João Velho integra elenco do espetáculo ’Eles Não Usam Black-Tie’Divulgação/Jean Barreto
Publicado 25/08/2026 19:38 | Atualizado 25/08/2026 19:51
Rio - Escrito por Gianfrancesco Guarnieri em 1956, o espetáculo "Eles Não Usam Black-Tie" atravessa gerações e ganha nova temporada no ano em que a morte do dramaturgo completa duas décadas. A montagem da Única Companhia de Teatro, sob a direção de João Velho, fica em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), na Cinelândia, até o dia 30 de agosto. Ambientada em uma comunidade carioca, o texto acompanha uma família trabalhadora diante dos impactos de uma greve. 
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"Pode representar o Guarnieri e ter também o apoio da família do Guarnieri e dos filhos que foram sempre acessíveis. Quando eu comecei a procurar a família dele e contar a história do início ali do nosso grupo, como é que nasceu, eles imediatamente toparam e falaram, 'poxa, isso é o tipo de coisa que o nosso pai adoraria que fosse'", relembra o diretor. 
Com elenco majoritariamente periférico, a montagem passou por teatros da Zona Sul antes de chegar novamente à Cinelândia. "A gente recebe no centro pessoas que estão já querendo ver essa peça no lugar interessante de identificação também. Então é muito rico tudo isso. Fazer a peça num lugar, numa zona sul, majoritariamente elitizada ali, depois vir para o centro da cidade, esse trajeto é muito interessante. E a relação, claro, que muda". 
Embora escrita em outro contexto histórico, o espetáculo, na visão de João Velho, permanece ligada às questões do presente. "A essência se mantém atemporal, no sentido que atravessa o tempo, e mesmo que em diferentes épocas ela pode não fazer sentido tanto, mas hoje em dia é incrível como a gente precisa ouvir esse texto no momento político que a gente está vivendo agora. Acredito que as greves e as lutas de classe estão modificadas, a gente tem aí uma batalha, mas ainda assim estão acontecendo", analisa.
O diretor ressalta que o texto propõe um diálogo entre o realismo do texto e outras possibilidades da linguagem teatral. "Eu acho que essa peça pede algum distanciamento e alguma quebra de porta-parede. E a gente encontrou alguns momentos para poder realizar essa operação de forma que também não destituísse o que o Guarnieri pede na peça também, como o autor. Então é uma traição, mas ao mesmo tempo é uma traição que respeita o texto", destaca. 
Além do teatro, João Velho integra o elenco da série "Impuros", do Disney+. "Foi uma das coisas mais gratificantes na minha carreira no audiovisual, na televisão e cinema. A série é incrível, é uma das melhores séries que tem hoje em dia, talvez a melhor, posso dizer também, é difícil falar isso, porque eu faço a série, enfim, sou suspeito. [...] Ela fica na minha vida como um grande trabalho que eu tenho muito orgulho". 
O artista participa, ainda, de projetos relacionados à memória do pai, Paulo César Pereio. Entre eles uma exposição que reúne desenhos, poemas e outros trabalhos de caráter íntimo. "Então essa exposição não é tanto sobre a trajetória do Pereio no cinema, que é uma coisa que é muito importante e falada sempre, né? Mas é o lugar mais nosso, familiar, e a gente traz pro público. Reelaborar essa morte, não só como uma falta, mas também como uma presença", afirma. 
Serviço

Eles Não Usam Black-Tie
Temporada: até 30 de agosto
Quando: sextas, sábados e domingos, às 19h
Local: Centro Cultural Justiça Federal
Endereço: Avenida Rio Branco, 241 – Centro
Ingresso: a partir de R$25 (meia-entrada)
Duração: 130 minutos
Classificação: 14 anos
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