Senador Ciro Nogueira (PP-PI)Reprodução/ vídeo/ redes sociais
Publicado 12/05/2026 10:22 | Atualizado 12/05/2026 10:24
Alvo de operação que investiga fraudes envolvendo o Banco Master, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, publicou um vídeo nas redes sociais, na manhã desta terça-feira (12), no qual alega perseguição política. Na postagem, o parlamentar afirma que tem sofrido ataques em razão do ano eleitoral e cita uma investigação contra ele em 2018. O senador também garantiu que “nunca recebeu nenhum valor ilícito ou cometeu qualquer irregularidade”.
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A manifestação acontece dias após Ciro ter sido alvo de mandado de busca e apreensão na quinta fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na semana passada, e depois da troca de sua equipe de defesa no caso.  Segundo a corporação,o parlamentar recebia de Daniel Vorcaro mesada de R$ 300 mil, que pode ter chegado a R$ 500 mil.
"Por que começar esta operação por um líder da oposição?", questionou. As acusações são de que o senador tenha atuado em defesa de interesses de Daniel Vorcaro no Congresso e citou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65/2023, conhecida como Emenda Master, que defende o aumento do limite do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que beneficiaria o grupo empresarial.
No vídeo, o político negou que a proposta tenha sido publicada exatamente como foi recebida, como aponta a investigação. Ciro defendeu que o FGC é um fundo "totalmente privado" e que o valor não é atualizado há mais de uma década.
"Eu sempre andei no caminho das coisas corretas, porque a coisa mais correta que se tem na vida pública é fazer o bem para o povo. Acusações, todos os políticos, em algum grau, já sofreram. Ainda mais o presidente de um grande partido com muita influência, como é o meu caso. Eu não sou o 1º, nem serei o último. Agora, comprovar é outra história. Eu já passei por isso outras vezes. Para acusar, a criatividade é infinita. Na hora de comprovar, não conseguiram e não conseguirão", declarou.
 
Nogueira relembrou que essa não foi a primeira vez em que é "vítima de ataques" em ano eleitoral. "Em 2018, dez dias antes das eleições, eu fui alvo de uma operação da Polícia Federal igual à que aconteceu na semana passada aqui em Brasília. Na época, me acusaram falsamente de coisas muito graves", disse.
"A investigação correu, quebraram sigilos, buscaram provas e a conclusão do inquérito foi essa: a PGR não viu elementos suficientes para sustentar a acusação", apontou. "Felizmente, meu trabalho falou mais alto e eu fui reeleito senador", acrescentou.
O parlamentar afirmou que a "história se repete" em 2026. "Nunca recebi nenhum valor ilícito ou cometi qualquer irregularidade que seja, neste caso, em qualquer outro", garantiu.
Nogueira disse que o fato de a operação ter "começado" por um líder da oposição "causou muita estranheza". Ele mencionou a PEC da autonomia financeira do Banco Central. A medida visava aumentar o limite de cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que poderia beneficiar o banco de Vorcaro.
De acordo com a PF, o texto da proposta teria sido elaborado pela assessoria do Banco Master, encaminhado ao senador e reproduzido "de forma integral" no Senado. Mensagens reproduzidas na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça mostram Vorcaro afirmando que a emenda "saiu exatamente" como ele havia mandado.
Na publicação, o parlamentar disse que reapresentará a emenda que amplia a cobertura do Fundo. Segundo ele, a medida busca proteger correntistas e pequenas empresas em casos de quebra bancária.
"Primeiro ponto, é mentira que essa emenda foi publicada na íntegra, conforme foi recebida. Este fundo é completamente privado. Quem financia o fundo são os bancos. Não é a União, não tem recursos públicos. Até hoje, ninguém veio a público explicar por que este valor não é corrigido há 13 anos. 13 longos anos. Sendo que isso só beneficia quem? Os grandes bancos e a concentração bancária em nosso país", disse.
"O que causa escândalo em um banco não é o FGC, é a falta de fiscalização", afirmou, e complementou com ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): "Quem tem que fiscalizar é o Banco Central e quem indica os diretores do Banco Central é o presidente da República, e é ele ele que tem que ser cobrado por isso".
"Diante disso, eu tomei a decisão de reapresentar agora a emenda, corrigindo o valor do FGC, que pela Selic teria que estar acima de R$ 840 mil. Agora não existe mais Banco Master. Eu quero ver qual é a desculpa que os grandes bancos vão utilizar para negar esta proteção aos correntistas brasileiros. Nós que estamos na política entendemos por que certas coisas acontecem", acrescentou.
Ao comentar as acusações envolvendo empresas da família, o senador afirmou que os valores citados na investigação representam uma parcela pequena do faturamento dos negócios familiares.
Segundo ele, uma das empresas investigadas –uma rede de concessionárias de motocicletas– movimenta cerca de R$ 400 milhões por ano. "Me acusam de depósito de R$ 3 milhões nessa empresa. Isso é absolutamente comum em empresas dessas", afirmou..
Para o senador, as operações são motivadas pela proximidade do período eleitoral. "As questões técnicas e as provas estão em segundo plano para eles", disse.
Ciro também fez críticas ao governo do Piauí. De acordo com o parlamentar, o Piauí estaria vivendo um pesadelo há 24 anos, período que corresponde à primeira eleição de Wellington Dias (PT), ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome no governo Lula.
 
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