Regina Duarte se incomoda ao falar de personagem gay

Atriz diz que seu novo papel na trama das 18h não está condenado a rótulos

Por O Dia

Rio - Regina Duarte vai interpretar a primeira lésbica de sua carreira em ‘Sete Vidas’, nova trama das 18h, de Lícia Manzo, que estreia dia 9 de março, na Globo. Mas quando o assunto na coletiva de imprensa da novela, nesta terça-feira, no Projac, foi a orientação sexual de Esther, sua personagem, a atriz pareceu incomodada e minimizou a discussão sobre o tema. 

Regina Duarte na pele de Esther%2C de ‘Sete Vidas’Ag. News


“Não sei como o público está recebendo isso. Mas acho que falar dessa fase homossexual dela — eu chamaria assim, porque seria estranhíssimo condenar uma pessoa a ser homossexual para sempre, né? Porque você a limita de uma heterossexualidade à qual ela tem direito. De qualquer forma, falar disso é bom, saudável. O fato de que tenha sido divulgado no início das gravações que ela é homossexual provocou um interesse imenso, que me assusta. Fico chocada de perceber o quanto o fato de ela ter vivido um casamento homossexual possa impressionar tanto as pessoas. Como se ela fosse uma marciana. Não é. Ela é uma pessoa que tem qualidades que você poderia enumerar antes de chamá-la de gay. Ninguém chega para descrever alguém dizendo: ‘Conhece fulano, aquele que é gay?’ Não é estranho? Eu jamais descreveria um amigo assim, pela postura sexual dele”, explica.

Para a atriz, Esther é uma mulher livre: “Que assume suas preferências e que não está condenada a um rótulo. Ela está sempre aberta para novas escolhas ao longo da vida. Deve ter visto ‘Malu Mulher’ (série da Globo protagonizada por Regina), no final dos anos 70, e certamente foi contaminada por toda uma onda feminista que correu o mundo. Ela foi viver na Califórnia (EUA), e provavelmente esteve em Woodstock (festival de música, de 1969, nos EUA). É da minha geração”, define.

Na história dirigida por Jayme Monjardim, Esther é viúva de Vivian, e realizou o sonho da maternidade através de inseminação artificial, dando à luz os gêmeos Luis (Thiago Rodrigues) e Laila (Maria Eduarda Carvalho). Regina também ameniza o fato de o preconceito, no caso da personagem, começar em casa, quando a neta, numa cena, parece limpar o rosto após um beijo da avó: “Isso é da idade, dessa geração que foi educada a não esconder seus sentimentos. O filho não toca no assunto, já a filha, de cara, diz que a mãe é gay. Cada um vai interpretar à sua maneira. Essa é a proposta da novela, de colocar esses temas na mesa”, justifica.

Outras duas veteranas, Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg também vão interpretar um casal gay, na próxima novela das 21h, ‘Babilônia’. Para Regina, a questão é coincidência: “Esse é um tema que foi tabu durante muitos anos, assim como a mulher trabalhar fora, como a pílula anticoncepcional... Há um momento em que existe uma necessidade de se falar sobre algumas coisas de que não se falava antes. É uma proposta de reflexão muito importante.”

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