Sarah Aline comanda videocast sobre saúde mental Divulgação / Julio Barbosa
Publicado 30/08/2026 05:00
Rio - Psicóloga, apresentadora e criadora de conteúdo, Sarah Aline encontrou no "Sarah de Terapia" uma forma de aproximar discussões sobre saúde mental do cotidiano. Na segunda temporada do videocast, criado por ela em 2025, o projeto ganhou novos formatos, conversas mais longas com os convidados e ampliou seu alcance.
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Uma das principais mudanças foi justamente dar mais espaço aos convidados. Na primeira temporada, as entrevistas duravam entre 30 e 40 minutos. Agora, podem chegar a uma hora e dez. A decisão veio da percepção de que o público queria acompanhar mais profundamente as histórias compartilhadas.

"Deixei mais espaço na minha própria fala para que o convidado pudesse se colocar mais. (...) As pessoas ficavam muito curiosas para ouvir mais daquele convidado, acompanhar aquela narrativa por completo", explica Sarah. 

A dinâmica dos episódios também mudou. Antes, o programa tinha duas publicações semanais. Agora, o "Fala com Sá", com convidados, e o "Toma com Sá", conduzido apenas por Sarah, se alternam a cada semana. Segundo ela, a ideia é permitir que o público tenha tempo para "assentar os temas" e elaborar as discussões antes de uma nova conversa.

Para a apresentadora, tornar a psicologia acessível não significa apenas explicar conceitos de forma simples. Existe, segundo ela, uma questão social anterior: muitas pessoas sequer tiveram a oportunidade de aprender que têm direito ao cuidado. "Muitas pessoas nem sabem o que é cuidado porque não têm acesso aos direitos mais básicos de cuidado. E estou falando de cuidado físico mesmo: cuidado médico, cuidado nas relações, cuidado no trabalho."

A psicóloga conta que essa percepção também foi construída durante sua experiência profissional quando trabalhou por dois anos em uma clínica voltada para pessoas negras e para quem não tinha condições financeiras de pagar por terapia. "Como tornar a psicologia acessível para alguém que talvez nem saiba que pode se dar o direito de descansar? Que pode se dar o direito de estar alegre?"

É justamente nesse ponto que ela encontra o propósito do videocast. As conversas não pretendem substituir a terapia, mas ampliar o acesso a informações que ajudem as pessoas a reconhecer e nomear aquilo que sentem. "Não existe uma única forma de ser no mundo. Existe a minha forma de ser no mundo. E, a partir disso, eu também posso encontrar a minha maneira de cuidado."

Depois do BBB, aprender a ser Sarah novamente

A exposição provocada pelo "Big Brother Brasil", em 2023, também atravessou um período importante da trajetória de Sarah. Ela conta que deixou o reality em um momento emocionalmente delicado e enfrentou dificuldades para se reinserir socialmente.

Mesmo com acompanhamento psicológico e psiquiátrico, além do apoio de familiares e amigos, ela passou por questões relacionadas à depressão e a uma ansiedade intensa. Foi preciso, segundo Sarah, descobrir uma nova maneira de existir depois de uma experiência que alterou praticamente tudo ao seu redor. 
"Precisava abraçar as minhas vulnerabilidades e dificuldades emocionais e continuar me cuidando para também conseguir entregar, de uma forma excelente, aquilo que o trabalho ocupa de importância na minha vida."

Hoje, ela diz estar bem com os diferentes projetos que construiu. "Eu percebi que praticamente tudo mudou, mas uma coisa não mudou, e é justamente a mais importante: eu."

Ambição sem pressa

Aos 28 anos, Sarah concilia a psicologia com a apresentação, a criação de conteúdo, as palestras e outros projetos. A ambição profissional a acompanha desde muito antes da fama. Aos 21 anos, já havia recebido uma promoção para um cargo de liderança e mantinha uma clínica com cerca de dez pacientes.

A diferença, hoje, está na maneira como encara o próprio tempo. "Hoje estou aprendendo também a respeitar o meu próprio tempo. Quero ter mais recursos, mais possibilidades, continuar sonhando e fazendo mais, mas sem esquecer de agradecer por tudo aquilo que já construí."

O alcance do trabalho dela também ganhou outra dimensão. Conteúdos sobre saúde emocional produzidos em suas redes já chegaram a cerca de 15 milhões de pessoas. "Quando eu olho para esses números, acho muito bonito. Porque, no final, são números que representam pessoas. E eu estou falando sobre vida e sobre saúde emocional para pessoas assim como eu."


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