Publicado 13/07/2026 08:15
Rio - Dois anos após a morte de Anderson Leonardo, Paula Cardoso, ex-mulher do cantor, decidiu cobrar do Grupo Molejo mais informações sobre os valores arrecadados com shows e outros trabalhos. A empresária afirma que busca garantir os direitos de Alice, filha do artista e uma das quatro herdeiras dele.
PublicidadeEm entrevista ao "Domingo Espetacular", da Record, Paula alegou que não recebe uma prestação de contas detalhada sobre os ganhos do grupo. "Eu só recebo o que eles acham que é de direito mandar pra gente, pra me mandar. Eu só quero esclarecimento do que é de direito da minha filha", declarou.
Segundo a empresária, os dados financeiros passam por empresas e profissionais com os quais ela não tem contato direto. "Essa prestação de contas, segundo o que eu tenho, é feita através de uma assessoria, de um escritório, de uma produtora na qual eu não tenho conhecimento. Eu só quero transparência", afirmou.
Paula também contou que Alice tinha quase quatro anos quando perdeu o pai e destacou a relação próxima entre os dois. "[Quando] ele morreu, minha filha ia fazer quatro anos, faltavam quatro dias para a minha filha fazer quatro anos. Então minha filha conviveu muito com o pai dela", relatou.
A ex-mulher do cantor disse ainda que não mantém contato com os atuais integrantes do Molejo. "Nós não temos nenhuma relação. Nenhuma. Nenhum tipo de contato, absolutamente nada."
Divergência sobre divisão dos valores
Paula afirma que Anderson recebia uma parcela maior dos lucros por ocupar o posto de vocalista e por ser o proprietário da marca Molejo. De acordo com ela, essa diferença deixou de existir após a morte do artista. "O Anderson hoje é um mero integrante do grupo, sendo que todos eles ali sabem que a cara era o Anderson, a voz era o Anderson... E hoje nós recebemos como se o Anderson fosse um funcionário normal, uma divisão igual. E o Molejo é do Anderson", ressaltou.
Ela também declarou que não recebe informações sobre a agenda de apresentações do conjunto e afirmou que foi bloqueada nas redes sociais do grupo. "Eu tenho que perguntar a terceiros se está tendo show, se não está. E aí as pessoas, amigos próximos, me mandam. E é assim que a gente fica sabendo."
Andrezinho, integrante que assumiu os vocais após a morte de Anderson, contestou a acusação. Segundo ele, a agenda do Molejo permanece disponível ao público. "A página do Molejo está lá para todo mundo ver. Sobre as condições de contrato, isso também se refere a advogados. Se você perguntar pra gente, eu também não tenho acesso a contrato, eles [os outros integrantes] também não", respondeu.
O músico explicou que Anderson não recebia um valor maior apenas por ser dono da marca, mas por exercer uma função de destaque nos shows. "Não era exatamente por isso. Como ele era o cantor, como ele estava mais à frente, vamos dizer assim, foi designada a condição de ele receber um pouco mais. Como agora já é dividido num contexto normal, entre todos nós, nós resolvemos levar essa condição de todo mundo receber igual", disse.
Andrezinho também afirmou que o próprio Anderson pediu que os colegas mantivessem o Molejo em atividade. "Ele já foi passando pra gente essa determinação, esse fortalecimento de entendimento de que a gente precisava dar continuidade ao nosso trabalho, porque é o legado que construímos todos juntos."
"A gente tentou fazer de uma forma que todo mundo ficasse bem. Com o entendimento de que o trabalho, dando continuidade, favorece a todos", completou.
Acordo virou disputa entre advogados
Paula afirmou que, logo após a morte de Anderson, houve uma reunião para definir o futuro do grupo. Segundo ela, o acordo inicial previa a manutenção do modelo adotado até então, mas a situação mudou poucos dias depois.
"Assim que o Anderson faleceu, nós tivemos uma reunião. Nessa reunião ficou acordado que o barco seria tocado normalmente. Isso não foi feito. Quinze dias depois, nós recebemos uma notificação extrajudicial deles se desligando da empresa Molejo", contou.
Andrezinho disse que a decisão de levar o caso aos representantes legais partiu da família do cantor. "Partiu de lá o entendimento de que se colocaria os advogados para resolver. Então nós entendemos também que seria de bom tom nós colocarmos os nossos advogados para tentar conversar sobre as partes e tentar ficar da melhor forma possível para todo mundo", explicou.
Para Paula, o conflito afeta a memória de Anderson Leonardo. "Para mim, é como se a memória dele tivesse sido rasgada. Só que não teve o que fazer", lamentou. "Eu quero é mais clareza nessa prestação de contas. Eu não posso ficar em dúvida, porque eu sou a voz da minha filha."
O advogado Thiago Sena, que representa a empresária, afirmou que pretende buscar uma solução sem recorrer de imediato à Justiça. "Nós vamos buscar de uma forma amigável que a produtora forneça os dados requisitados. E, caso haja uma negativa, vamos requerer judicialmente essa transparência", declarou.
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