A Petrobras é uma empresa estratégica para o Estado brasileiroAgência Petrobras
Petrobras, um patrimônio estratégico para o Brasil
Manter a Petrobras sob controle da União é preservar um patrimônio estratégico, capaz de transformar recursos naturais em desenvolvimento para o Brasil.
Discutir a manutenção da Petrobras como empresa estatal de capital misto é discutir mais do que petróleo. É discutir soberania, capacidade tecnológica e a possibilidade de o Brasil definir, de acordo com seus próprios interesses, os rumos de um setor estratégico para sua economia. Não por acaso, a manutenção da atual condição da maior companhia brasileira é defendida pelos dois candidatos que lideram as pesquisas para a Presidência da República este ano.
A história da Petrobras ajuda a entender por quê. A descoberta e o desenvolvimento da Bacia de Campos, o avanço tecnológico que tornou possível explorar águas profundas e ultraprofundas e, posteriormente, a descoberta do pré-sal são capítulos de uma trajetória construída com investimentos de longo prazo e uma enorme capacidade de pesquisa. A própria Universidade Petrobras registra que a companhia foi precursora e líder no planejamento e na execução das atividades exploratórias que levaram à descoberta do pré-sal, uma das maiores descobertas em águas ultraprofundas da história mundial.
É razoável imaginar que uma empresa privada pudesse participar de parte desse processo. Mas uma empresa estatal tem condições diferentes para assumir riscos, sustentar investimentos de longo prazo e priorizar projetos cujo retorno não seja apenas financeiro e imediato. Foi essa visão estratégica que permitiu formar equipes de especialistas brasileiros capazes de desenvolver conhecimento próprio e colocar o país na vanguarda mundial da exploração offshore. A Petrobras acumulou tecnologias reconhecidas internacionalmente, inclusive com premiações por soluções desenvolvidas para águas profundas e para o pré-sal.
Agora esse conhecimento volta a ser colocado à prova na Margem Equatorial, uma nova fronteira exploratória brasileira. A Petrobras prevê investimentos de 2,5 bilhões de dólares na região até 2030, além de utilizar décadas de experiência acumulada em províncias petrolíferas como a Bacia de Campos e o pré-sal.
Privatizar a Petrobras, portanto, não seria simplesmente mudar a composição acionária de uma empresa. Seria abrir mão de um dos principais instrumentos que o Brasil construiu para transformar recursos naturais em conhecimento, tecnologia, empregos, arrecadação e desenvolvimento. Uma empresa pública eficiente, transparente e submetida a rigorosos mecanismos de controle pode cumprir uma função que vai muito além da produção de petróleo: ajudar o país a decidir seu próprio futuro.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.