Hélio Luiz (à esquerda) é filiado ao Solidariedade e integra a atual gestão municipal ao lado do prefeito Rildo Neves (PL)Reprodução redes sociais
Publicado 01/06/2026 09:50
O atual vice-prefeito de Trajano de Moraes, Hélio Luiz Fazoli de Moraes (Solidariedade), é acusado de envolvimento em um suposto esquema milionário de estelionato e falsidade ideológica que teria causado prejuízo de quase R$ 5 milhões aos cofres públicos por meio do recebimento indevido de pensão previdenciária.
Publicidade
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), apresentada no programa Fantástico deste domingo (31), Hélio teria forjado uma união estável com a ex-procuradora do Estado Ângela Marília de Moraes Peçanha, aposentada após mais de 30 anos de serviço público. Segundo as investigações, os dois mantinham, na realidade, uma relação de parentesco próxima, já que o político havia sido casado com uma sobrinha da ex-procuradora.
A denúncia aponta que a escritura de união estável foi formalizada em 2014, quando Ângela tinha 83 anos. Para o Ministério Público, a relação nunca existiu de fato e teria sido criada exclusivamente para garantir o recebimento da pensão após a morte da ex-servidora, ocorrida em 2017. No mesmo dia em que a união foi registrada em cartório, Hélio também recebeu uma procuração que lhe concedia amplos poderes para administrar contas e movimentar recursos financeiros da procuradora.
As investigações indicam que não há registros fotográficos, relatos de convivência pública ou outros elementos que comprovem um relacionamento afetivo entre os dois. Familiares da ex-procuradora afirmaram que jamais tiveram conhecimento de qualquer vínculo amoroso e sustentam que Hélio era tratado apenas como integrante da família em razão do casamento anterior com uma sobrinha de Ângela.
Após a morte da ex-procuradora, Hélio solicitou o pagamento de pensão por morte. O pedido chegou a ser negado pelo INSS, mas posteriormente foi aprovado pelo Rioprevidência. Segundo o Ministério Público, os pagamentos realizados ao longo de quase uma década teriam gerado prejuízo próximo de R$ 5 milhões.
A apuração também identificou transferências de parte dos valores recebidos para Adriana Canes Peçanha, ex-esposa de Hélio e sobrinha da ex-procuradora. Para os promotores, as movimentações financeiras reforçam as suspeitas sobre a destinação dos recursos oriundos do benefício.
Com o avanço das investigações, a Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio dos bens dos acusados, incluindo contas bancárias, imóveis, veículos, aplicações financeiras e até ativos em criptomoedas. Também foi determinada a suspensão imediata da pensão.
Ao ser interpelado pela reportagem exibida pela TV Globo, o vice-prefeito negou as acusações. Hélio Luiz e Adriana Canes Peçanha foram denunciados pelo MPRJ pelos crimes de estelionato qualificado contra a administração pública e falsidade ideológica.
Leia mais

Você pode gostar

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.

Publicidade

Últimas notícias