Empresários conheceram estratégia para o desenvolvimento da região definida através do Complexo Logístico Foto Firjan/Divulgação
Publicado 14/08/2026 15:51
Campos/Região – Por iniciativa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), empresários de Campos dos Goytacazes, São João da Barra e Macaé acabam de conhecer o planejamento para implantação da unidade de reciclagem de embarcações e estruturas offshore projetada para Barra do Furado, na foz do Canal das Flechas, divisa entre Campos e Quissamã.
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O investimento estimado de cerca de R$ 800 milhões a R$ 950 milhões e o responsável principal é a empresa BR Offshore, cujo CEO, Ricardo Vianna, foi quem apresentou o projeto aos empresários, nessa quarta-feira (13), durante reunião de Conselho na Representação Regional, em Campos. Está prevista a geração de e 2.000 a 4.000 empregos, divididos entre as fases de construção e operação do estaleiro.
Embora o empreendimento seja 100% financiado pela iniciativa privada, o ex-prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, atuou diretamente na viabilização política e logística do Complexo Logístico Industrial Farol-Barra do Furado. Coube a ele coordenar a agilização dos trâmites burocráticos e dar a segurança jurídica necessária para a instalação do estaleiro.

A pedra fundamental foi lançada no dia 22 de março, durante cerimônia m Barra do Furado, entre Campos e Quissamã. O projeto envolve uma área de aproximadamente seis milhões de metros quadrados, para atender demandas de apoio logístico e reciclagem de partes, equipamentos e estruturas de embarcações e plataformas de petróleo e gás.

De acordo com o presidente da Firjan Norte, Francisco Roberto de Siqueira, a combinação entre a localização de Barra do Furado, a disponibilidade de mão de obra e a proximidade com importantes ativos da indústria de óleo e gás reforça o potencial do empreendimento para consolidar a região como um polo de apoio, logística, descomissionamento e reciclagem da cadeia offshore.

DEMANDA MUNDIAL - “A implantação do projeto Barra do Furado representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento da região”, comenta Siqueira acentuando que é um empreendimento que vai atrair investimentos, gerar empregos, movimentar a economia e agregar ainda mais valor à vocação industrial e energética do território fluminense.

A previsão é que as obras tenham início entre o final deste ano e o começo de 2027. Ricardo Vianna pontua que a iniciativa responde a uma demanda crescente, tanto nacional quanto internacional, por serviços especializados de reciclagem e descomissionamento: “Existe uma demanda mundial por serviços de reciclagem de embarcações”.

Vianna enfatiza que, no Brasil, haverá nos próximos anos um volume significativo de unidades flutuantes que precisarão ser descomissionadas e a capacidade hoje é insuficiente para atender a demanda: “Barra do Furado reúne características estratégicas para esse tipo de operação”, destaca frisando que atualmente apenas um estaleiro no Rio Grande do Sul atua com esse tipo de descomissionamento.

IMPACTO POSITIVO - O empresário relata que o projeto também está relacionado à crescente demanda da indústria siderúrgica por sucata metálica: “A siderurgia brasileira consome cerca de 2,5 milhões de toneladas de sucata metálica por ano e importa aproximadamente cinco milhões de toneladas do material”, resume Vianna que ratifica o impacto positivo da reciclagem de estruturas provenientes da indústria de óleo e gás.

“Essa reciclagem pode contribuir para ampliar a oferta de matéria-prima para a siderurgia e, consequentemente, para os esforços de descarbonização do setor”. O diretor da BR Offshore exemplifica que, somente a reciclagem de embarcações de óleo e gás movimentou cerca de nove milhões de toneladas de material nos últimos dez anos.

“No Brasil, a expectativa é de que, nos próximos dez anos, a reciclagem de embarcações e estruturas de óleo e gás possa representar 1,5 milhão de toneladas de aço reciclado e gerar receita estimada em R$ 5 bilhões com a comercialização do aço reciclável. A expectativa é que o projeto em Barra do Furado possa criar novas oportunidades para empresas fornecedoras de bens e serviços da região Norte Fluminense.


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