Publicado 06/08/2026 05:00
Rio - Quase 50 anos depois de levar aos palcos uma Lapa marcada de disputas por dinheiro, corrupção e sobrevivência, a "Ópera do Malandro - Musical", escrita por Chico Buarque, retorna ao Rio, sob direção de Jorge Farjalla. Com o fortalecimento das personagens femininas e a aproximação da obra com elementos da religiosidade popular brasileira, a nova montagem estreia no Teatro Multiplan, na Barra da Tijuca, nesta quinta-feira (6), e seguirá em cartaz até o dia 30, com ingressos a partir de R$ 25.
Publicidade"Quero celebrar o Chico e sua obra. As mulheres ganharam um protagonismo muito mais forte na montagem. A Geni se transformou quase em uma protagonista. Minha 'Ópera' ficou um pouco mais feminina", comenta Farjalla, que também incorporou elementos da umbanda e do "povo da rua" na produção. "Nada mais justo, até pelo povo da rua. O Zé Pilintra, os ciganos, os Exus, as Marias Padilhas, as Pombagiras, Maria Mulambo e tantos outros arquétipos do sincretismo popular religioso. Isso para mim era muito importante: não deixar de levar esse lugar para a ópera, já que ela nasceu ali na Lapa", explica.
José Loreto assume o papel principal de Max Overseas Navalha, um contrabandista sedutor que se casa com Teresinha (Carol Costa), filha de Duran (Edgar Bustamante) e Vitória Régia (Totia Meireles), donos de uma rede de bordéis. Revoltados com a união, os dois decidem arquitetar um plano para acabar com o genro e prejudicar a estrutura de corrupção dele. Entre a briga familiar estará o Delegado Chaves (Amaury Lorenzo), que recebe propina de ambos.
"O Max é a síntese do arquétipo do malandro moderno e genuinamente brasileiro", acredita Loreto. "É justamente por isso que esse sincretismo cultural e espiritual faz todo sentido, representando a fusão pacífica de crenças", opina o artista, que está no ar na novela "Quem Ama Cuida", como Iuri.
Ele conta que procurou nas próprias experiências uma forma de se aproximar do contrabandista - que será vivido por Tiago Barbosa em parte das sessões - e de sua permanência na realidade socioeconômica e política brasileira. "Busquei muito de valores e experiências pessoais para construir esse personagem, que segue sendo tão presente e atual nos dias de hoje. Acredito que temos transmitido através do espetáculo valores como igualdade e inclusão", conta.
Descrita no texto original como uma travesti, a emblemática Geni será vivida por Valéria Barcellos, uma atriz trans, depois de ser interpretada majoritariamente por homens ao longo dos anos. Andréa de Maio, artista trans, chegou a assumir a personagem em São Paulo, em 1979, mas sua passagem foi breve.
"Vejo pessoas trans felizes e representadas, trazendo as próprias vivências e dizendo: 'Nossa, sou uma Geni'. Existe uma diferença em vivenciar isso de maneira pulsante", celebra Valéria. "Quando a gente traz uma atriz trans para dar corpo a essa alma, consegue demarcar esse território de existência", acredita.
Esse encontro entre a personagem e a trajetória da artista alcança seu ponto mais intenso durante a performance da canção "Geni e o Zepelim". "É o momento mais catártico para mim. É como se a persona fosse se descascando, uma camada por vez, até sobrar uma alma nua que não aguenta e chora", descreve. "É uma das coisas mais lindas que já fiz. Brinco com Farjalla que é o papel da minha vida, e com certeza é."
E por falar em Jorge, ele ressalta que encenação aborda as críticas sociais através da comédia. "'Ópera do Malandro' não tem vilão. Não tem certo ou errado. Você não tem como julgar ninguém, todos já estão julgados. A gente está falando sobre um quadro social muito forte e pertinente na política do Brasil".
Serviço:
"Ópera do Malandro - Musical"
Até dia 30 de agosto
Quintas e sextas, às 20h; Sábados, às 16h e 20h; Domingo, às 15h30 e 19h30
Local: Teatro Multiplan - Shopping Village Mall
Endereço: Av. das Américas, 3.900 - Barra da Tijuca
Ingressos: a partir de R$ 25
Até dia 30 de agosto
Quintas e sextas, às 20h; Sábados, às 16h e 20h; Domingo, às 15h30 e 19h30
Local: Teatro Multiplan - Shopping Village Mall
Endereço: Av. das Américas, 3.900 - Barra da Tijuca
Ingressos: a partir de R$ 25
*Reportagem da estagiária Carolina Irigoyen, sob supervisão de Isabelle Rosa
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