Michel Alcoforado apresenta ’Coisa de Rico: Outras Histórias’, aula-espetáculo que leva a antropologia para o palcoDivulgação/Jorge Lepesteur
Publicado 05/10/2026 05:00
O sucesso de "Coisa de Rico", livro que ultrapassou a marca de 175 mil exemplares vendidos, fez o público pedir uma continuação. Mas Michel Alcoforado decidiu levar outras histórias de suas pesquisas para uma nova arena: o palco. O resultado é "Coisa de Rico: Outras Histórias", aula-espetáculo que volta ao Rio nos dias 6 e 7 de outubro, no Teatro Axia Casa Grande, na Zona Sul, antes de seguir em turnê por outras capitais brasileiras. 
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Para o antropólogo, a resposta do público ao projeto revela algo maior do que o interesse por histórias sobre riqueza e elite. "Acho que o Brasil ainda está em busca de entender o Brasil. O meu trabalho, de alguma forma, ajuda a gente a entender a gente mesmo", afirma Michel. "Acho que os brasileiros, mais do que nunca, estão interessados nos brasileiros. E isso é bom demais."

A proposta do espetáculo parte justamente dessa ideia. Ao longo de cerca de 80 minutos, Michel apresenta histórias e situações que permitem discutir comportamento, desigualdade, cultura, diferenças de classe e pertencimento. A intenção não é apenas falar sobre quem está no topo da pirâmide social, mas fazer o público se reconhecer, ou pelo menos estranhar a si mesmo, diante do que é apresentado no palco.

Essa percepção aparece especialmente quando o assunto é o público. Depois de uma temporada em São Paulo e de duas apresentações no Rio, Michel percebeu diferenças entre as plateias. Para ele, os cariocas demonstram uma conexão particular com os temas abordados no espetáculo porque parte das pesquisas que deram origem ao trabalho foi realizada na cidade.

“O público do Rio é um público mais conectado, talvez, com a discussão, porque parte da pesquisa se faz no Rio. Então, eu acho que é um público que entende as histórias de largada sem eu precisar explicar muito, porque está mais imerso na discussão”, conta.

A relação com o Rio, portanto, não está apenas na temporada atual. A cidade também faz parte do próprio material que alimenta as histórias levadas ao palco. E, conforme o espetáculo avança para outras regiões, Michel espera descobrir como diferentes públicos vão reagir às mesmas questões.

“Estou curiosíssimo para saber o que vai acontecer quando eu chegar no Recife, em Brasília, em Belo Horizonte, em Porto Alegre”, diz. A turnê passa ainda por São Paulo, onde haverá uma sessão extra em outubro e uma nova apresentação em dezembro.  



Da antropologia à aula-espetáculo



A passagem do livro para o teatro começou justamente quando Michel percebeu que não precisava produzir uma nova obra literária para continuar contando as histórias que havia acumulado ao longo de sua trajetória. Professor e acostumado à sala de aula, ele pensou inicialmente em criar uma aula. Foi quando resgatou a referência das aulas-espetáculo de Ariano Suassuna.

“Eu falei, é isso, não é uma aula comum, porque a gente está no palco, mas é uma aula-espetáculo”, lembra. A inspiração não está apenas na estrutura, mas na possibilidade de usar o palco para transmitir um ponto de vista sobre o mundo. “Eu preservei a ambição de, a partir de uma experiência no palco do teatro, transmitir um certo ponto de vista sobre o mundo.”

Michel, porém, precisou lidar com uma dificuldade nova: ele dominava o conteúdo, mas não a linguagem teatral. Durante o processo, precisou aprender sobre ritmo de fala, marcação de palco, luz e intenção cênica. Foram cerca de 45 dias de ensaios, com a preparação da atriz Érica Montanheiro.

“Eu tinha o desafio de assumir a figura do próprio Michel Alcoforado”, conta. A experiência fez com que ele percebesse que levar conhecimento ao palco não significava apenas transferir o conteúdo de uma aula para uma apresentação. Era preciso criar uma experiência.

