Flávio participou de entrevista com imagem de Nossa Senhora Aparecida à sua frenteReprodução / SantoFlow Podcast
Publicado 29/09/2026 07:42
O candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, voltou a negar na noite desta segunda-feira (28) que pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil e acusou integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de terem contribuído para disseminar a informação. Em entrevista ao podcast católico SantoFlow, Flávio afirmou ter ficado "muito indignado" com o episódio.

O candidato citou a primeira-dama Janja Lula da Silva e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, entre aqueles que, segundo ele, fizeram parte de uma "rede de mentiras".
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"Não existe projeto de lei sobre retirada do título de Nossa Senhora de Padroeira do Brasil", afirmou. "Fiquei muito indignado com a fake news sobre Nossa Senhora".

A informação ganhou força nas redes sociais na última semana e associava Flávio a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de Padroeira do Brasil. Em agosto, Flávio disse que, caso fosse eleito, um de seus primeiros atos seria "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo".

Nesta segunda, Flávio também relacionou a controvérsia ao debate sobre a laicidade do Estado. "O Brasil não é um Estado laico? A esquerda entende que o Estado laico é um Estado sem religião, e não é isso", afirmou.

Na última sexta-feira (25), A primeira-dama Janja publicou uma fotografia de Lula segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e escreveu: "Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, olhai por nós!". Nesta segunda, ela também apareceu em cerimônia no Palácio do Planalto usando uma medalha com a imagem da santa.

Vice e pai católicos

Flávio citou a religião de seu vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), e de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para rebater acusações de que teria preconceito contra católicos. Ele afirmou que não teria escolhido um católico para compor sua chapa se tivesse resistência à religião.

"Meu vice, Alfredo Gaspar, é católico fervoroso. Meu pai também é católico", afirmou. "Se eu tivesse algum preconceito, não teria escolhido um vice católico", acrescentou. O candidato participou da entrevista com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida à sua frente.

Flávio também tem sido questionado sobre a declaração de que, caso fosse eleito, seu primeiro ato seria "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo". A assessoria do candidato afirmou que a declaração se refere a uma oração que ele pretende fazer durante a cerimônia de posse, e não à edição de um decreto.

Segundo a assessoria, Flávio "fará uma oração antes de ler o termo de posse quando assumir a Presidência da República, entregando o Brasil nas mãos de Jesus". 

Flávio tem intensificado referências à religião ao longo da campanha. O candidato, que frequenta a Igreja Batista, tem participado de cultos, eventos evangélicos e encontros com lideranças religiosas e associado sua candidatura a um "propósito" divino.

Católicos contra evangélicos

O candidato do PL à Presidência responsabilizou o PT pela polarização política no País e acusou o partido de tentar criar uma divisão entre católicos e evangélicos.

"Tudo que não precisamos neste momento é de um País mais dividido ainda, como o PT faz", afirmou. "O PT aposta na divisão Agora tiveram a audácia de colocar católicos contra evangélicos", acrescentou.

Seu pai declarou-se católico ao longo de sua trajetória política, embora tenha construído forte aproximação com lideranças e eleitores evangélicos. Em maio de 2016, quando ainda era deputado federal, Bolsonaro foi batizado nas águas do rio Jordão, em Israel, pelo pastor Everaldo, então presidente do PSC. O ex-presidente, contudo, continuou a se identificar publicamente como católico depois da cerimônia.

A relação com o eleitorado evangélico tornou-se um dos componentes da trajetória política da família Bolsonaro. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é evangélica e Flávio frequenta a Igreja Batista. Em janeiro deste ano, o senador foi batizado pela segunda vez no rio Jordão, durante viagem a Israel.

Ao longo da campanha presidencial, Flávio tem buscado se apresentar como uma alternativa à polarização e atribuído ao PT a responsabilidade pela divisão política no País. Ao mesmo tempo, reivindica a herança política do pai e afirma que sua candidatura representa a continuidade do legado de Jair Bolsonaro, mas com uma postura diferente.

