Publicado 06/02/2025 08:43
O presidente do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico (Iphan), Leandro Grass, afirmou que a igreja em que o teto desabou na quarta-feira (5), em Salvador, solicitou na última segunda (3) uma vistoria do órgão por causa de uma "dilatação do forro". Segundo Grass, a visita dos técnicos estava marcada para ocorrer nesta quinta-feira (6). Tragédia matou uma pessoa e deixou seis feridos.
PublicidadeA Igreja de São Francisco de Assis, conhecida como "igreja de ouro", é um dos principais pontos turísticos do bairro histórico do Pelourinho, na capital baiana, e já lidava com dificuldades estruturais há anos.
De acordo com o presidente do órgão, a solicitação da igreja foi feita pelo protocolo normal do Iphan. Segundo ele, esse não é o caminho para o caso de uma urgência.
"Ele [o frei responsável pela igreja] protocolou na segunda-feira, às 15h48, pelo protocolo padrão. Ou seja, não se fosse, se ele tivesse de fato uma urgência, certamente teria ligado para o superintendente que tem o telefone dele. Mas ele protocolou isso 15h48 pedindo uma vistoria do Iphan. A vistoria estava agendada para amanhã [quinta-feira] às 14h30", informou Grass.
No pedido, o frei apontava "uma dilatação do forro" da igreja. "Na verdade, não é um alerta. Ele detectou que o forro teve uma dilatação, pediu uma vistoria do Iphan. Como o de praxe, sempre que é solicitado, a gente marca a vistoria. Às vezes um dia, dois", continuou o presidente do Iphan.
Ainda segundo Grass, se a igreja tivesse encontrado um risco urgente, a solução seria ligar para a Defesa Civil. "Se ele comunicou a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, eu não sei dizer. Se, de fato, ele verificou alguma emergência. Se tivesse algum risco de estrutura, ele deveria que comunicar esses órgãos", concluiu
Ainda segundo Grass, se a igreja tivesse encontrado um risco urgente, a solução seria ligar para a Defesa Civil. "Se ele comunicou a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, eu não sei dizer. Se, de fato, ele verificou alguma emergência. Se tivesse algum risco de estrutura, ele deveria que comunicar esses órgãos", concluiu
Em comunicado, o Iphan disse que a responsabilidade pela estrutura é da Ordem Primeira de São Francisco. Por se tratar de um patrimônio histórico, o Iphan faz restaurações e dá auxílio técnico.
"O Iphan, enquanto órgão de proteção do patrimônio cultural brasileiro, tem atuado na preservação do bem, com ações como o restauro dos painéis de azulejaria portuguesa, concluído em maio de 2023, e a elaboração do projeto de restauração do edifício, atualmente em andamento", diz um trecho.
Desabamento
O acidente aconteceu em meio a visitação de turistas ao templo, que seguia aberto para roteiros mesmo com problemas estruturais há anos. O acesso custava R$ 10 por pessoa, mesmo valor que foi pago pelas vítimas.
A guia de turismo Meirelúcia Oliveira acompanhava um grupo de São Paulo e estava prestes a sair do templo, quando tudo aconteceu.
A guia de turismo Meirelúcia Oliveira acompanhava um grupo de São Paulo e estava prestes a sair do templo, quando tudo aconteceu.
"Quando a gente já estava na porta [de saída], a igreja abriu um buracão. [A madeira] Veio descendo, arriando, eu gritei por misericórdia, saí por ali e a família arrombou a porta. Nós conseguimos sair, sobreviver", relatou.
O espaço onde os fiéis ficavam durante as missas foi coberto por destroços, principalmente a madeira que cobria o forro da nave. O desabamento ainda provocou a morte de uma turista de 26 anos e deixou outras cinco pessoas feridas.
A mulher que morreu foi identificada como Giulia Panchoni Righetto. Ela era de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e passeava no local com o namorado e um casal de amigos.
Os homens não se feriram, pois estavam um espaço mais afastado. A amiga dela sofreu um corte na testa e foi levada para um hospital particular da cidade. A identidade das vítimas não foram divulgadas.
O corpo da jovem foi removido por equipes do Departamento de Polícia Técnica (DPT) para ser necropsiado no Instituto Médico Legal (IML) da capital baiana.
O caso será investigado pela Polícia Federal (PF). A Polícia Civil da Bahia também vai apurar o ocorrido, através do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A área foi isolada por policiais militares logo após o ocorrido e a igreja foi interditada pela Defesa Civil. A Polícia Técnica da Bahia informou que uma equipe da Coordenação de Engenharia Legal do Instituto de Criminalística Afrânio Peixoto já esteve no local para iniciar o trabalho pericial, mas deve retornar na quinta-feira (6), para concluir os exames.
Também nesta quinta, está prevista a visita de uma equipe técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), juntamente com o presidente do órgão, Leandro Antônio Grass Peixoto. O horário não foi divulgado.
A área foi isolada por policiais militares logo após o ocorrido e a igreja foi interditada pela Defesa Civil. A Polícia Técnica da Bahia informou que uma equipe da Coordenação de Engenharia Legal do Instituto de Criminalística Afrânio Peixoto já esteve no local para iniciar o trabalho pericial, mas deve retornar na quinta-feira (6), para concluir os exames.
Também nesta quinta, está prevista a visita de uma equipe técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), juntamente com o presidente do órgão, Leandro Antônio Grass Peixoto. O horário não foi divulgado.
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