Por tabata.uchoa
Thiago Fragoso diz que Niko vai lutar pela guarda de Fabrício em 'Amor à Vida'Maíra Coelho / Agência O Dia

Rio - Thiago Fragoso estava sob os olhares atentos do filho Benjamin, de 2 anos, durante a sessão de fotos que fez para a revista JÁ É! Domingo, em seu condomínio, na Barra da Tijuca. Entre uma pose e outra, o ator era dirigido pelo pequeno que, cheio de atitude, ordenava: “Papai, desce daí”, “Tira a calça!”, “Olha pra mim”. Carinhosamente, Thiago explicava que estava trabalhando e, assim, ia conquistando a obediência de Benjamin, fruto de seu casamento com a atriz Mariana Vaz, 34 anos. Era nítida a cumplicidade entre pai e filho.

“Benjamin é mandão pra caramba. Ele diz: ‘Levanta! Senta aqui!’. Se deixar, ele quer que sente no lugar que ele quer, que faça o que ele está mandando. Quando está com sono então nem se fala. Mas isso faz parte da personalidade dele. Na escola, ele é supercriativo, é líder entre os amiguinhos. Eu acho isso o máximo, muito saudável”, conta Thiago, orgulhoso.

Não tão distante da vida real, Thiago, aos 31 anos, também vive um paizão na pele do homossexual Niko, de ‘Amor à Vida’, que vai brigar para ter a guarda da criança após a descoberta da traição do companheiro Eron (Marcello Antony) com sua amiga Amarilys (Danielle Winits). “Houve a fertilização no mesmo período em que Amarilys e Eron tiveram uma relação. O Fabrício pode ser fruto da inseminação ou dessa relação. Pode ser que ele seja filho do Eron ou do Niko. Todas as possibilidades estão abertas. Depois que a Amarilys contar a verdade, vai começar uma série de questões. O bicho vai pegar”, adianta.

A torcida para que Niko fique com a criança surpreende o ator, que não esperava a reação do público a seu favor. “As pessoas compraram a briga dele. Isso mostra o avanço da sociedade em relação ao preconceito. As pessoas identificam a maternidade nele, essa coisa amorosa, o sonho de ter um filho, uma família. O público enxerga que o bebê é do casal Eron e Niko e vê a Amarilys como uma mulher que entrou de intrusa na história”.

Nada é mais gratificante para Niko que participar da criação do filho diretamente. Thiago admite que não acha as atitudes de seu personagem excessivas e revela que também é um pai muito participativo.

Thiago Fragoso posa com a mulher e o filhoAg. News

“Eu, como pai, sempre fui extremamente presente. Na época em que meu filho nasceu, eu estava fazendo ‘Araguaia’ e gravava muito. Mesmo assim, chegava em casa, dava banho no Benjamin, colocava ele para mamar com a mãe e depois dormia com ele. Eu trocava fralda, cortava unha, carregava ele de um lado pro outro para a Mariana poder descansar. O Niko quer estar presente também, quer dar amor, carinho, e isso só é recomendável. Não tem nada de exagero”, argumenta Thiago, que pensa em ter mais filhos no futuro.

O peso de viver um homossexual na ficção não é mais nem menos complexo que seus papéis anteriores, afirma Thiago. Nas ruas, Niko é um sucesso. Mas o ator revela que, no início da novela, teve que enfrentar o conservadorismo de seu avô, Stênio.

“Meu avô é superconservador. Minha avó é muito liberal e dizia pra ele: ‘Stênio, Niko é gay, mas é uma pessoa ótima, ele quer ter o filho dele’. Me lembro que meu avô ficou até meio deprimidinho quando soube do meu papel na trama. Ele pensava: ‘Poxa, vou à feira, onde todo mundo me conhece, e vão olhar para mim e dizer que meu neto está na novela como um gay’. Mas aconteceu o contrário. Todo mundo dá parabéns a ele, as pessoas dizem que estão gostando e torcendo pelo Niko. Agora, meu avô já relaxou. A sociedade tem se mostrado muito menos conservadora do que achei que se mostraria”.

Para não ficar com os trejeitos de seu personagem no dia a dia, Thiago usa algumas estratégias, adquiridas durante anos de terapia. “Na minha carreira, tive algumas grandes descobertas. A primeira foi descobrir a energia necessária para cada cena e a outra foi conseguir me desligar do personagem fora do trabalho com mais eficiência. Faço terapia há muito tempo, cuido de mim para poder chegar em casa e estar como Thiago e não como Niko”, explica.

“Também tenho a preocupação de fazer personagens diferentes, ter versatilidade. Só porque tenho essa carinha de bom moço, cabelo cacheado, me perguntam por que sempre faço mocinho. Mas se for ver mesmo, só faço personagens bizarros. O primeiro mocinho que fiz foi em ‘Lado a Lado’, que era bom, herói, romântico, brigava pela mocinha. Antes disso, fiz um bipolar, um médium maluco que tinha poderes, já fiz um drogado, um fantasma e até psicopata. Minha carreira sempre foi muito sinuosa. Não sou uma celebridade, sou um ator. E as pessoas me reconhecem pelo que eu sou”, pontua ele, que, no ano que vem, vai dar andamento ao livro que está escrevendo e mais atenção à sua carreira musical.

Você pode gostar