O humor entrou como uma das ferramentas para aproximar o público. Para Michel, rir também pode ser uma forma de se reconhecer nas situações apresentadas. “As pessoas riem na mesma medida que elas se constrangem porque elas estão pensando sobre si mesmas. E antropologia serve para isso.”

É também aí que aparece o propósito maior do trabalho que o antropólogo vem desenvolvendo nos últimos anos. Desde 2018, quando começou a atuar no rádio e a escrever no jornal, além de lançar livros e podcast, ele passou a buscar maneiras de levar a antropologia para fora dos espaços acadêmicos.

“A antropologia é boa demais para ficar restrita aqui a essa conversa que a gente está tendo internamente, a gente precisa levar isso para outros lugares”, afirma.

No espetáculo, esse movimento aparece em histórias sobre temas cotidianos, como alimentação e sexualidade, além das diferenças de classe. A escolha, segundo Michel, parte de assuntos capazes de gerar identificação e fazer o público olhar para a própria vida.

“Antropologia é a ciência do outro para a gente pensar sobre si mesmo”, resume.



O encontro com Batman Zavareze



Se Michel conhecia o conteúdo, precisou de alguém que o ajudasse a transformá-lo em espetáculo. A direção artística ficou a cargo de Batman Zavareze, profissional com trajetória ligada às artes visuais, grandes shows e eventos. O roteiro foi desenvolvido por Michel em parceria com Afonso Capellaro.

O encontro entre os dois ajudou a construir a presença cênica do antropólogo. Batman trabalhou não apenas a forma como Michel ocuparia o palco, mas também elementos como luz, áudio e a experiência estética da apresentação.

“Batman traz uma capacidade de pensamento sobre o espetáculo que poucos profissionais no cenário brasileiro têm do mesmo modo”, elogia Michel. “Toda a experiência dele com grandes shows e com grandes artistas me ajudou a pensar não só o meu papel de antropólogo no palco, mas, sobretudo, que visual ou que experiência estética esse palco ia ter.”

Para o antropólogo, a parceria também representou uma experiência que não estava nos planos de sua trajetória. “Sabe aquelas coisas que você jamais imaginou que você ia viver? Foi isso que aconteceu.”
Serviço

“Coisa de Rico: Outras Histórias”

Rio de Janeiro (RJ)

Datas: 6 e 7 de outubro (terça e quarta-feira), às 20h (abertura da casa 1h antes)

Local: Teatro Axia Casa Grande

Ingressos: À venda pela Eventim (https://www.eventim.com.br/artist/teatro-axia-casa-grande/coisa-de-rico-e-outras-historias-4184009) 



Belo Horizonte (MG)

Data: 18 de outubro (domingo)

Horários: 17h e 20h (abertura da casa 1h antes)

Local: Centro Cultural SESIMINAS

Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/126650 



São Paulo

Data: 23 de outubro (sexta-feira), às 20h (abertura da casa 1h antes)

Local: Teatro Bradesco

Endereço: Rua Palestra Itália, nº 500 - Loja 263 - 3º Piso – Perdizes - São Paulo

Ingressos: À venda na Uhuu: https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/michel-alcoforado-16813 



Porto Alegre (RS)

Data: 13 de novembro (sexta-feira), às 20h (abertura da casa 1h antes)

Local: Teatro Bourbon

Ingressos: À venda na Uhuu: https://uhuu.com/evento/rs/porto-alegre/michel-alcoforado-16880 



Brasília (DF)

Data: 21 de novembro (sábado)

Local: Auditório Planalto do Centro de Convenções Ulysses

Ingressos: https://ticketandgo.com.br/evento/coisa-de-rico-outras-historias-com-michel-alcoforado 



Olinda (PE)

Data: 28 de novembro (sábado)

Local: Teatro Guararapes

Ingressos: https://cecontickets.com.br/coisa-de-rico-outras-historias-michel-alcoforado__4038 



São Paulo (SP)

Data: 10 de dezembro (quinta-feira), às 20h (abertura da casa 1h antes)

Local: Teatro Bradesco

Ingressos: À venda na Uhuu: https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/michel-alcoforado-16813 
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