Publicado 21/07/2025 17:11
São Pedro da Aldeia - Após 40 horas de sessão no Fórum de São Pedro da Aldeia, o Tribunal do Júri decidiu, por unanimidade, absolver os três policiais militares acusados da morte de Carlos Augusto Gomes, conhecido como “Mineiro”, integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O julgamento, considerado o mais longo da história da comarca, encerra um processo que se arrastava desde 2020 e ganhou projeção nacional por envolver disputa agrária, ação armada e acusações de execução.
PublicidadeA morte de Mineiro ocorreu em julho de 2020, durante um confronto armado no Acampamento Emiliano Zapata, localizado em parte da Fazenda Negreiros, área de disputa entre posseiros e o proprietário do terreno. Segundo a Polícia Civil, o crime teria sido motivado por um conflito fundiário iniciado cerca de 15 anos antes, quando parte da fazenda foi desapropriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e ocupada por famílias assentadas.
Na ocasião, o proprietário das terras, Matheus Canellas Ramos, foi ao local acompanhado dos policiais militares Renato da Silva Bráz e Ênio Alves Leão, todos fora de serviço. A investigação apontou que os três participaram de um ataque ao acampamento, no qual uma casa foi incendiada e Mineiro foi alvejado por quatro disparos de arma de fogo. O Ministério Público sustentava que o crime foi uma execução motivada por retaliação à ocupação da área.
Durante o julgamento, porém, a defesa dos PMs sustentou a tese de legítima defesa e apontou fragilidades na denúncia. Um dos policiais passou 40 dias em coma após o episódio. A estratégia dos advogados incluiu ainda a menção a um terceiro homem, identificado apenas como “Tião”, que teria papel direto no confronto e nunca foi formalmente investigado. A ausência de provas técnicas conclusivas e contradições nos depoimentos das testemunhas levaram o júri à absolvição dos militares.
Inicialmente, os três acusados chegaram a ser presos temporariamente. O fazendeiro foi detido em seu apartamento, onde foram encontradas armas de fogo, munições, capuz, colete e um adesivo com o distintivo da Polícia Federal. Já os PMs foram presos no Hospital Estadual Roberto Chabo (HERC), em Araruama, feridos após o confronto. Ao longo da tramitação do processo, todos acabaram sendo libertados por decisões judiciais.
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