Publicado 14/05/2026 19:38 | Atualizado 14/05/2026 22:17
Rio - O lançamento do livro 'Luar: O último repórter dos Anos de Chumbo', da escritora Elenilce Bottari, reuniu dezenas de amigos e admiradores do jornalista Luarlindo Ernesto no salão da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro do Rio, na noite desta quinta-feira (14). Aos 82 anos, sendo 68 deles dedicado à profissão, o repórter-símbolo do Jornal O DIA chegou ao local do lançamento muito reverenciado - os 150 livros disponíveis foram vendidos em menos de duas horas.
Publicidade"Veio muita gente. Estou muito feliz. Poder reencontrar tantos amigos é uma grande honra para mim. Estou muito honrado e muito feliz", disse o homenageado da noite, em êxtase.
Luarlindo se tornou uma lenda da crônica policial ao participar de eventos históricos, como a prisão do mafioso Tommaso Buscetta e a cobertura do atentado ao Riocentro, que lhe rendeu um dos seus três prêmios Esso, considerado o mais importante do jornalismo.
O livro segue a ideia de dois amigos conversando em um bar, contando crônicas vividas por Luarlindo. A produção do material contou tanto com as memórias do repórter quanto as pesquisas de Elenilce relacionadas aos eventos históricos. A obra ainda tem o importante papel de resgatar a história oral das redações, uma vez que o texto apresenta os bastidores de casos que ajudaram a criar o jornalismo investigativo policial.
Em entrevista ao DIA, Elenilce Bottari se disse surpresa com a repercussão e a comoção em torno do lançamento do livro. Segundo a autora, a mobilização espontânea de amigos, colegas e admiradores nas redes sociais evidenciou a relevância e o carinho que Luarlindo a desperta.
"É muito bonito ver tanta gente reunida. Para mim, é uma surpresa enorme. Nós esperávamos a presença de colegas e amigos, porque a história do Luarlindo é muito bonita e ele é uma pessoa fantástica, mas essa mobilização foi algo realmente emocionante. Houve um movimento espontâneo de pessoas divulgando o livro em jornais, no rádio e nas redes sociais, e isso foi muito bonito. Receber tantas pessoas queridas no mesmo dia é uma grande felicidade", afirmou.
Elenilce também destacou a emoção de ver Luarlindo cercado pelo carinho de amigos e admiradores. "Ele está radiante, muito feliz. E isso é a melhor recompensa que eu poderia ter", disse.
"É muito bonito ver tanta gente reunida. Para mim, é uma surpresa enorme. Nós esperávamos a presença de colegas e amigos, porque a história do Luarlindo é muito bonita e ele é uma pessoa fantástica, mas essa mobilização foi algo realmente emocionante. Houve um movimento espontâneo de pessoas divulgando o livro em jornais, no rádio e nas redes sociais, e isso foi muito bonito. Receber tantas pessoas queridas no mesmo dia é uma grande felicidade", afirmou.
Elenilce também destacou a emoção de ver Luarlindo cercado pelo carinho de amigos e admiradores. "Ele está radiante, muito feliz. E isso é a melhor recompensa que eu poderia ter", disse.
Entre idas e vindas, Luar acompanha a história do DIA desde 1974 e está em sua terceira passagem pelo jornal - esta ininterrupta há 30 anos. Apaixonado pela profissão, ele segue na ativa com seu bom humor incomparável.
Para o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Octávio Costa, sediar o lançamento do livro tem um significado especial. Segundo ele, a ABI é reconhecida como a casa dos jornalistas e como um espaço histórico de defesa da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa.
"É muito importante receber na ABI um jornalista como Luarlindo Ernesto da Silva, que construiu uma trajetória marcante no jornalismo brasileiro. Ainda muito jovem, aos 20 anos, já trabalhava no Última Hora. Ao longo da carreira, acompanhou acontecimentos importantes e se destacou como um grande repórter. Sua história tem tudo a ver com a ABI, que reúne e preserva a memória do jornalismo no Brasil. Luarlindo faz parte dessa história", afirma.
