A escola em tempo integral previne a criminalidade e oferece oportunidadePrefeitura de Diamantino
Publicado 18/08/2026 06:46 | Atualizado 18/08/2026 07:43
Quando a escola ocupa mais tempo na vida de um jovem, o crime ocupa menos espaço. Não é apenas uma impressão. Um estudo realizado por economistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a partir de dados de 2012 a 2024 da cidade de São Paulo (SP), encontrou uma relação bastante expressiva entre a expansão das escolas em tempo integral e a redução da criminalidade em seu entorno.
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Os pesquisadores analisaram 305 escolas que aderiram ao ensino integral e cruzaram sua localização com os registros de ocorrências da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. O resultado chamou atenção: os crimes contra o patrimônio caíram 7,3% em um raio de 500 metros das escolas. Os roubos tiveram redução de 9,5%. Os furtos de veículos diminuíram 21,2%. Os roubos contra pedestres caíram 12,1% nos dias e horários de aula e 8,8% quando considerados todos os horários. Entre adolescentes, houve queda de 64,4% nos furtos e de 22,8% nos roubos praticados nas proximidades das escolas de tempo integral.
Há uma espécie de lição escondida nesses números, que provavelmente se encaixa perfeitamente à realidade do estado do Rio de Janeiro: quando um adolescente permanece mais tempo na escola, sob supervisão, convivendo com professores e colegas e envolvido em atividades pedagógicas, diminui a janela de oportunidade para que ele se envolva com a criminalidade.
Existe ainda um terceiro elemento: o ambiente. O jovem é profundamente influenciado pelas pessoas com quem convive. Uma escola que estimula o estudo, a disciplina, a curiosidade e a realização pessoal cria uma espécie de contágio positivo. O empenho de uns pode estimular o empenho de outros.
O Brasil já começa a perceber essa mudança. O ensino médio em tempo integral atende atualmente 1,8 milhão de jovens, o equivalente a 26,8% do total. E os resultados educacionais também são promissores: no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, o ensino médio integral alcançou 4,7 pontos, acima dos 4,3 registrados pelo ensino regular.
É claro que tempo integral, sozinho, não resolve todos os problemas da educação. Como sustenta o professor e ex-senador Cristovam Buarque, não basta manter o aluno mais horas na escola se não houver professores valorizados, infraestrutura adequada, alimentação, atividades culturais e esportivas, apoio pedagógico e um projeto educacional capaz de fazer essas horas adicionais terem sentido. Cabe aos governos fazer esse dever de casa.
Talvez a maneira mais inteligente de combater o crime não seja apenas perguntar onde colocar mais policiamento, mas também perguntar onde queremos que nossos jovens estejam quando poderiam estar vulneráveis ao crime. A resposta deveria ser óbvia: na escola. Aprendendo. Convivendo. Criando. Sonhando. E, sobretudo, descobrindo que um futuro melhor está ao alcance de todos.
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