Publicado 25/07/2026 15:51 | Atualizado 25/07/2026 15:55
Campos/Região – A Estrada de Ferro 118 (EF-118) está em estágio avançado de estruturação e reúne condições para se consolidar como um corredor ferroviário relevante para o país. A modelagem busca soluções inovadoras para viabilizar uma ferrovia nova, de grande extensão, com investimentos elevados e retorno de longo prazo.
PublicidadeO centro da implantação é o interior do estado do Rio de Janeiro, onde a reativação do transporte ferroviário de carga e de passageiros é vista como um desafio complexo, mas com a possibilidade real de atender aos interesses do Porto do Açu, em São João da Barra. Isso ficou evidente em entrevista recente de um diretor do complexo ao jornal O Dia.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) considera a implantação da EF-118 um marco divisor de águas para o Norte Fluminense e todo o seu entorno; porém, defende a execução integral do projeto, com planejamento e compromissos claros para todas as etapas.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) considera a implantação da EF-118 um marco divisor de águas para o Norte Fluminense e todo o seu entorno; porém, defende a execução integral do projeto, com planejamento e compromissos claros para todas as etapas.
“A ferrovia vai transformar a logística regional ao conectar de forma eficiente nossos portos, polos industriais e rotas de escoamento”, acredita o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira. Ele vislumbra que, para as empresas da região, a iniciativa se traduzirá em mais competitividade e redução de custos.
Para a população, Siqueira diz que a obra representará um forte impulso na economia, com atração de novos investimentos e geração de empregos qualificados na construção, manutenção e serviços. “É a infraestrutura impulsionando o verdadeiro desenvolvimento socioeconômico das nossas cidades”, resume.
NOVA CONEXÃO - A EF-118 é um dos projetos de infraestrutura com maior potencial de efeito estrutural sobre a logística e a indústria do Rio de Janeiro. A expectativa é que a ferrovia estabeleça uma nova conexão entre o Norte Fluminense, o Espírito Santo e outros corredores do Sudeste, ampliando as alternativas de transporte de cargas e reduzindo a dependência do modal rodoviário no estado.
A Firjan observa que a modelagem do projeto avançou nos últimos anos: a audiência pública foi concluída, o Plano de Outorga foi aprovado pelo Ministério dos Transportes e o processo encontra-se em análise no Tribunal de Contas da União (TCU). No entanto, até o momento, não há decisão conclusiva nem edital publicado.
“O projeto reúne uma perspectiva positiva, mas ainda depende da consolidação da segurança jurídica, da definição dos mecanismos de financiamento e de um cronograma que viabilize a publicação do edital e a realização do leilão”, pontua Siqueira. Ele ressalta que é preciso diferenciar o corredor completo do objeto inicial da concessão.
“Na totalidade, o projeto integral compreende aproximadamente 571 quilômetros entre Nova Iguaçu e Santa Leopoldina, mas a obrigação inicial está concentrada nos cerca de 246 quilômetros entre São João da Barra e Santa Leopoldina”, descreve, apontando que o trecho até Nova Iguaçu permanece condicionado a decisões, estudos e recursos futuros.
ATENÇÃO REDOBRADA - A agenda de implantação da EF-118 sofreu contratempos, mas continua na pauta de prioridades do governo federal. Entre os principais avanços está a criação de mecanismos específicos para financiar o projeto e permitir que a infraestrutura seja utilizada por diferentes operadores ferroviários.
Na visão de Siqueira, trata-se de uma abordagem capaz de ampliar o atendimento a diversas cadeias produtivas e favorecer a integração entre ferrovias, portos e polos industriais: “Ao mesmo tempo, a complexidade do modelo exige atenção redobrada. É necessário assegurar que os recursos previstos estejam efetivamente disponíveis”.
Outras necessidades elencadas são a definição clara das responsabilidades entre os agentes envolvidos e a transparência nas regras de acesso à ferrovia para os diferentes operadores. “Será igualmente importante evitar atrasos, conflitos regulatórios ou alterações contratuais que possam comprometer a execução do projeto ao longo do tempo”, frisa o presidente.
A conclusão da Firjan é que a concessão do trecho prioritário deve avançar, com acompanhamento próximo dos encaminhamentos do TCU e dos ajustes no edital. No entanto, a entidade defende que os estudos, o licenciamento e a estrutura de financiamento do trecho entre São João da Barra e Nova Iguaçu também progridam.
AMPLA ATRAÇÃO - A federação entende que essa ligação será determinante para ampliar os benefícios da ferrovia em todo o território fluminense. “A EF-118 representa a ampliação da malha ferroviária e a criação de uma nova conexão entre áreas de produção, portos, rodovias e outras ferrovias”, reforça Siqueira.
O dirigente aponta que a integração tem potencial para melhorar o transporte de cargas, ampliar as alternativas de escoamento para exportação, reduzir gargalos logísticos e conferir maior eficiência à cadeia produtiva, estimulando o desenvolvimento regional.
A atração de novos empreendimentos, terminais logísticos e atividades industriais está entre as possibilidades. “Abrem-se ainda oportunidades para fornecedores locais e para empresas de serviços, construção e manutenção, com efeitos diretos sobre a geração de emprego, renda e a qualificação da mão de obra especializada”, sintetiza Siqueira.
Por fim, a avaliação da Firjan é que o trecho prioritário já trará benefícios expressivos para o Norte Fluminense, mas a chegada da ferrovia a Nova Iguaçu será vital para integrá-la à Região Metropolitana, à malha da MRS e aos demais corredores logísticos do estado.
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