Minas Gerais - Ao menos 300 pessoas estão desaparecidas após o rompimento da barragem 1 da Mina Feijão, da mineradora Vale, em Brumadinho no início da tarde desta sexta-feira, segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. O prefeito de Brumadinho, Avimar de Melo (PV-MG), informou que sete corpos já foram encontrados.
Segundo a empresa, a área administrativa, onde estavam funcionários, foi atingida, assim como a comunidade da Vila Ferteco. A lama agora começa a chegar ao centro do município, pelo leito do Rio Paraopebas, que abastece 6 milhões de pessoas. Por enquanto, quatro pessoas foram socorridas e encaminhadas ao hospital.
Um sistema de Comando de Operações foi estruturado no Centro Social do Córrego do Feijão, nas proximidades do campo de futebol e da igreja católica da cidade. Em nota, os Bombeiros informaram que "vários órgãos, principalmente de segurança pública, estão no local e em reunião neste momento definindo as estratégias de atendimento".
O acidente aconteceu na altura do km 50 da Rodovia MG-040. Os Bombeiros enviaram equipes com policiais civis e militares, com enfermeiros e medicamentos, além de cinco aeronaves e um helicóptero. Também foram acionados militares do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres (Bemad).
Mais vítimas do que Mariana
Uma equipe do Comitê de Crise criado para acompanhar o rompimento das barragens avalia que o desastre do início desta tarde de sexta-feira, pode ter proporções maiores do que o acidente ocorrido há três anos, em Mariana.
Apesar do volume de resíduos lançados ao meio ambiente após o rompimento de barragens em Brumadinho ser menor que o de Mariana, o acidente atingiu a parte administrativa da Vale, onde trabalham 613 pessoas, em três turnos, além de 28 profissionais terceirizados. O receio é de que o número de vítimas no acidente de hoje seja bem mais elevado, sobretudo de funcionários da empresa.
A equipe também acompanha o risco de os dejetos atingirem o Rio Paraopeba. Caso esse cenário se concretize, há a possibilidade de o abastecimento de Belo Horizonte ser atingido. Uma operação de emergência, para envio de água para áreas afetadas pelo abastecimento, já começa a ser desenhada.
Bolsonaro cria gabinete de crise
Em pronunciamento oficial, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que irá para Brumadinho na manhã deste sábado, e irá sobrevoar a região para avaliar os estragos. "Vamos tomar todas as medidas cabíveis para melhorar o sofrimento em famílias e a questão ambiental".
O presidente acionou três ministros – Gustavo Henrique Canuto, de Desenvolvimento Regional, Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Bento Costa Lima Leite, de Minas e Energia – para, junto ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema, criar um gabinete de crise para tratar o caso.
Volume
Segundo informações do site da Vale sobre as barragens da região, a barragem 1 foi construída em 1976 e tem volume de 12,7 milhões de m³. Atualmente, a barragem não receberia material, pois o beneficiamento do minério na unidade é feito a seco, ainda de acordo com o site. O Ibama havia informado inicialmente que havia 1 milhão de m³ de rejeito no local. Para efeito de comparação, a barragem da Samarco que em 2015 se rompeu, soterrando o distrito de Bento Rodrigues e matando 19 pessoas, tinha 50 milhões m³ de rejeitos.
MPMG acompanha situação
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deslocou uma equipe do Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais (Nucrim) para verificar e avaliar, juntamente com outras autoridades ambientais do estado, a extensão dos danos causados pelo rompimento de barragem de mineração na região de Brumadinho, a cerca de 50 km de Belo Horizonte, ocorrido na tarde desta sexta-feira, 25 de janeiro.
Relembre Mariana
Há mais de três anos, no dia 5 de novembro de 2015, uma barragem da mineradora Samarco se rompeu na cidade de Mariana, em Minas Gerais, naquela que ficou conhecida como a maior tragédia ambiental do país. A lama invadiu os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu, deixou 19 mortos e incontáveis perdas para as famílias da região, que até hoje sentem perdas físicas e psicológicas.
* Com informações do Estadão Conteúdo
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