já deixou centenas de famílias desabrigadas. Caberá, justamente, ao estudo da Caruso Jr. individualizar o que é provocado pelas correntes marítimas naturais e o que é potencial impacto das grandes obras de engenharia da zona portuária.
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