Rio - Foi no dia 20 de outubro de 1990 que Astrid Fontenelle entrou no ar pelo canal 32 UHF dando início ao que viria a ser um dos maiores marcos na cultura pop brasileira, a MTV Brasil. Exatos 25 anos depois, os VJs originais da emissora lamentam o abandono do arquivo do canal, que por muitos anos ocupou o antigo prédio da TV Tupi em São Paulo.
Para Luiz Thunderbird, o “Thunder”, um dos primeiros VJs da emissora, apesar da marca continuar viva hoje, o espírito da MTV Brasil “original” está ainda no nº 52 da Rua Alfonso Bovero. “Todo o arquivo está lá, abandonado. Acho isso lamentável”, disse.
Astrid, a primeira a abrir as portas, lembra com pesar das fitas encostadas com 23 anos de história do canal. “Estava conversando com um engenheiro que ficou lá e ele falou que estava digitalizando o primeiro VMB”, contou. “A gente está comemorando 25 anos. Esse VMB já deve ter uns 20 e só agora ele foi digitalizado. Olha que deprê.”
“MTV era para ser o YouTube”
A MTV Brasil deixou de operar oficialmente em 2013, quando fez sua última transmissão ainda em licenciamento com o Grupo Abril, dando lugar à MTV, hoje operada pela Viacom. Desde então, o canal passou por muitas transformações e os tradicionais programas de clipes foram definitivamente substituídos por séries e reality shows.
Astrid acredita que a MTV da qual ela fez parte nunca realmente terminou. “Não gosto desse tom fúnebre. O que aconteceu foi uma virada”, afirmou. “A marca MTV continua a existir e é uma marca incrível, extremamente forte.”
Já para Cazé Peçanha, conhecido por programas como “Teleguiado” e “Buzzina MTV”, o “formato da MTV foi fluindo para outras coisas” e a marca não morreu nem foi substituída. Ele diz que a MTV nunca foi um canal exclusivamente de música, mas sim uma forma de “entrar em contato com linguagens novas, modernas, tanto no campo visual, quanto musical”, analisou. “Ela ocupava um espaço que hoje é ocupado pela Internet.”
Astrid aponta que o maior erro da MTV foi subestimar a Internet, concorrente da emissora enquanto veículo de videoclipes. “A gente achava que era tão incrível e não percebeu que outra coisa bem mais incrível em termos de comunicação estava vindo e nos atropelou. A MTV era para ser o YouTube da música.”
VMB quase foi extinto em 1999
Entre as perdas que vieram com a extinção da MTV Brasil, Astrid aponta o fim do VMB como uma das principais. A cerimônia deixou de ser realizada em 2012 com a justificativa de ter um alto custo, mas a apresentadora revela que essa conversa chegou a acontecer quando ela saiu da MTV, em 1999.
“Eu não acreditei. Eles não iam mais fazer a única coisa que dava receita, era a melhor audiência deles, a única coisa que fazia a MTV gritar para o Brasil inteiro”, lamentou. “Era a maior vitrine da MTV. Eles não iam mais reverenciar seu maior conteúdo, que era o videoclipe. Mas no ano seguinte eles fizeram. Foi um tiro que iam acertar no pé.”
Para celebrar os 25 anos da data, Astrid tem planos: vai fazer uma “festa quase underground para resgatar aquele espírito inicial.”
