Além dos 300: Conheça grupos de direita que apoiam Jair Bolsonaro

300 do Brasil, Nas Ruas e Revoltados Online compõem grupos de extrema direita a favor de Bolsonaro

Por iG

Grupo 300 do Brasil, com a militante bolsonarista Sara Winter à frente
Grupo 300 do Brasil, com a militante bolsonarista Sara Winter à frente -
Brasília - Vestidos de verde e amarelo, gritando "mito" e segurando cartazes de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ou de ataque ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal, grupos bolsonaristas têm ido às ruas desde o início da pandemia de covid-19 no Brasil para defender o presidente, mesmo com decretos de quarentena em vigor.
Nos últimos dias, esses movimentos de apoio a Bolsonaro estiveram em destaque no noticiário: os mandados de busca e apreensão contra bolsonaristas investigados por organizarem atos antidemocráticos, a prisão da militante extremista conhecida como Sara Winter e o lançamento de fogos de artifícios na direção do prédio do STF .

Contudo, a organização desses grupos não é tão homogênea: são diversos movimentos, com diferentes bandeiras, lideranças e trajetórias. Alguns surgiram ainda durante o governo de Dilma Rousseff e ascenderam nos protestos pelo impeachment da petista, outros ganharam forma mais próximo aos dias de hoje, durante a campanha eleitoral de Bolsonaro .

Veja o mapeamento feito pelo iG dos principais movimentos bolsonaristas:
300 do Brasil
 
O grupo de extrema direita começou a se formar em abril, quando a militante Sara Fernanda Giromini, conhecida como Sara Winter, convocou pessoas pelas suas redes sociais. A mobilização ocorreu por meio de um grupo no aplicativo Telegram que, segundo uma reportagem da agência internacional Reuters, contou com mais de 3 mil membros.

Em uma das convocações, Sara Winter escreveu, no seu Twitter em 20 de abril , que "o Presidente está por sofrer um golpe de estado, por Maia, Alcolumbre e Toffoli. Civis e militares de todo o país organizarão o MAIOR acampamento contra a esquerda e a corrupção DO MUNDO, em Brasília".

A mensagem direcionava para um formulário que selecionaria os participantes do grupo. No aplicativo, moderadores compartilhavam mensagens como “Lembre-se, você NÃO É MAIS UM MILITANTE , VOCÊ É UM MILITAR, um militar com uma farda verde e amarela, pronto para dar a vida pela sua nação”.

O 300 do Brasil chegou a arrecadar mais de R$ 67 mil por meio de uma vaquinha on-line, segundo a agência, que depois foi tirada do ar, e começou seu acampamento físico em Brasília no dia 1º de maio.

Em seu depoimento à Polícia Federal nesta semana, Sara Winter afirmou que o grupo se estabeleceu no estacionamento do Ministério da Justiça, de onde foram retirados no último dia 13, após determinação do governo do Distrito Federal (DF). No acampamento do 300 do Brasil raramente foram vistos mais de 20 pessoas.

Sara Winter já afirmou que dentro do grupo há pessoas armadas. "Existem membros que possuem armas devidamente registradas nos órgãos competentes. Essas armas servem para a proteção dos próprios membros do acampamento e nada têm a ver com nossa militância", disse em maio à BBC Brasil .
"Absolutamente nenhum dos integrantes dos 300 do Brasil fala sobre 'milícia armada', muito menos sobre invadir o Congresso ou STF", afirmou na época. Contudo, após o acampamento do movimento ser desmontado, no dia 13 de junho, Sara e outros membros invadiram o Congresso. "Tiraram nosso acampamento , então nós tiramos o seu congresso!", escreveu a militante em seu Instagram.

O movimento, auto denominado "militância organizada de direita no Brasil", realiza caminhadas pró-Bolsonaro e em oposição aos outros poderes. Um ato com tochas e máscaras contra o STF, no dia 31 de maio, ganhou grande repercussão na internet e gerou repúdio nos membros do Supremo.

Em seu testemunho à PF, Sar Winter afirmou que o "300 do Brasil é mais voltado a desobediência civil e ações não violentas"

O nome do grupo remete a uma passagem bíblica, em referência aos “300 de Gideão”, e também aos “300 de Esparta”, em menção à batalha entre gregos e persas. O movimento tem 13 mil seguidores no Instagram e mil no Twitter.

Na última segunda-feira, Sara Winter e outros cinco integrantes do 300 do Brasil foram presos devido a uma investigações sobre financiamentos de protestos antidemocráticos.
Acampamento dos patriotas 
 
Além do 300 dos Brasil, outros dois grupos organizaram acampamentos em Brasília em maio, o QG Rural e o Patriota.

Sara Winter afirmou à PF que o Patriota se estabelecia na Praça dos Três Poderes e tinha como líder Renan da Silva Sena .

Sena era funcionário terceirizado do Ministério da Mulher e dos Direitos Humanos até o início de maio, quando foi desligado após ser gravado e denunciado por agredir e xingar enfermeiras que participavam de um protesto pacífico de profissionais da saúde, no 1º de maio.

Ele gravou vídeos divulgando o Acampamento Patriota e, segundo informações divulgadas pela imprensa em maio, frequentemente comparece aos entornos do Palácio da Alvorada, junto a outros bolsonaristas, para demonstrar seu apoio ao presidente. No último domingo (14) ,ele foi detido após ameaçar o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), que determinou a retirada dos acampamentos.

Segundo o depoimento de Sara Winter, o "grupo dos Patriotas é mais ligado a essa pauta de intervenção militar, aplicação do art. 142 da Constituição Federal".

O terceiro grupo, o QG Rural Agro estava próximo ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. O movimento reúne um grupo de produtores rurais pró-Bolsonaro.

O grupo tem o apoio do deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Ele já se manifestou a favor do grupo nas redes socias e foi contra a medida tomada pelo governador do DF.

"O que essas pessoas estavam fazendo de errado no QG Rural para que o governador Ibaneis determinasse sua remoção? Manifestação seguindo protocolos de saúde não desrespeita sequer o decreto distrital. Sei que a PM cumpre ordens, mas surpreende negativamente essa ação", escreveu Eduardo em seu Instagram no último domingo (14) após a retirada do acampamento.

Nas ruas
 
O Nas Ruas foi criado em 2011 pela deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), que após assumir o cargo político afirma que deixou o grupo. Atualmente, o movimento é liderado pelos empresários Tomé Abduch e Marcos Bellizia.

Abduch é o principal porta-voz dos vídeos do NasRuas nas redes sociais, onde possuem 950.368 curtidas no Facebook e 59,4 mil seguidores no Twitter.
O movimento foi um dos principais articuladores das manifestações de 2015 e 2016 a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff . Espalhado em diversas cidades do país, atualmene o movimento tem realizado diversas carreatas.

O NasRuas se define como "movimento de combate à corrupção e impunidade". O grupo é alinhado ao discurso de Bolsonaro, inclusive o apoiando contra o isolamento decorrente da pandemia de Covid-19 e fazendo campanhas #ForaMandettaUrgente quando este ainda era o ministro da Saúde.

O grupo realiza uma vaquinha online e aceita doações para se manter.

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