Publicado 18/10/2025 05:00
A menos de um mês do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a tensão entre os vestibulandos aumenta cada vez mais. Em uma etapa tão decisiva na vida do estudante, é normal que os candidatos se deparem com a ansiedade algumas semanas antes da prova. Esse sentimento, porém, acaba sendo mais forte entre os alunos que buscam a aprovação em Medicina, o curso mais concorrido nos vestibulares do Brasil.
Para Amanda Piloni Eça, de 23 anos, a maior dificuldade é a ansiedade na hora da avaliação. Ela relata que costuma chegar na prova se sentindo preparada, mas acaba se desestabilizando ao ver alguma questão que envolva um conteúdo ao qual não deu muita atenção. Além disso, a estudante explica que a pouca quantidade de horas para resolver muitas questões a atrapalha.
“Eu sou uma pessoa neurodivergente, então fazer a prova nesse tempo tão curto é muito dificultoso. Ter que dar conta de tudo, de coisas tão diversas, em um tempo mínimo, é complicado”, complementa a vestibulanda.
Desde 2020 tentando passar em Medicina, a jovem conta que escolheu o curso pela admiração que desenvolveu desde pequena pelos familiares que trabalham na área da saúde. “Eu via o meu avô indo trabalhar e percebia que o médico era aquela pessoa que os outros poderiam contar para resolver problemas. E eu quero ser essa pessoa”, afirma.
PublicidadePara Amanda Piloni Eça, de 23 anos, a maior dificuldade é a ansiedade na hora da avaliação. Ela relata que costuma chegar na prova se sentindo preparada, mas acaba se desestabilizando ao ver alguma questão que envolva um conteúdo ao qual não deu muita atenção. Além disso, a estudante explica que a pouca quantidade de horas para resolver muitas questões a atrapalha.
“Eu sou uma pessoa neurodivergente, então fazer a prova nesse tempo tão curto é muito dificultoso. Ter que dar conta de tudo, de coisas tão diversas, em um tempo mínimo, é complicado”, complementa a vestibulanda.
Desde 2020 tentando passar em Medicina, a jovem conta que escolheu o curso pela admiração que desenvolveu desde pequena pelos familiares que trabalham na área da saúde. “Eu via o meu avô indo trabalhar e percebia que o médico era aquela pessoa que os outros poderiam contar para resolver problemas. E eu quero ser essa pessoa”, afirma.

Já para o estudante Guilherme Luiz Penna Bastos, de 22 anos, o maior obstáculo enfrentado na jornada como vestibulando tem sido a progressão de nota. O aluno conta que devido a pandemia, passou parte do Ensino Médio tendo aulas on-line, o que deixou lacunas em sua aprendizagem.
“Aumentar o número de acertos não tendo uma base sólida de aprendizado é algo difícil para mim. Eu perdi parte do ensino durante a pandemia e tive que correr atrás. Como sempre tive dificuldade nos estudos, isso me complicou bastante”, ressalta o jovem.
Atualmente no terceiro ano de cursinho, Guilherme relata que durante esse ano tentou estudar menos horas, mas com mais qualidade. Ele lembra que nos últimos dois anos se cobrava muito e tentava passar mais de 12 horas revisando conteúdos e fazendo exercícios. Porém, com a diminuição do tempo e mais foco, o vestibulando tem conseguido melhores resultados.
“Outra coisa que eu fiz de diferente foi não botar pressão em mim mesmo e tentar transformar o momento de estudo em algo bom. Às vezes eu estou muito cansado e ainda tenho que terminar alguns exercícios, então eu coloco uma música no meu fone e resolvo as questões que faltam”, acrescenta.
“Outra coisa que eu fiz de diferente foi não botar pressão em mim mesmo e tentar transformar o momento de estudo em algo bom. Às vezes eu estou muito cansado e ainda tenho que terminar alguns exercícios, então eu coloco uma música no meu fone e resolvo as questões que faltam”, acrescenta.
Há quatro anos na jornada em busca da aprovação em Medicina, Bruna Kamilly Reis Melo, de 21 anos, conta que um dos maiores obstáculos enfrentados por ela é o número reduzido de vagas para o curso, o que aumenta muito a concorrência. Além disso, Bruna explica que onde ela reside, em Belém (PA), há apenas duas opções de universidade pública: a Federal do Pará (UFPA) e a Estadual do Pará (Uepa). Por esse motivo, ela percebe que as possibilidades ficam mais limitadas e as notas de corte são exacerbadamente altas.
