Remoção da ciclofaixa gera críticas em TeresópolisDIvulgação
Publicado 07/07/2026 21:13
A retirada da ciclofaixa em um dos lados da principal via de Teresópolis, a Reta, durante as obras de recapeamento das avenidas Lúcio Meira e Feliciano Sodré, gerou insatisfação entre ciclistas, corredores e moradores de Teresópolis. A mudança, feita para ampliar o número de faixas no sentido Centro-Alto, criando uma faixa exclusiva para ônibus, passou a ser alvo de críticas nas redes sociais e deu origem a um abaixo-assinado que já reúne mais de 680 assinaturas pedindo a revisão da medida.

Um dos principais questionamentos dos usuários diz respeito à forma como a alteração foi implementada. A sinalização foi removida antes da conclusão da nova estrutura anunciada pela Prefeitura, sem comunicação prévia à população e sem a apresentação de alternativas de circulação para quem utiliza a bicicleta diariamente.
No documento, os organizadores da mobilização criticam a secretaria municipal de Segurança Pública pela medida. O texto afirma que Teresópolis não possui um Plano de Mobilidade Urbana aprovado, apesar da previsão da Lei Federal nº 12.587/2012, que estabelece diretrizes para a política de mobilidade e determina a elaboração do plano pelos municípios enquadrados na legislação. No texto, os organizadores também alegam que o estudo que embasa a mudança teria sido elaborado sem participação de ciclistas, corredores e moradores diretamente afetados pela intervenção.

Outro ponto levantado na discussão é a situação do Plano Diretor do município: a legislação urbanística de Teresópolis está desatualizada e não passou pela revisão periódica prevista no Estatuto da Cidade, o que reforça a necessidade de um debate público antes da adoção de mudanças com impacto na mobilidade urbana.

A Prefeitura informou que a intervenção faz parte de um projeto técnico de readequação viária. De acordo com a administração municipal, a ciclofaixa não será extinta, mas um trecho será concentrado em apenas um lado da avenida, em formato bidirecional, com maior largura, nova sinalização e dispositivos de segregação. O objetivo, segundo o governo, é melhorar a fluidez do trânsito e priorizar o transporte coletivo. Mas os usuários temem pela segurança dessa alternativa apresentada.
"Essa faixa bidirecional precisa ter no mínimo 3 metros para segurança dos ciclistas ou quem faz caminhada ou corridas, o mais seguro é continuar como estava 1 metro e meio ou 2 metros para cada via respeitando o sentido da via", opinou Selma Carvalho.
Nas redes sociais, Paulo Issa comentou: "Erraram feio. As pessoas vão correr de costas para os carros e para as bicicletas. Muitos acidentes por vir, infelizmente".
Mas há quem defenda a medida. Ticiano Melo é a favor que se retirem as ciclofaixas: "Tinha que sumir com isso de vez. O trânsito desafogo bastante", opinou.

Mesmo com a justificativa oficial, a repercussão negativa continua. Para os usuários que contestam a medida, a principal crítica não se limita ao novo traçado da ciclofaixa, mas à ausência de diálogo com a população antes da execução das mudanças. O grupo responsável pelo abaixo-assinado reivindica a suspensão da intervenção até que o projeto seja amplamente apresentado e discutido com a sociedade. 
"Teresópolis não pode continuar sendo decidida por poucos, para poucos", diz o manifesto.
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