Publicado 31/08/2026 00:00
Dentro de um mês, o Brasil irá às urnas para uma eleição profundamente polarizada. O cenário atual apresenta candidatos que não conseguem empolgar o eleitorado, tampouco despertam a confiança das forças vivas da sociedade para superar problemas de dimensões preocupantes.
PublicidadeÉ alarmante que um país com a relevância do Brasil — atual 12ª economia mundial (tendo sido a 8ª em 1985) e com forte protagonismo na cultura e no esporte — não tenha sido capaz de projetar lideranças de real valor para uma disputa verdadeiramente democrática.
O presidente Lula, embora seja uma referência histórica de liderança política e esteja em um inédito terceiro mandato — cogitando-se até uma disputa pelo quarto mandato aos 80 anos —, não apresenta uma gestão de resultados positivos. O governo atual vive das lembranças de mandatos passados, períodos nos quais o presidente contou com conjunturas nacionais e internacionais extremamente favoráveis. Do outro lado, o campo da oposição carece de novos rumos, e os principais postulantes enfrentam dificuldades para consolidar alianças partidárias robustas e atrair vices de outras legendas importantes. Inclusive, os núcleos duros dessas articulações muitas vezes deixam de fora nomes de destaque técnico e político que marcaram a gestão anterior, como Paulo Guedes, Tereza Cristina e Tarcísio de Freitas.
Além disso, a fragmentação política indica que haverá grande dificuldade para construir uma base sólida no Congresso Nacional. O desenho que se projeta para o Parlamento não corresponde, necessariamente, à maioria desejável para que o futuro eleito consiga governar com estabilidade. Seja quem for o vencedor, o próximo presidente enfrentará imensos obstáculos para aprovar reformas estruturais.
O fato mais curioso e preocupante é que o eleitor médio, em todas as camadas sociais, ainda não percebeu que essa polarização cega não atende aos interesses nacionais em um momento tão delicado. A parcela da população que genuinamente se preocupa com o futuro do país chega a uma conclusão desalentadora: vença quem vencer, o derrotado será sempre o sofrido povo brasileiro.
O que vivenciamos hoje não é o pleno exercício da democracia, mas sim um estado de total alienação política. Estamos caminhando às cegas rumo a um futuro incerto, o que configura um retrocesso lamentável.
Quem viver verá.
Aristóteles Drummond é jornalista
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