Octávio Costa também relembrou a convivência profissional com o homenageado. "Embora não tenhamos atuado exatamente na mesma área, fomos colegas de redação no Jornal do Brasil. Também nos reencontramos quando eu era diretor da edição carioca de Brasil Econômico e ele trabalhava no DIA. Ao longo desses anos, acompanhei de perto o trabalho dele e as muitas histórias que ajudou a contar", destacou.
"É muito importante receber na ABI um jornalista como Luarlindo Ernesto da Silva, que construiu uma trajetória marcante no jornalismo brasileiro. Ainda muito jovem, aos 20 anos, já trabalhava no Última Hora. Ao longo da carreira, acompanhou acontecimentos importantes e se destacou como um grande repórter. Sua história tem tudo a ver com a ABI, que reúne e preserva a memória do jornalismo no Brasil. Luarlindo faz parte dessa história", afirma.
Octávio Costa também relembrou a convivência profissional com o homenageado. "Embora não tenhamos atuado exatamente na mesma área, fomos colegas de redação no Jornal do Brasil. Também nos reencontramos quando eu era diretor da edição carioca de Brasil Econômico e ele trabalhava no DIA. Ao longo desses anos, acompanhei de perto o trabalho dele e as muitas histórias que ajudou a contar", destacou.
Entre os presentes no lançamento também estava o contraventor Ailton Guimarães Jorge, mais conhecido como Capitão Guimarães. Ele afirmou que decidiu participar do evento motivado pela curiosidade de conhecer, pelas palavras de Luarlindo Ernesto da Silva, histórias vividas ao longo de mais de sete décadas no jornalismo.
"Vim justamente para comprar o livro e conhecer essas histórias de 70 anos atrás contadas por quem as viveu. Gosto muito da história do Rio Antigo e quero ver se o livro retrata aquilo que guardo na memória sobre essa época. É importante preservar esses bastidores das crônicas policiais do Luarlindo", afirmou.
O jornalista Jorge Antônio Barros, especializado em cobertura policial e segurança pública, destacou a influência decisiva de Luarlindo na formação de diversas gerações de repórteres. Os dois trabalharam juntos na redação do Jornal do Brasil, onde Jorge Antônio Barros chegou como estagiário, em 1981. Segundo ele, Luarlindo se tornou rapidamente uma referência profissional e humana para os jornalistas mais jovens.
"Eu trabalhei com ele na redação do Jornal do Brasil, onde cheguei como estagiário em 1981 e aprendi muita coisa. O Luarlindo sempre foi um exemplo de profissional, de repórter, apaixonado pela profissão, que transmitia para a gente esse amor, essa dedicação e esse sangue correndo nas veias pelo bom jornalismo", afirma.
Barros lembra que, em uma redação repleta de grandes nomes, Luarlindo se destacava pela generosidade e pela disposição em compartilhar experiências com os colegas em início de carreira. "Entre tantos monstros sagrados da reportagem, o Luarlindo era uma mãe para o jovem repórter, para o repórter iniciante. Ele sentava, contava histórias do passado e não tinha nenhum problema em revelar seus fracassos, assim como seus sucessos", recordou.
Uma das lembranças mais marcantes citadas por Jorge Antônio Barros remete a um incêndio ocorrido na Rua Marquês de Abrantes, no Flamengo, no fim da década de 1980. Mesmo de folga, Luarlindo demonstrou o mesmo faro jornalístico que o tornou conhecido ao longo da carreira.
"O Luarlindo estava de folga e passava pela Marquês de Abrantes quando aconteceu um incêndio. Várias pessoas se jogaram pela janela. Essa história ficou marcada porque mostrava exatamente o espírito de repórter que ele tinha, sempre atento e pronto para acompanhar os acontecimentos", contou.
"Eu trabalhei com ele na redação do Jornal do Brasil, onde cheguei como estagiário em 1981 e aprendi muita coisa. O Luarlindo sempre foi um exemplo de profissional, de repórter, apaixonado pela profissão, que transmitia para a gente esse amor, essa dedicação e esse sangue correndo nas veias pelo bom jornalismo", afirma.
Barros lembra que, em uma redação repleta de grandes nomes, Luarlindo se destacava pela generosidade e pela disposição em compartilhar experiências com os colegas em início de carreira. "Entre tantos monstros sagrados da reportagem, o Luarlindo era uma mãe para o jovem repórter, para o repórter iniciante. Ele sentava, contava histórias do passado e não tinha nenhum problema em revelar seus fracassos, assim como seus sucessos", recordou.
