Iniciativa fortalece o tratamento conservador da escoliose e aumenta as chances de evitar cirurgiasFoto: Cleber Silva/Smas
Publicado 03/07/2026 15:23
Volta Redonda - A Prefeitura de Volta Redonda, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas), deu mais um importante passo no fortalecimento do projeto "Coluna Reta". O programa, referência no diagnóstico precoce e tratamento da escoliose pelo Sistema Único de Saúde (SUS), passou a disponibilizar gratuitamente coletes ortopédicos aos pacientes que possuem indicação clínica para esse tipo de tratamento, ampliando as possibilidades de recuperação e reduzindo os casos que evoluem para cirurgia.
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Segundo ortopedista especialista em coluna Juliano Coelho, idealizador do projeto, o fornecimento dos coletes representa um avanço importante dentro da proposta do programa.
"A essência do ‘Coluna Reta’ sempre foi a prevenção. Quando conseguimos fazer o diagnóstico precoce, aumentamos muito as possibilidades de tratar a escoliose sem cirurgia. O tratamento indicado no mundo inteiro associa fisioterapia especializada ao uso do colete ortopédico. Hoje contamos com modelos modernos, muito mais confortáveis e discretos, que controlam a evolução da curva durante a fase de crescimento. Esses 171 pacientes que estão em fisioterapia demonstram a importância do programa. Sem esse acompanhamento, seguramente muitos deles já teriam evoluído para casos graves e precisariam de cirurgia."
Implantado em junho de 2021, o "Coluna Reta" foi implantado pela Prefeitura de Volta Redonda durante a gestão do então secretário municipal de Assistência Social e atual deputado estadual, Munir Neto. As primeiras ações do programa aconteceram nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), onde eram realizadas palestras de conscientização e orientação às famílias sobre a importância do diagnóstico precoce da escoliose.
O deputado estadual Munir Neto destacou que o projeto nasceu em Volta Redonda e hoje inspira políticas públicas em todo o estado.
"Quando implantamos o Coluna Reta em Volta Redonda, junto com o doutor Juliano, tínhamos a convicção de que estávamos construindo uma política pública capaz de mudar a vida de muitas famílias. As primeiras palestras aconteceram nos Cras, porque era ali que conseguíamos levar informação e conscientização para a população. O sucesso do programa fez com que eu apresentasse na Alerj o projeto que deu origem à Lei Estadual nº 10.009/2023, já aprovada e sancionada pelo governador. Hoje o Coluna Reta é uma lei estadual. Agora aguardamos apenas a regulamentação pela Secretaria de Estado de Saúde para que essa iniciativa seja implantada em todo o Rio de Janeiro."
Mais de 12 mil crianças e adolescentes
O programa nasceu com o objetivo de prevenir, diagnosticar e tratar a escoliose idiopática em crianças e adolescentes. Hoje é considerado uma referência, integrando consultas, exames, fisioterapia especializada, cirurgias e, agora, também o fornecimento gratuito de coletes ortopédicos.
Desde sua criação, mais de 12 mil crianças e adolescentes passaram pela triagem e avaliação especializada. Entre 2021 e 2026, foram realizados 11.506 atendimentos de fisioterapia, 171 pacientes seguem em acompanhamento fisioterapêutico especializado e 97 cirurgias corretivas foram realizadas pelo SUS no Hospital São João Batista (HSJB).
A subsecretária municipal de Assistência Social, Larissa Garcez, ressaltou que o programa demonstra a força da integração entre as políticas públicas.
"O ‘Coluna Reta’ nasceu dentro da Assistência Social com o propósito de cuidar das pessoas e garantir acesso ao diagnóstico precoce. A participação dos Cras foi fundamental para aproximar as famílias do programa e ampliar o alcance das ações. Agora, com a entrega dos coletes ortopédicos, damos mais um passo importante, oferecendo um tratamento ainda mais completo, gratuito e humanizado para as crianças e adolescentes de Volta Redonda."
Além da disponibilização dos coletes, o programa mantém atendimento gratuito na Policlínica da Cidadania, oferecendo consultas, exames, fisioterapia especializada e acompanhamento contínuo dos pacientes.
Famílias comemoram chegada dos coletes
Entre os primeiros beneficiados com os novos coletes está Otávio, de 9 anos. A mãe dele, Viviane da Silveira Chuva, conta que o filho, que é autista não verbal, tem diabetes tipo 1 e uma alteração genética. Durante os acompanhamentos médicos, a família percebeu alterações na coluna e foi encaminhada ao “Coluna Reta”.
"O diagnóstico precoce foi extremamente importante e, desde a última quarta-feira, ele já está usando o colete. Para nossa alegria, ele está se adaptando muito bem. Nosso maior desejo é que ele não precise passar por cirurgia. Se conseguirmos estabilizar a escoliose, já será uma grande vitória", comemorou.
Ela também destacou que o custo do equipamento tornaria o tratamento inviável sem o programa. "Sem esse projeto seria muito mais difícil. O colete é muito caro e nós não teríamos condições de comprar. Além disso, meu filho já faz fisioterapia aqui e, por ser autista não verbal, tudo é mais desafiador. Eu realmente não sei como conseguiríamos fazer esse tratamento sem o ‘Coluna Reta’”, destacou.
Outra beneficiada é Maria Júlia, de 12 anos. A mãe, Geisa Gonçalves, moradora do bairro Santo Inês, conta que a filha iniciou o uso do colete nesta semana.
"Ela está se adaptando muito bem. No começo é uma novidade, mas está aceitando o tratamento. O fornecimento gratuito do equipamento fez toda a diferença para a família. Um colete como esse custa entre R$ 4 mil e R$ 8 mil. Eu não teria condições de pagar esse valor. Se não fosse esse programa da Prefeitura, esse tratamento simplesmente não aconteceria. O ‘Coluna Reta’ é muito importante, porque não oferece apenas o colete, mas todo o acompanhamento necessário. Isso faz toda a diferença para as famílias", concluiu.
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