Depois de tanto tempo tentando, Bruna diz que o que a incentiva a continuar é a realização do sonho de ser médica. A estudante afirma que não consegue se ver em outras profissões e até mesmo quando pensa em começar outro curso na faculdade, sempre cogita continuar tentando uma vaga em Medicina.
“Eu quero me especializar em cirurgia e não consigo encontrar isso em outras áreas. Seria uma realização pessoal muito grande conseguir ser médica e me sentir útil, fazendo o meu melhor para que as pessoas consigam encontrar cuidado, amparo e suporte na área da saúde”, complementa.
Victória Lobato Ribeiro, de 22 anos, fará o Enem neste ano pela quinta vez e decidiu apostar em um curso presencial para a preparação para a prova. Após quatro anos usando plataformas on-line para os estudos, ela viu uma oportunidade de voltar às salas de aula. Com a ajuda financeira da mãe e do namorado, a estudante acredita que esse possa ser o diferencial para conseguir alcançar a aprovação em medicina.
“Além da concorrência, que chega a ser ingrata para uma vaga na universidade pública, os gastos com cursos preparatórios não são baixos. Apesar de encontrar muitos materiais gratuitos na internet, acredito que uma boa preparação anda de mãos dadas com um bom investimento”, acrescenta.
“Além da concorrência, que chega a ser ingrata para uma vaga na universidade pública, os gastos com cursos preparatórios não são baixos. Apesar de encontrar muitos materiais gratuitos na internet, acredito que uma boa preparação anda de mãos dadas com um bom investimento”, acrescenta.
Apoio familiar
Para a mãe de Amanda, Andrea Piloni Eça, a jornada da filha como vestibulanda é uma demonstração de perseverança e disciplina. Ela conta que vê a fase de preparação para as provas como uma amostra do futuro de Amanda como médica.
“Esse período de estudos espelha o que a missão de ser um médico reflete, que é a doação ao próximo. Hoje vemos a mercantilização desenfreada da Medicina, esquecendo que exercer essa profissão é um chamado, uma missão. Tem que abdicar de muita coisa, e é o que ela faz diariamente, se doar para esse sonho”, explica.
Gilce Anne Penna Bastos, mãe de Guilherme Luiz, ressalta a preocupação com o filho nesse período de tentativas para passar na faculdade dos sonhos. “Eu acho que é uma situação exaustiva, estressante e injusta, porque a sobrecarga é muito alta. Mas acredito que ele será recompensado pelo esforço”, afirma a enfermeira.
Ela diz que dá total apoio à decisão do estudante de persistir no seu objetivo e sempre tenta contribuir para facilitar a trajetória do filho. “Trabalhar durante uma vida inteira numa profissão que não é a que a pessoa quer é algo muito dolorido, por isso eu continuo dando suporte à ele”, acrescenta.
Para a mãe de Amanda, Andrea Piloni Eça, a jornada da filha como vestibulanda é uma demonstração de perseverança e disciplina. Ela conta que vê a fase de preparação para as provas como uma amostra do futuro de Amanda como médica.
“Esse período de estudos espelha o que a missão de ser um médico reflete, que é a doação ao próximo. Hoje vemos a mercantilização desenfreada da Medicina, esquecendo que exercer essa profissão é um chamado, uma missão. Tem que abdicar de muita coisa, e é o que ela faz diariamente, se doar para esse sonho”, explica.
Gilce Anne Penna Bastos, mãe de Guilherme Luiz, ressalta a preocupação com o filho nesse período de tentativas para passar na faculdade dos sonhos. “Eu acho que é uma situação exaustiva, estressante e injusta, porque a sobrecarga é muito alta. Mas acredito que ele será recompensado pelo esforço”, afirma a enfermeira.
Ela diz que dá total apoio à decisão do estudante de persistir no seu objetivo e sempre tenta contribuir para facilitar a trajetória do filho. “Trabalhar durante uma vida inteira numa profissão que não é a que a pessoa quer é algo muito dolorido, por isso eu continuo dando suporte à ele”, acrescenta.
Para a professora Brenda Melo, irmã da vestibulanda Bruna Melo, a maior preocupação é o desgaste emocional. “Eu me preocupo com a pressão que ela mesma coloca sobre si. Essa trajetória pode trazer muito desgaste físico e mental. Eu tento equilibrar essa preocupação minha com apoio, oferecendo orientação e encorajando ela a cuidar de si mesma”, complementa.
* Matéria da estagiária Luiza Zubelli, sob a supervisão de Marlucio Luna.
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