'Ser amigo dos dois é o bom caminho', pontuou AlckminArquivo / Paulo Pinto / Agência Brasil
Publicado 17/08/2026 12:40
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira, 17, que a abertura do processo de reciprocidade em resposta ao tarifaço norte-americano sobre produtos brasileiros não representa uma retaliação ao governo dos Estados Unidos (EUA). "Não é retaliação, não há interesse em retaliar ninguém. Olho por olho, o máximo que pode acontecer é todo mundo ficar cego", declarou Alckmin durante a conferência anual do Santander.
Publicidade
Ele salientou que o governo brasileiro não abandonou as negociações com os Estados Unidos e demonstrou confiança num acordo entre os países para a eliminação das sobretaxas comerciais. Pediu, porém, paciência, já que as negociações não devem ter um desfecho rápido.
"O Brasil não sai da mesa de negociação. Então, vamos ter um pouquinho de paciência que as coisas vão andar e andar bem", disse o vice-presidente. "Eu acredito que vai ter acordo do Brasil com os Estados Unidos", acrescentou.

Para Alckmin, o Brasil não tem que entrar em briga dos Estados Unidos com a China, buscando manter boas relações com os dois países.

A China, lembrou, é o principal destino das exportações brasileiras, enquanto os EUA são a origem dos maiores investimentos internacionais no Brasil.

"Ser amigo dos dois é o bom caminho", pontuou o vice-presidente da República.
''Pauta-bomba não é contra o governo, é contra a população''
O vice-presidente também defendeu o rigor fiscal, mas ressaltou que o equilíbrio das contas públicas não é responsabilidade apenas do Executivo. "Isso não depende só do Executivo. Tem decisões do Judiciário, com impacto econômico, e tem decisões do Legislativo", comentou Alckmin, ao falar sobre o desafio de voltar a gerar superávits primários para conter a escalada da dívida pública.

"Só tem um caminho, que é criar uma cultura de combater privilégios e desperdícios. E aí a sociedade cobrar dos três poderes", acrescentou o vice-presidente durante participação na conferência anual do Santander.

Segundo Alckmin, medidas que criam mais gastos ou reduzem a arrecadação do governo, as chamadas pautas-bomba, são contra a população.

"Não tem pauta-bomba contra o governo. Ela é contra o povo. A população, na realidade, acaba pagando", declarou o vice-presidente da República.
Leia mais