Publicado 14/04/2025 16:03
Volta Redonda - O Hospital São João Batista (HSJB) atendeu na última sexta-feira (11) a mais um paciente através do projeto Coluna Reta, iniciativa implementada pela Prefeitura de Volta Redonda que visa prevenir e tratar casos de escoliose idiopática pelo SUS (Sistema Único e Saúde). Um adolescente de 15 anos recebeu tratamento cirúrgico para correção da escoliose, procedimento realizado pelo ortopedista especialista em coluna Juliano Coelho, responsável pelo projeto.
PublicidadeO Coluna Reta promove triagens mensais nas escolas do município com o objetivo de identificar precocemente a condição, evitando que os casos avancem para estágios que exijam intervenção cirúrgica.
Além das escolas, o projeto também oferece atendimentos às sextas-feiras pela manhã no Estádio Raulino de Oliveira. Quando é detectado um quadro inicial de escoliose, o estudante é encaminhado para realização de raios X e acompanhamento contínuo. O tratamento pode incluir sessões de fisioterapia e, em casos mais avançados, o uso de colete ortopédico – medidas que buscam evitar a necessidade de cirurgia.
“Buscamos, sempre que possível, o diagnóstico precoce. Quando não é possível, a realização da cirurgia permite ao paciente ter uma melhor qualidade de vida”, ponderou o ortopedista Juliano Coelho.
Mutirão de cirurgias
O São João Batista também prosseguiu na sexta-feira e sábado (12) com o mutirão de cirurgias. Dos 13 procedimentos realizados, cinco foram com o médico-ortopedista Rafael Coelho, em pacientes com idades entre 43 e 62 anos. Foram realizadas três osteossínteses de fratura de tornozelo direito e uma de tornozelo esquerdo, além de uma tenorrafia do tendão de Aquiles.
Esta última é uma cirurgia realizada para reparar rupturas totais ou parciais desse tendão, que liga os músculos da panturrilha ao calcanhar e é essencial para caminhar, correr e saltar. É indicada principalmente em rupturas completas ou quando o tratamento conservador, como imobilização e fisioterapia, não é eficaz. O pós-operatório envolve imobilização com bota ortopédica ou gesso, seguida de fisioterapia para recuperar movimento e força, além de prevenir aderências. A volta às atividades pode levar de quatro a seis meses, conforme a técnica e a resposta do paciente.
Oftalmologia
Também foram realizados oito procedimentos oftalmológicos, sob responsabilidade da doutora Talissa de Souza. Quatro cirurgias, em pacientes entre 4 e 47 anos, foram de dacriocistorrinostomia (DCR), indicada para tratar a obstrução do canal lacrimal, que impede a drenagem adequada das lágrimas para o nariz, causando lacrimejamento excessivo (epífora) e possíveis infecções no saco lacrimal (dacriocistite). As causas incluem inflamações crônicas, traumas, infecções ou alterações congênitas.
O objetivo da cirurgia é criar um novo canal de drenagem entre o saco lacrimal e a cavidade nasal, contornando a obstrução e permitindo o fluxo normal das lágrimas. A recuperação costuma ser rápida, com melhora dos sintomas em poucas semanas e alta taxa de sucesso do procedimento.
Outros três pacientes, entre 28 e 73 anos, passaram por exérese de calázio, que visa remover um nódulo que se forma na pálpebra devido à obstrução de uma glândula meibomiana, responsável pela camada oleosa da lágrima. Trata-se de uma inflamação crônica e indolor, mas que pode persistir por semanas ou meses, causando desconforto estético e, às vezes, afetando a visão ao pressionar o globo ocular.
O procedimento é feito com anestesia local na pálpebra afetada, e a recuperação costuma ser rápida, com melhora em poucos dias. Em casos recorrentes ou em locais incomuns, o médico pode investigar outras condições, como blefarite crônica ou alterações na produção de gordura.
Por último, uma paciente de 63 anos foi submetida a simblefaroplastia, indicada para corrigir a adesão anormal entre as pálpebras e o globo ocular, chamada simbléfaro. Essa condição pode ser causada por traumas (como queimaduras), cirurgias, infecções graves (como tracoma) ou doenças autoimunes (como penfigoide cicatricial). O procedimento libera as aderências e reconstrói a superfície ocular e palpebral, frequentemente com enxertos de mucosa ou membranas amnióticas para evitar nova aderência.
O pós-operatório exige cuidados como uso de lentes terapêuticas, pomadas cicatrizantes e, às vezes, dispositivos para prevenir nova aderência. A recuperação depende da gravidade, e o acompanhamento costuma ser prolongado.
Mutirões aos fins de semana e feriados
Os mutirões realizados nos finais de semana e feriados pelo Hospital São João Batista têm sido decisivos para ampliar a capacidade de atendimento cirúrgico da unidade. Essa estratégia permite não apenas cumprir a programação semanal de cirurgias eletivas, mas também assegurar vagas para os procedimentos de emergência, o que é essencial para um hospital de pronto atendimento como o HSJB.
“A população tem visto o resultado dos esforços de nossas equipes médicas: todos os meses, o São João Batista vem superando seus próprios recordes de cirurgias, melhorando o acesso à saúde para a comunidade. É uma solução eficiente para reduzir as filas de espera, beneficiando a população que depende do serviço”, destacou o prefeito Antonio Francisco Neto.
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