Por daniela.lima

Rio - A primeira semana de ‘Babilônia’, a nova novela das nove da Globo, enfrentou problemas de audiência. Depois de estrear com 33 pontos, a trama escrita por Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga marcou apenas 26 de média na última sexta-feira e caiu para 23 no sábado. Apesar da aprovação de uma parcela do público nas redes sociais, o folhetim vem recebendo críticas dos evangélicos e de grupos mais conservadores, que rejeitaram o beijo gay e consideram que a história destrói valores da família. 

Cena em que Alice conta para Inês que o pai morreuDivulgação


O diretor e produtor de TV Nelson Hoineff, presidente do Instituto de Estudos de Televisão, não acredita que o boicote convocado por evangélicos seja suficiente para derrubar a audiência da trama. Segundo ele, há outras hipóteses a se considerar para o fenômeno, como o sentimento de órfão do público em relação à novela antecessora, ‘Império’, de Aguinaldo Silva, que apresentou um protagonista amado como o Comendador José Alfredo (Alexandre Nero), mesmo ele tendo atitudes de vilão. Some-se a isso a reprise, às 21h15, de ‘Carrossel’, do SBT, que vem marcando surpreendentes 13 pontos. A emissora de Silvio Santos vem alardeando que a trama “valoriza a família brasileira”.

Para Hoineff, é natural que ‘Babilônia’ enfrente uma “ressaca” na primeira semana. “Já vi outras novelas estrearem bem, caírem e depois a audiência voltar a subir. Assim como outras que começam mal e depois recuperam”, diz.
Curiosamente, os mesmos evangélicos que se incomodaram tanto com o beijo gay entre as personagens de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg e os amantes da vilã Beatriz (Gloria Pires) não citaram outras cenas que causaram impacto semelhante, como por exemplo, a vilã assassinar o motorista ou a ambiciosa Inês (Adriana Esteves) estapear a filha, Alice (Sophie Charlotte), que acabou perdendo o bebê. Na quinta-feira passada, a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional endureceu o tom ao divulgar nota repudiando o beijo gay e convocando os evangélicos e “todos os cristãos” a não assistirem à novela.

Nelson Hoineff estranha o fato de uma bancada política se interessar tanto por questões ligadas à ficção. “É preocupante qualquer tipo de fundamentalismo, e que isso se espalhe pela sociedade. Com tantos problemas no país, acho que a bancada evangélica prestaria um bem maior ao país se boicotasse, por exemplo, os políticos corruptos e as empresas que participam de negociatas”, diz.

‘Babilônia’ vem registrando índices de audiência inferiores até aos de ‘Em Família’, de Manoel Carlos, que teve o pior desempenho no horário nos últimos anos. Se comparada à sua antecessora, ‘Império’, a nova trama das nove também sai perdendo em números. A trama de Aguinaldo Silva estreou com 32 de média, mas ainda na primeira semana apresentou crescimento de até três pontos.

Apesar de tudo, Nelson Hoineff não acredita que a baixa audiência vá influenciar negativamente os anunciantes no horário da novela. “Se fosse o departamento comercial da Globo, não me preocuparia. A emissora sabe encarar esse tipo de problema. Daqui a uns dois meses, os números serão outros”, prevê.

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