Uma das lembranças mais marcantes citadas por Jorge Antônio Barros remete a um incêndio ocorrido na Rua Marquês de Abrantes, no Flamengo, no fim da década de 1980. Mesmo de folga, Luarlindo demonstrou o mesmo faro jornalístico que o tornou conhecido ao longo da carreira.
"O Luarlindo estava de folga e passava pela Marquês de Abrantes quando aconteceu um incêndio. Várias pessoas se jogaram pela janela. Essa história ficou marcada porque mostrava exatamente o espírito de repórter que ele tinha, sempre atento e pronto para acompanhar os acontecimentos", contou.
Trajetória de sucesso
As inúmeras histórias vividas pelo repórter em mais de 60 anos de atuação renderam reconhecimento e admiração. No Jornal do Brasil, ele ganhou dois prêmios Esso por equipe. Um pelo trabalho realizado na cobertura do atentado ao Riocentro, em 1981, e outra por uma série de reportagens que o jornal fez com três repórteres morando em comunidades do Rio contando como a vizinhança vivia e sua realidade.
Luarlindo Ernesto teve o primeiro emprego no jornal Última Hora aos 14 anos. Na época, fazia ligações para as delegacias durante a madrugada para 'caçar' pautas. Depois de uma passagem pelo Exército, ele foi admitido, aos 19, como repórter e cuidava do que acontecia no Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon.
Luarlindo Ernesto teve o primeiro emprego no jornal Última Hora aos 14 anos. Na época, fazia ligações para as delegacias durante a madrugada para 'caçar' pautas. Depois de uma passagem pelo Exército, ele foi admitido, aos 19, como repórter e cuidava do que acontecia no Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon.
Histórias do Luar
Assalto ao restaurante Fiorentina
"Eu tinha uma namorada que era casada e eu fui no restaurante Fiorentina para mostrar que era exuberante e tal. Só que o restaurante foi assaltado pelo Lúcio Flávio, que estudou comigo, servimos juntos ao exército. O Lúcio Flávio havia acabado de fugir, uma fuga espetacular do Presídio Frei Caneca. Havia uma ideia de que talvez ele tivesse sido sequestrado pelo Mariano, inimigo dele. Não se sabia se ele tinha fugido ou se estava morto, e a minha pauta era procurar pistas do Lúcio Flávio. Então, eu estava no restaurante, comecei a namorar, e ouço o barulho: ‘É um assalto’. Eu reconheci a voz, sabia que era o Lúcio Flávio. Coloquei isso no jornal? Nunca. Eu teria que dizer que o assaltante do restaurante era o Lúcio Flávio e eu estava lá com amante. Dias depois, ele é preso. No momento de uma entrevista coletiva, ele diz: ‘Nunca fui um cara violento. Só naquele dia porque o garçom foi se meter comigo. Não é não, Luar?’ Então, ele conta a história do assalto que ninguém sabia e eu coloquei no jornal como se tivesse tomado conhecimento naquele momento".
Presente holandês
"O Fred era chefe de máquina de navio europeu, fazia transporte de gás, petróleo. Uma vez, ele passou na Holanda para carregar ou descarregar uma carga, acho que era o Porto de Roterdã, e comprou uma garrafinha do tipo bico de jaca. Mandou para a mulher e pediu para me entregar, porque tinha esquecido meu endereço. Eu estava passando de carro em frente à porta deles e ela me viu, me parou e disse que o Fred havia mandado um presente para mim. Chegando em casa, eu abri e vi o rótulo dizendo que era holandês. Nunca falei holandês nem bêbado. Mas o Fred era ‘biriteiro’ e eu também, então eu destampei e bebi. Quando ele chegou, me perguntou:
Assalto ao restaurante Fiorentina
"Eu tinha uma namorada que era casada e eu fui no restaurante Fiorentina para mostrar que era exuberante e tal. Só que o restaurante foi assaltado pelo Lúcio Flávio, que estudou comigo, servimos juntos ao exército. O Lúcio Flávio havia acabado de fugir, uma fuga espetacular do Presídio Frei Caneca. Havia uma ideia de que talvez ele tivesse sido sequestrado pelo Mariano, inimigo dele. Não se sabia se ele tinha fugido ou se estava morto, e a minha pauta era procurar pistas do Lúcio Flávio. Então, eu estava no restaurante, comecei a namorar, e ouço o barulho: ‘É um assalto’. Eu reconheci a voz, sabia que era o Lúcio Flávio. Coloquei isso no jornal? Nunca. Eu teria que dizer que o assaltante do restaurante era o Lúcio Flávio e eu estava lá com amante. Dias depois, ele é preso. No momento de uma entrevista coletiva, ele diz: ‘Nunca fui um cara violento. Só naquele dia porque o garçom foi se meter comigo. Não é não, Luar?’ Então, ele conta a história do assalto que ninguém sabia e eu coloquei no jornal como se tivesse tomado conhecimento naquele momento".
