Queda da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira deixou 14 mortos, uma pessoa ferida e três desaparecidasDivulgação
Publicado 20/03/2026 09:08 | Atualizado 20/03/2026 09:33
Imagens divulgadas nesta quarta-feira (18) mostram o momento do desabamento da ponte Juscelino Kubitschek, que ligava Tocantins ao Maranhão, registradas de dentro da cabine de um caminhão. A gravação foi publicada pela advogada Melissa Fachinello.
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A tragédia deixou 18 vítimas, com 14 mortos, uma pessoa ferida e três ainda desaparecidas. A estrutura caiu em 22 de dezembro de 2024. Um ano depois, uma nova foi inaugurada no local.

O vídeo foi captado por uma câmera instalada em um caminhão da transportadora Expresso Geração, empresa atendida por Fachinello.
Na publicação, ela fez um desabafo e cobrou providências. "A negligência e o descaso também constroem tragédias. No dia 22 de dezembro de 2024, a ponte Juscelino Kubitschek, em Estreito (MA), rompeu, deixando não apenas uma estrutura destruída, mas famílias marcadas pela dor, pela perda e pela falta de respostas. Uma tragédia que poderia ter sido evitada se houvesse cuidado, manutenção, fiscalização e responsabilidade. Que a memória desse dia nos lembre que vidas não podem ser tratadas com descaso, silêncio e irresponsabilidade. Respeito e indenização já", escreveu na legenda.
Veja o vídeo:

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que as "demandas relacionadas às indenizações decorrentes do desabamento encontram-se atualmente judicializadas".

"Há diversas ações em tramitação, ajuizadas por particulares, por entes públicos — como o Ministério Público — e por organizações da sociedade civil. Nessas demandas, são discutidos diferentes tipos de indenização, incluindo danos materiais, danos morais, lucros cessantes e eventuais danos ambientais", disse.
"No momento, não é possível estabelecer uma previsão geral para o pagamento das indenizações. No caso das ações judiciais, eventuais pagamentos dependerão do regular andamento processual e ocorrerão por meio de requisições judiciais, como precatórios ou RPVs (Requisições de Pequeno Valor), após decisão definitiva", acrescentou.
O Dnit orienta que as famílias interessadas acompanhem o andamento dos processos por meio de seus advogados, nos casos de ações individuais, ou pelo Ministério Público e associações representativas, nas ações coletivas.

O órgão destaca ainda que há diversas ações judiciais em curso sobre o tema, em diferentes fases — desde o início do processo até a produção de provas, análise judicial e tentativas de conciliação —, o que evidencia a complexidade do caso e a necessidade de análise individual de cada demanda.
Nova ponte
A cerimônia de inauguração contou com a presença do ministro dos Transportes, Renan Filho, e dos governadores do Maranhão, Carlos Brandão, e do Tocantins, Wanderlei Barbosa.

A nova ponte tem 630 metros de extensão, 19 metros de largura e um vão livre de 154 metros. São duas faixas de rolamento de 3,6 metros cada, dois acostamentos com três metros cada, barreiras de proteção, além de passagem para pedestres. Para a construção, o governo federal investiu cerca de R$ 172 milhões.
Colapso
Construída na década de 1960, a antiga ponte chegou a passar por reparos em 2021, mas continuava apresentando problemas, até colapsar em dezembro do ano passado. No desabamento, caíram no Rio Tocantins três motos, um carro, duas caminhonetes e quatro caminhões, sendo que dois deles carregavam 76 toneladas de ácido sulfúrico e 22 mil litros de defensivos agrícolas.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) abriu uma sindicância para apurar as causas e responsabilidades pelo desabamento, mas a investigação ainda não foi concluída.

A polícia Federal (PF) também investiga o caso. Um laudo apresentado em julho passado aponta, entre outras causas para o colapso, a sobrecarga da ponte, a deformação do concreto, perda da capacidade de resistência e acúmulo de veículos sobre o local, além de manutenção e reformas mal executadas.

O documento destaca que foi decisão do Dnit manter “um tráfego superior ao projetado para a ponte, ao longo das últimas décadas de sua existência”. O inquérito segue em andamento.

Em nota, o DNIT informou que colabora ativamente com todos os órgãos investigativos que estão atuando na ocorrência e que foi aberta na Corregedoria uma Investigação Preliminar Sumária para apurar as causas do colapso da ponte JK, que irão determinar os prejuízos decorrentes e quantificação de danos.

O Departamento destacou ainda que contratou o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo para produzir um relatório externo que apontará às causas do colapso da ponte.
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