Publicado 15/10/2026 05:00 | Atualizado 15/10/2026 06:56
O carismático Tony, vivido por Marcus Majella, está de volta aos cinemas em "Um Tio Quase Perfeito 3" e, desta vez, precisará lidar com a fase mais 'independente' dos sobrinhos, Patrícia (Julia Svacinna), João (João Kalume) e Valentina (Soffia Monteiro). Depois de deixar a malandragem de lado, se apaixonar pelos pequenos ao cuidar deles no primeiro longa da franquia, em 2017, e de sentir ciúmes da relação das crianças com o namorado da irmã, Ângela (Letícia Isnard), no filme de 2021, o protagonista enfrentará, agora, a "síndrome do ninho vazio".
Publicidade"A gente costuma pensar que isso é uma coisa muito dos pais, mas o Tony criou uma relação tão próxima com os sobrinhos que, para ele, também é um pouco como perder aquele lugar de presença constante na vida deles. Ele está acostumado a participar de tudo, então, quando percebe que eles estão crescendo e começando a ter a própria vida, bate aquela sensação de solidão, aquela pergunta: “E eu?”. Acho que é muito humano. Quando a gente ama alguém, quer continuar por perto, mesmo sabendo que aquela pessoa precisa crescer e seguir o próprio caminho", acredita Marcus.
O artista defende que esse sentimento não se restringe aos pais. "Tios, avós, madrinhas, padrinhos… Quem está perto também pode ter este sentimento de 'perda', porque as famílias têm suas diferentes formações, e isso é algo muito importante a se considerar", diz o artista.
Em meio à solidão, o personagem será surpreendido com uma bebê deixada na porta de sua casa. Majella comenta como reagiria se o mesmo acontecesse com ele. "Acho que meu primeiro impulso seria entrar em pânico e depois tentar organizar as coisas. Eu provavelmente ligaria para alguém que soubesse muito mais sobre bebês do que eu. (risos) Então, por favor, sem este tipo de surpresa para mim, ok? (risos) Acho que a primeira reação é de susto mesmo, não muito diferente da reação do Tony."
Apesar do choque, Tony acolhe a neném e encara uma nova realidade, que inclui troca de fraldas e choros. Tio de Maria Eduarda, de 25 anos, formada em Medicina, Marcus se diverte ao contar que sua experiência com uma bebê foi diferente da de seu personagem.
"Acompanhei uma criança crescer até virar médica, mas não significa que eu saiba trocar uma fralda de madrugada! Nada que se compare, claro, à rotina de quem tem um filho. Nesse caso, acho que estou mais para o Tony mesmo. Ele também não tem a menor experiência para lidar com aquilo e vai precisar se adaptar e aprender na marra."
Com um jeito atrapalhado, mas cheio de amor para dar, o professor de teatro cuidará da neném, que se chama Alice, enquanto tenta desvendar o mistério sobre o paradeiro dos pais dela. Nesta missão, ele terá a ajuda dos sobrinhos. "Isso dá mais a percepção de que as crianças cresceram e estão mais maduras para enxergar algumas situações com mais clareza do que ele. É uma inversão de papéis mesmo, e foi muito interessante fazer. Acho que isso também mostra como a relação entre eles evoluiu ao longo dos filmes e como eles foram construindo uma relação de troca, e não mais apenas de cuidado de um lado só", comenta.
Prestes a completar uma década, a franquia marca o crescimento de Julia, João e Soffia Monteiro nas telonas. Marcus se emociona ao ver a evolução do elenco jovem, na ficção e na realidade. "É muito doido e muito bonito ao mesmo tempo. A gente começou esse projeto quando eles ainda eram crianças e, de repente, eu olho para a Julia, o João e a Soffia e vejo todo mundo adulto!", afirma, aos risos.
"É impossível não se emocionar um pouco com isso, porque eu acompanhei uma parte importante da vida deles. A gente criou uma relação de muito carinho e amizade ao longo desses anos, então reencontrá-los hoje tem um significado muito especial. Tenho um orgulho enorme de ver quem eles se tornaram, não só como artistas, mas como pessoas. Acho que esse é um dos presentes mais bonitos que esse projeto me deu", reflete.
Por fim, o artista opina sobre o sucesso da franquia. "O Tony é muito humano. Acho que as famílias têm sempre aquela figura meio Tio Tony, sabe? E se identificam com isso. O público se reconhece nas situações, nos personagens e nos conflitos. É uma história que consegue falar com a criança e com o adulto ao mesmo tempo. Acho que isso fez o público criar uma relação de carinho com o Tony e com essa família.
Leia mais