"Olham para mim enxergando o legado de Jair Bolsonaro com outra postura", disse Flávio na mesma entrevista. O senador afirmou que não gosta de "briga" e que seu perfil seria adequado ao atual momento do País.

STF

O candidato do PL  acusou o presidente Lula de ter transformado o Supremo Tribunal Federal (STF) em um "comitê eleitoral" para interferir nas eleições. Flávio criticou ministros da Corte e afirmou que, se eleito, pretende indicar nomes contrários ao aborto e à descriminalização das drogas.

"Lula transformou o Supremo em um comitê eleitoral para interferir nas eleições", afirmou. O candidato também criticou os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino, ambos indicados por Lula ao STF durante o atual mandato.

"Sem os ministros de Lula no STF, o Brasil vive", disse Flávio. O candidato afirmou ainda que Dino teve um voto "carregado de raiva e preconceito" e lembrou a atuação de Zanin como advogado de Lula.

Flávio também voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes e acusou o magistrado de ter "boicotado" o governo de Jair Bolsonaro, além de ter tomado decisões que, na avaliação do candidato, favoreceram Lula. Moraes não foi indicado por Lula: chegou ao Supremo em 2017 por indicação do então presidente Michel Temer.

Ao tratar das indicações que faria ao STF, Flávio vinculou a escolha de ministros a pautas caras ao eleitorado conservador. "Vou indicar pessoas que são contra o aborto e contra as drogas. Numa canetada, eles proíbem o aborto e as drogas", afirmou. "É importante votar em presidente que vai indicar ministros do STF a favor da vida", acrescentou.

Canetas emagrecedoras são 'nova picanha' de Lula

Flávio comparou a proposta do presidente Lula de oferecer canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) à promessa de picanha feita pelo petista em eleições anteriores. O candidato do PL afirmou que Lula "não vai entregar" os medicamentos e acusou o adversário de fazer promessas que considera inviáveis em busca de votos.

"Está faltando remédio para dor de cabeça na UBS e o cara está prometendo canetinha de R$ 3 mil por mês", disse Flávio, em referência aos medicamentos utilizados no tratamento da obesidade. "É a nova picanha dele. Ele vai prometer e não vai entregar", afirmou.

O senador também buscou contrapor sua proposta econômica à do atual governo. "Eu quero que o pobre seja rico e o Lula quer que o pobre se mantenha na pobreza. Comigo aqui é prosperidade", declarou. Em outro momento, afirmou que sabe que pode "fazer muito mais que Lula" e que pretende fazer com que as pessoas tenham "ambição de prosperar".

Flávio ainda afirmou que Lula "não é pai dos pobres há muito tempo" e fez referência a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. "Ele é pai de um cara muito rico, o Lulinha", declarou.

O candidato do PL também disse que brasileiros pobres estão "na fila do osso" durante o atual governo e afirmou que não pretende fazer propostas que considera inexequíveis. "Eu não vou prometer coisas mirabolantes atrás de voto, como acontece com o Lula", disse.

A oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS foi anunciada por Lula em 17 de setembro, durante visita à fábrica da Eurofarma em Montes Claros (MG). Na ocasião, o presidente afirmou que os medicamentos seriam oferecidos gratuitamente a pessoas com obesidade, mediante indicação e acompanhamento médico.

Na última quinta-feira (24), o Ministério da Saúde protocolou na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) um pedido de análise para que medicamentos da classe GLP-1 sejam oferecidos para o tratamento da obesidade. A solicitação prevê a avaliação de medicamentos à base de semaglutida ou liraglutida. A oferta dependerá da análise da comissão e da definição de critérios clínicos para determinar quais pacientes poderão receber o tratamento.

O Ministério da Saúde também conduz um estudo com 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. Entre os objetivos está avaliar se o tratamento pode beneficiar pacientes que aguardam cirurgia bariátrica e reduzir complicações relacionadas à obesidade.
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