Presente holandês
"O Fred era chefe de máquina de navio europeu, fazia transporte de gás, petróleo. Uma vez, ele passou na Holanda para carregar ou descarregar uma carga, acho que era o Porto de Roterdã, e comprou uma garrafinha do tipo bico de jaca. Mandou para a mulher e pediu para me entregar, porque tinha esquecido meu endereço. Eu estava passando de carro em frente à porta deles e ela me viu, me parou e disse que o Fred havia mandado um presente para mim. Chegando em casa, eu abri e vi o rótulo dizendo que era holandês. Nunca falei holandês nem bêbado. Mas o Fred era ‘biriteiro’ e eu também, então eu destampei e bebi. Quando ele chegou, me perguntou:
- Gostou?
- É bem forte…
- Você bebeu?
- Bebi.
- É perfume, seu maluco!
Relatório da bomba no Riocentro
"O Jornal do Brasil fez a melhor cobertura do atentado ao Riocentro, ganhou até prêmio. Só que a Globo conseguiu o relatório do Exército primeiro. Claro que era um relatório totalmente imparcial, mas não interessava. Toda a imprensa estava atrás. Eu estava no Jornal do Brasil durante a madrugada e, naquela época, os jornais trocavam figurinhas. Quando eu vi, mandei pararem as máquinas. Copiei até os erros, porque não tinha tempo".
Prisão de Tommaso Buscetta
"A história começa em 1972, quando o Tommaso é preso no Paraná e deportado. Ele consegue fugir e, dez anos depois, volta ao Brasil. Não havia registro de movimentação do Tommaso no Brasil em 1982, fui eu quem localizei. Depois, fui chamado para prestar depoimento na Itália, porque também havia o processo por tráfico internacional. Eu contei só a metade para me chamarem para depor novamente. Quando eu voltei, estava em Angra e vi a notícia na televisão de que o Tommaso havia morrido. Morreu para me sacanear e não consegui voltar de graça para a Itália. Minha mulher conheceu Roma, mas eu só ia a trabalho".
- É bem forte…
- Você bebeu?
- Bebi.
- É perfume, seu maluco!
Relatório da bomba no Riocentro
"O Jornal do Brasil fez a melhor cobertura do atentado ao Riocentro, ganhou até prêmio. Só que a Globo conseguiu o relatório do Exército primeiro. Claro que era um relatório totalmente imparcial, mas não interessava. Toda a imprensa estava atrás. Eu estava no Jornal do Brasil durante a madrugada e, naquela época, os jornais trocavam figurinhas. Quando eu vi, mandei pararem as máquinas. Copiei até os erros, porque não tinha tempo".
Prisão de Tommaso Buscetta
"A história começa em 1972, quando o Tommaso é preso no Paraná e deportado. Ele consegue fugir e, dez anos depois, volta ao Brasil. Não havia registro de movimentação do Tommaso no Brasil em 1982, fui eu quem localizei. Depois, fui chamado para prestar depoimento na Itália, porque também havia o processo por tráfico internacional. Eu contei só a metade para me chamarem para depor novamente. Quando eu voltei, estava em Angra e vi a notícia na televisão de que o Tommaso havia morrido. Morreu para me sacanear e não consegui voltar de graça para a Itália. Minha mulher conheceu Roma, mas eu só ia a trabalho".
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