Segundo a PNAD Contínua, 69,1% dos trabalhadores ganham até dois salários mínimosMarcelo Casal Jr - Agência Brasil
Publicado 28/08/2026 06:04 | Atualizado 28/08/2026 07:38
Há números que ajudam a contar a história de um país. O dado de que 69,1% dos trabalhadores ocupados no Brasil ganham até dois salários mínimos é um deles. Significa que quase sete em cada dez pessoas que trabalham vivem dentro de uma faixa de renda que, em 2026, chega a R$ 3.242 por mês.
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Baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do segundo trimestre de 2026, o levantamento mostra uma característica persistente do mercado de trabalho brasileiro: a maioria trabalha e movimenta a economia recebendo relativamente pouco. A renda média do trabalhador brasileiro está em R$ 3.738, equivalente a 2,3 salários mínimos. Dos ocupados, 32,2% recebem até um salário mínimo. Na outra ponta, estão 0,5% que ganham mais de 20 salários mínimos (R$ 32.420). Entre esses dois extremos, está a imensa maioria dos brasileiros que vivem do próprio trabalho e se viram para pagar as contas do mês.
Apesar das transformações ocorridas na economia e no mercado de trabalho ao longo de mais de uma década, a estrutura de renda mudou pouco. Isso mostra que aumentar o salário mínimo é importante, mas não suficiente. O Brasil precisa também aumentar a produtividade, qualificar sua mão de obra, estimular atividades econômicas capazes de gerar empregos melhores e ampliar o acesso da população à educação e à formação profissional. É preciso fazer com que mais trabalhadores consigam subir na escala de renda, e não apenas reajustar o degrau mais baixo.
O Rio de Janeiro, por sua vez, reúne condições importantes para ajudar a mudar essa realidade. O estado possui universidades de excelência, centros de pesquisa, instituições de formação profissional, infraestrutura e uma economia diversificada, ainda que hoje tenha forte dependência da cadeia de petróleo e gás. Ao lado desse setor, existem oportunidades em áreas como saúde e indústria farmacêutica, tecnologia, energia, turismo, economia do mar, logística, indústria, economia criativa e inovação. O desafio é transformar esse conhecimento e esse potencial econômico em mais empresas, empregos qualificados e oportunidades capazes de levar uma parcela maior da população para faixas de renda mais elevadas.
Os números da PNAD Contínua deixam uma mensagem que vai além da estatística: o desafio brasileiro não é somente garantir que o trabalhador tenha emprego; é garantir que o emprego seja capaz de proporcionar uma vida melhor. Afinal, quando tanta gente trabalha e sobrevive com pouco, o problema deixa de ser individual. Passa a ser um retrato da própria economia brasileira — e um convite para pensar que país queremos construir nas próximas décadas.
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