Publicado 10/08/2026 05:00
Rio - O filme "Corrida dos Bichos" está disponível no Prime Video e aposta em uma ficção científica com identidade brasileira. Ambientado em um futuro distópico, a produção acompanha um Rio de Janeiro marcado pela desigualdade em que uma competição inspirada no jogo do bicho movimenta a trama. O longa mistura ação e crítica social para discutir temas como poder, exclusão e os limites da sobrevivência.
PublicidadeNo centro da trama está Mano (Matheus Abreu), que rejeita o sistema que move aquela sociedade, mas é obrigado a entrar na competição para salvar a irmã, Dalva (Thainá Duarte), usada como garantia pelo namorado em uma aposta.
"A gente tem um período da morte na história, que são exatamente as pessoas que não concordam com aquilo. E ele tomar a frente desse caos para combater um caos ainda maior é muito forte. Acho que só esse desafio, de ver uma pessoa amada envolvida naquilo, é o que realmente faz ele ter que dobrar o joelho para aquilo que ele sempre combateu", analisa o ator.
Ele afirma que o preparo foi muito além do condicionamento físico exigido pelas cenas de corrida. "A parte emocional sobressaiu muito mais à parte física, de realmente entender o que é essa distopia, esse universo que a gente está contando, e o que essa nova realidade realmente impacta no seu dia a dia e no contato que você tem ou não com as pessoas que você ama".
O processo também exigiu adaptação de Isis Valverde. A artista interpreta Nadine, personagem que circula entre os magnatas e a classe baixa da sociedade. "Fazer essa construção interna, o trabalho com essas relações, que quase nunca é dito como foram construídas ou de onde vieram, foi muito interessante. Então, acho que foi muito interessante transitar entre os dois universos ao mesmo tempo no filme, para mim", diz.
A atriz encarou pela primeira vez uma produção repleta de efeitos visuais e cenários construídos com fundo verde. "Eu nunca tinha trabalhado nesse universo da ficção, então foi muito legal experimentar isso. Mas, às vezes, quando eu saía, via um mundo realmente deteriorado, totalmente recortado de uma forma muito crua. Era muito chocante. E isso despertava muitos sentimentos".
Para João Guilherme, o cenário construído pelo filme chama atenção por partir de elementos que já existem. "O que eu vi era real, não era como o futuro poderia ser. A gente viu algumas áreas do Rio de Janeiro que eu não conhecia, porque não sou daqui, mas bem no Centro, com umas construções antigas, meio industriais, abandonadas", conta.
Já Bruno Gagliasso se surpreendeu com o resultado final. Como gravou todas as cenas em ambientes internos, o ator só teve dimensão ao assistir o longa. "Fiquei tão impactado quando vi o filme e os meus colegas nas externas, aquelas corridas e aquele mar vazio. Quer dizer, mar não, aquela falta de água. Eu fiquei muito impactado, mais até do que quando li o roteiro. Mas é porque eu não tive essas cenas fora, só no cinema", relata.
Além do impacto visual, Gagliasso ressalta a importância de uma produção nacional do gênero chegar ao streaming. "Qualquer projeto, no momento que a gente está vivendo no cinema brasileiro, é muito importante. É um filme que não vai para as salas de cinema, e é tão importante quanto, porque eu acho que é o nosso cinema, com a nossa cara, feito com talentos brasileiros".
Na avaliação de Rodrigo Santoro, "Corrida dos Bichos" utiliza uma alegoria inspirada na cultura brasileira para abordar questões que ultrapassam a ficção. "A possibilidade de discutir assuntos universais, como a desigualdade social, as dinâmicas de poder, o próprio espetáculo, a cultura da espetacularização, que eu acho que é um modo de vida em que a imagem e a aparência dominam a essência", afirma.
O ator acredita que o filme não impõe uma única interpretação, mas aposta na experiência individual de cada espectador. "É muito difícil esperar que o público entenda alguma mensagem específica ou se identifique com algo. [...] Vai ter gente que vai pensar, por exemplo, na promessa da juventude eterna, com esses genéticos, ou dizer: 'Cara, se o Rio de Janeiro ficasse dessa forma...'", pontua.
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