Publicado 21/03/2026 11:55 | Atualizado 21/03/2026 14:36
Rio – Após o novo prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) reiterar o desejo, já manifestado pelo antecessor Eduardo Paes, de aumentar o número de agremiações do Grupo Especial do Carnaval do Rio de 12 para 15, Gabriel David, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), tratou de esclarecer questões, sobretudo financeiras, que ainda funcionam como entraves e dependem da própria Prefeitura para que o acréscimo saia do papel.
PublicidadeAinda na noite desta sexta-feira (20), horas após Cavaliere mencionar, na cerimônia em que foi empossado, a meta de 15 desfiles já para 2027, Gabriel publicou um vídeo nas redes sociais, no qual explica que esse aumento é uma mudança de regulamento que só poderia avançar mediante votação entre as 12 agremiações que ocupam o Grupo Especial atualmente.
“Nem eu, como presidente da Liga, nem o prefeito tem autonomia para mudar o regulamento do Carnaval. Quem altera são as próprias escolas. É uma votação na qual as 12 escolas participam, podendo fazer qualquer tipo de alteração que achem válida”, detalhou.
O primeiro deles é o espaço físico. Gabriel David alegou que a Cidade do Samba, onde alegorias e fantasias são produzidas, não conta ainda com 15 barracões.
Além disso, seria necessário, de acordo com o mandatário da Liesa, que a Prefeitura aumentasse proporcionalmente o repasse às escolas - que neste ano foi de R$ 14 milhões para cada - a fim de manter o nível do espetáculo. Ou seja, mais agremiações, mais dinheiro: “Não pode acontecer de num ano, os 15 desfiles serem piores do que os 12 do ano anterior, porque as escolas têm menos recursos”, exemplificou.
David complementou salientando ainda que tais recursos para o “maior espetáculo a céu aberto do planeta” precisam ser reajustados de uma edição para a outra: “Acompanhando a inflação, os custos de produção do carnaval aumentam todos os anos. Então os repasses também precisam aumentar, assim como acontece com a arrecadação de impostos pela Prefeitura e pelo Governo. Essa conta é viável”.
Ainda no campo das finanças, Gabriel David destacou a importância de uma previsibilidade para que as participantes recebam tais repasses. Segundo ele, nos últimos anos, principalmente em 2026, a verba da Prefeitura chegou às escolas não muito antes de o Rei Momo receber a chave da cidade, o que também afeta negativamente o resultado apresentado na avenida: “O que a gente pede, e já tem acontecido na Câmara Municipal, é que exista um projeto de lei para que o pagamento dos repasses às escolas seja pré-estabelecido de acordo com a data do Carnaval, que varia de um ano para outro, como todos sabem”.
Gabriel David encerrou o vídeo garantindo que o modelo de três dias de desfiles, adotado desde 2025, comporta cinco agremiações por data, mas reforçou que o Executivo municipal, agora chefiado por Cavalieri, precisa agir: “Essas alterações por parte da Prefeitura precisam acontecer para que, de fato, isso possa ser exposto em uma plenária. E aí sim termos a votação das 12 escolas para o aumento para 15 já para o Carnaval de 2027”.
'Quem decide é a Liesa'
Durante sua primeira agenda como prefeito, na apresentação do futuro sistema de transporte para a Zona Oeste, que vai se integrar ao novo Terminal Bairro Imperial Santa Cruz do BRT, Eduardo Cavaliere foi questionado sobre o vídeo de Gabriel David e passou a responsabilidade para o lado da Liesa.
"Claro que precisamos avançar nos detalhes. Vamos discutir mais a subvenção, a logística com os barracões...", reconheceu o prefeito, completando: "Enfim, são detalhes que a própria Liesa tem que discutir internamente. E a partir daí, discutir com a Prefeitura, para podermos anunciar. O desejo da Prefeitura é o de 15 escolas. Mas só sugerimos. Quem decide as convidadas e o regulamento é a Liesa".
Sobre o porquê da "sugestão" de aumentar o número de participantes, Cavalieri argumentou: "Festa para nós é coisa séria. Carnaval é emprego, renda, a identidade cultural do Rio para o mundo. Então ter cinco escolas por dia, significa mais tempo de Rio na TV, mais audiência, mais gente assistindo".
O chefe do Executivo municipal explicou também a razão de ter indicado Estácio de Sá, União da Ilha e Império Serrano como convidadas para integrar as possíveis 15 agremiações na disputa pelo título do Grupo Especial. E novamente deixou a palavra final a cargo da Liga: "São três escolas históricas, muito representativas para o Carnaval do Rio. E numa edição histórica, com 15 escolas no Carnaval, apenas sugerimos. Quem vai decidir é a Liesa".
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