Publicado 16/08/2026 05:00
Rio - Depois de duas décadas de carreira, Priscilla inicia uma nova etapa da trajetória musical com o lançamento de "Eco", primeiro álbum produzido com total autonomia criativa. Com dez faixas inéditas, o disco coloca a voz da artista no centro da produção e marca sua estreia como cantora independente. O projeto ganhou forma a partir de uma sessão de estúdio com o produtor Laudz.
Publicidade"Foi bem despretensioso o começo. Eu ainda não tinha lançado o meu antigo álbum, né? O penúltimo, 'Priscilla'. E nesse, antes do lançamento acontecer, conheci o Laudz, que é o produtor. E em uma sessão de estúdio que a gente se conheceu, a gente fez 'Não Testa', que é uma faixa do álbum, então foi a primeira música que nós fizemos juntos", conta.
O projeto representa uma mudança significativa em relação ao estilo do antecessor. Para a cantora, a diferença entre os discos ajuda a direcionar o olhar do público para os vocais. "É até uma forma de valorizar um álbum que tenha minha voz como protagonista, porque por causa de todos os contrastes, acaba que as pessoas vão prestar ainda mais atenção naquilo que quero que tenha destaque, que é a minha voz, as melodias".
Questionada sobre qual música escolheria para representar todo o conceito, Priscilla inicialmente hesita, mas aponta uma faixa específica. "Se for falar tecnicamente com relação à voz, acho que 'Obsessão', que é super dramática. Acho que ela traz bem essa maturidade, essa intenção musical que eu quis trazer para o álbum, porque ela é potente, tem drama, notas longas e projeção", analisa.
O disco se afasta de uma abordagem mais tradicional do pop e aposta em uma construção que valoriza a artista como solista. "Foi um processo que eu escolhi abrir mão do que normalmente a gente tem como expectativa, que é um bom posicionamento no charts. É um álbum que tem uma sonoridade e abordagem não muito usada na música pop, no cenário do mainstream. Tem uma sonoridade mais clássica porque eu sou uma vocalista, é isso que eu canto. Minha voz é para isso".
"Eco" vem acompanhado do videoclipe da canção "Nosso Lugar" e outras nove produções audiovisuais, decisão que permitiu explorar referências que fazem parte do imaginário da cantora. "Foi muito divertido. Eu amo trabalhar com visuais, acho que é a minha chance de trazer matéria para o som. Ficava apaixonada nessa sensação de canal de videoclipes, MTV, VH1... Queria essa sensação quando as pessoas vissem os vídeos e foi isso que a gente trouxe, mais uma parte divertida e lúdica pro álbum", explica.
Priscilla revela que pretende levar o projeto para os palcos e também não descarta uma extensão do álbum com canções que ficaram de fora da seleção final. "A curadoria que a gente fez para as músicas foi muito específica, por isso que ele é um álbum curto. O que significa também que a gente engavetou muita música. Com certeza pretendo fazer uma extensão desse álbum com outras músicas que a gente amava, mas que não cabiam", adianta.
O lançamento de "Eco" também acontece no momento de maior autonomia profissional. A artista passou a comandar diferentes etapas da carreira e precisou assumir responsabilidades que antes costumavam ficar nas mãos de outras equipes. "Tinha uma certeza: ia começar uma carreira independente só quando eu tivesse encontrado um bom time para eu ter assistência, porque quando você está dentro de uma manager, você tem ali todo tipo de suporte necessário. Sendo independente, eu que teria que tomar conta de todas essas frentes", diz.
Priscilla começou a acompanhar de perto questões relacionadas a planejamento, fornecedores e direitos autorais. "Estou no comando, na direção de tudo, mas tenho uma equipe maravilhosa e exige de mim muita atenção. Tenho que equilibrar o meu eu, minha cabecinha de artista, que acho que tudo é possível, com o pé no chão de como as coisas realmente acontecem para serem materializadas, que nem tudo é tão fácil".
Apesar das dificuldades, a cantora enxerga o processo como uma expansão da atuação profissional. "Foi um super desafio achar espaço na minha cabecinha de artista para essas coisas burocráticas, mas que hoje eu preciso estar antenada, eu preciso saber. Então, hoje eu sou a minha própria empresária, gerencio essas profissionais que trabalham comigo. E nas horas vagas eu sou cantora", brinca.
Em paralelo ao lançamento, Priscilla desenvolveu o projeto Ecos Independentes, voltado para novos artistas. A iniciativa nasceu de uma reflexão sobre o próprio papel no mercado. "Quando você tira o seu ego, você entende que a arte ela é sobre o coletivo, né? Ela é muito além de um indivíduo. [..] Então vamos enaltecer a arte do outro, porque o seu espaço também tem que ser o espaço do outro".
Com 20 anos de carreira, a cantora fala sobre como a experiência trouxe a liberdade para experimentar outros caminhos artísticos. "Eu estou enjoada de fazer a mesma coisa. Eu estou meio do contra, sabe? Consegui chegar até aqui, uma carreira bem-sucedida, fiz tudo e mais um pouco que eu queria e ainda consigo fazer novas coisas. Então estou a fim de fazer coisas do meu jeito", declara.
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