Maurício Cabral entende que a Estrada de Ferro 118 precisa estar integrada a um sistema multimodal eficiente Foto: Assessoria/Divulgação
Publicado 08/08/2026 12:23
Campos/Região — A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ainda não definiu quando será realizado o leilão de concessão da Estrada de Ferro 118 (EF-118), no interior do Estado do Rio de Janeiro, mas mantém a possibilidade de ele acontecer em dezembro deste ano, como parte de um pacote de dois leilões ferroviários agendados para o final do ano.
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Trata-se de um dos principais empreendimentos logísticos em estruturação para o eixo Sudeste brasileiro, ligando o Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), ao município de Santa Leopoldina (ES), com extensão total planejada de cerca de 571 a 575 quilômetros. O complexo portuário se manifesta como um dos principais interessados na conexão com a EF-118.
Em entrevista recente, o diretor de Terminais e Logística do porto, João Braz, ressaltou que, por ser um divisor de águas regional definitivo, a reativação do modal ferroviário refletirá fortemente nos projetos do complexo portuário. A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) também se posicionou com otimismo, definindo o projeto como tendo potencial de efeito estrutural sobre a logística e a indústria do estado.
Há unanimidade na expectativa de que a ferrovia estabeleça uma nova conexão entre o Norte Fluminense, o Espírito Santo e outros corredores do Sudeste, ampliando as alternativas de transporte de cargas e reduzindo a dependência do modal rodoviário no estado. A previsão de investimentos estimados gira em torno de R$ 7,7 bilhões para a implantação da infraestrutura.
No entanto, diante do risco de priorização apenas do trecho norte da ferrovia, em detrimento da ligação completa até a Região Metropolitana, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos dos Goytacazes (Acic), Maurício Cabral, defende que a EF-118 seja tratada como um projeto de estado e não apenas como uma obra regional.
“A implantação isolada de um trecho representa um avanço, mas não entrega todo o potencial econômico da ferrovia”, avalia Cabral, argumentando que a competitividade logística depende da integração completa da malha ferroviária, conectando o Norte Fluminense à Região Metropolitana, aos grandes centros consumidores, aos portos e às demais ferrovias nacionais.
INTEGRAÇÃO LOGÍSTICA - Para o líder classista, a prioridade deve ser a execução integral do projeto: “Uma ferrovia fragmentada reduz a eficiência logística, limita a atração de investimentos e diminui o impacto positivo esperado sobre a economia regional”, observa. Ele afirma que a Acic tem defendido permanentemente a integração logística da região por meio da participação em fóruns estaduais e nacionais.
Segundo Cabral, a iniciativa acontece junto à Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Rio de Janeiro (Facerj), à Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), ao Governo do Estado, à Prefeitura de Campos e demais instituições públicas e privadas.
“Também temos promovido debates técnicos sobre infraestrutura, logística e diversificação econômica, como ocorreu no evento Conexões Campos, que reuniu especialistas, empresários e representantes dos governos para discutir os principais investimentos estruturantes da região.” O objetivo é garantir que Campos seja reconhecida como um polo logístico estratégico.
Sobre o impacto esperado nos custos de frete e no escoamento da produção local com a operação da via, o empresário enfatiza que a experiência internacional demonstra que o transporte ferroviário é significativamente mais eficiente para cargas de grande volume e longas distâncias: “A implantação da EF-118 deverá reduzir custos logísticos para a indústria e o agronegócio”, aponta.
MICROEMPREENDEDOR — Outros impactos destacados são o aumento da competitividade das empresas da região; a diminuição do fluxo de caminhões nas rodovias; a redução do tempo de transporte; o fortalecimento da integração com os portos; além do estímulo a novos investimentos industriais e centros de distribuição: “Mais do que uma ferrovia, estamos falando de um vetor de desenvolvimento econômico regional”, acentua.
O impacto da chegada da ferrovia ao Norte Fluminense nas micro e pequenas empresas também é considerado pelo presidente da Acic: “Embora a ferrovia seja frequentemente associada às grandes indústrias, seus benefícios alcançam diretamente os microempreendedores”. Ele entende que a ferrovia, por si só, não resolve todos os desafios logísticos e precisa estar integrada a um sistema multimodal eficiente.
“Uma logística mais eficiente reduz custos de transporte, amplia mercados consumidores, facilita o abastecimento do comércio, melhora a competitividade e estimula a instalação de novas empresas”, realça, frisando que grandes investimentos em infraestrutura geram demanda por serviços, comércio, alimentação, hotelaria, manutenção, tecnologia, entre outros segmentos.
TEMOR DE PERDA — Na contramão do otimismo, Cabral admite que há temor de perda de competitividade para o comércio varejista e atacadista caso o projeto sofra atrasos ou divisões contratuais: “Cada atraso representa perda de oportunidades de investimento, empregos e competitividade. Hoje, existe uma intensa disputa entre estados e regiões pela atração de novos empreendimentos”, pontua.
No entendimento do empresário, a infraestrutura logística tornou-se um dos principais critérios de decisão para investidores: “Caso a implantação da EF-118 seja postergada ou fragmentada, outras regiões poderão captar investimentos que naturalmente poderiam ser direcionados ao Norte Fluminense. Por isso, defendemos segurança jurídica, planejamento e continuidade das obras”.
Sobre os investimentos em infraestrutura urbana e viária que o município precisa fazer para conectar os centros comerciais aos futuros terminais ferroviários, Cabral lista: melhoria e duplicação de acessos rodoviários; modernização da malha urbana; criação de áreas logísticas e centros de distribuição; planejamento de distritos industriais; conexão eficiente com aeroportos e portos; infraestrutura tecnológica e digital; e sinalização, mobilidade e segurança.
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