Ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, após a primeira reunião do presidente Jair Bolsonaro com a equipe ministerial, no Palácio do Planalto - Antonio Cruz/Agência Brasil
Ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, após a primeira reunião do presidente Jair Bolsonaro com a equipe ministerial, no Palácio do PlanaltoAntonio Cruz/Agência Brasil
Por O Dia

Brasília - Nomeações e movimentações financeiras no último mês do governo Temer chamaram a atenção do governo Bolsonaro. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que o presidente pediu a cada ministro que revise suas pastas, principalmente acerca de decisões dos últimos 15 dias. Onyx deu coletiva de imprensa após a primeira reunião do primeiro escalão do Planalto, que durou quase quatro horas. 

Questionado sobre a indicação, no apagar das luzes do governo Temer, de Carlos Marun para presidir o conselho da Itaipu Binacional, Onyx disse que esta não deve ser revista. "O presidente respeita a indicação de confiança do ex-presidente", disse.

O ministro também declarou que o governo fará a reforma da Previdência, um dia depois do ministro da Economia, Paulo Guedes, ter dito que tem um plano B, caso não consiga aprovar a mudança. Guedes disse na quarta-feira que poderá desindexar, desvincular e desobrigar todo o Orçamento federal, o que na prática retira gastos obrigatórios para saúde e educação, por exemplo.

"Vamos fazer a reforma da Previdência", disse Onyx, acrescentando que o ministro da Economia fará uma apresentação sobre o tema para os integrantes do governo na sexta-feira ou no início da próxima semana.

Onyx Lorenzoni (DEM) também afirmou na coletiva que o governo fará uma revisão de todos os conselhos do Governo Federal. "Nos últimos anos, conta-se a casa das centenas de conselhos. Todos eles com volume muito grande de pessoas, o que traz custos para a administração pública e, em muitos momentos, eles se sobrepõem, sendo repetidos em ministérios diferentes conselhos que às vezes têm quase a mesma função. Vai ser feito um pente-fino em todos os conselhos que atuam junto à administração direta", disse.

Outra medida anunciada foi um levantamento pedido pelo presidente Bolsonaro, a cada ministro, de todos os imóveis pertencentes ao Governo Federal, principalmente nos estados e capitais, para racionalizar o uso das estruturas. Preliminarmente, o governo estima ter 700 mil imóveis em todo o país, além de prédios alugados. A ideia, segundo Onyx, é juntar os órgãos federais para reduzir custos de manutenção. 

O ministro da Casa Civil também comentou a exoneração assinada por ele nesta quinta-feira de 300 funcionários de cargo comissionada da pasta que comanda. "O presidente trouxe (a medida) como um exemplo. Todos os ministros estão autorizados a proceder de maneira semelhante ou ajustada", disse. Onyx repetiu que a motivação das exonerações foi a 'despetização' do governo. "O conceito de que temos que rever o governo está perpassando todo o governo para desaparelhar e permitir que o governo Bolsonaro execute suas políticas", disse.

Onyx negou uma caça às bruxas, dizendo que as readmissões, após as exonerações, serão feitas com critério técnico, mas disse que pessoas que defendem outro sistema político não podem trabalhar no governo. "Serão analisados a competência e quem indicou. Não há sentido, com o governo no perfil que nós temos, ter pessoas que defendem outro sistema político. Talvez tenha faltado coragem ao outro governo (Temer) de fazer", disse. O ministro acrescentou que o Planalto quer "dar um basta em ideias comunistas e socialistas", que, segundo ele, levaram o caos ao país. 

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